Categoria: Guerra e Militarismo

  • [México] Artefato explosivo é detonado numa sucursal do BBVA-Bancomer

    Comunicado:

    Em 23 de maio, às 2 da manhã, decidimos detonar um artefato explosivo na filial do BBVA-Bancomer, localizado na Calçada Ignacio Zaragoza, esquina com Agua Caliente, na Delegação Iztacaldo do Distrito Federal.

    O alvo escolhido não é ao acaso. Este banco, de origem espanhola, é o segundo maior banco da América Latina em volume administrado e o primeiro na gestão dos planos de pensões e de seguros. Estas são algumas de suas estratégias de “responsabilidades corporativas”: promover conflitos bélicos no mundo através do financiamento de empresas armamentistas e do comércio neste setor; o financiamento de bombas de fragmentação (usado por Kadafi para bombardear Misrata na Líbia); lavagem de dinheiro do narcotráfico; financiamento de projetos altamente poluentes (Oleoduto de Petróleo Pesado (OCP) no Equador, gasoduto Gasyrg na Bolívia, megapapeleira da ENCE no Uruguai e financiamento de minas a céu aberto no Chile e Peru); financiamento do Repsol YPF e Iberdrola (que produzem energia a partir de combustíveis fósseis), contribuindo para as emissões de CO2 e as mudanças climáticas.

    Embora o Sr. Mancera esforçar-se para desqualificar a ação desta madrugada, falando sobre jovens vândalos com os rostos cobertos, a partir desta declaração, queremos dizer nos sobram motivos para atacar a estes símbolos do capital. Ante o que consideramos estratégias de extermínio, responderemos com fogo até que a última dessas empresas neocolonizadoras desapareça deste país e do mundo.

    Reivindicamos esta ação como uma forma de solidariedade com os nossos companheiros presos no Chile. Com isso também, recordamos o companheiro Mauricio Morales, que foi morto quando detonou os explosivos que usaria contra a Escola de Gendarmaria.

    A solidariedade não entende fronteiras. A ação insurrecional tão pouco.

    Pela destruição do sistema capitalista.

    Pela liberdade dos 14 presos políticos do Chile.

    Pela liberdade dos companheiros mexicanos presos Adrián Magdaleno e Braulio Durán.

    Pela liberdade de nossos companheiros presos na Grécia, Bielorrússia e Estados Unidos.

    Em memória de Mauricio Morales e Patricia Heras.

    CRIA (Célula Revolucionária Insurrecional Anarquista)

  • [Itália] USI faz greve geral contra a guerra na Líbia

    [Itália] USI faz greve geral contra a guerra na Líbia

    Em 15 de abril, houve uma greve geral de um dia convocada pela União Sindical Italiana (USI-AIT) contra a guerra na Líbia. A iniciativa desta organização anarco-sindicalista foi apoiada pelos sindicatos independentes Cobas e SISA e também pelo Comitê de Imigrantes na Itália.

    A greve foi direcionada contra a participação da Itália na intervenção militar na Líbia e contra a política social e econômica do governo italiano. Os/as organizadores/as declararam o 15 de abril um “Dia de Fúria”.

    A greve mais ampla teve lugar na área de transporte. Começou às 21 horas do dia anterior e durou o dia inteiro. Alguns trens foram cancelados e o transporte municipal foi afetado em diferentes cidades. A greve também envolveu serviços médicos, educação e vários outros setores.

    Ocorreram manifestações em Milão, Turim, Palermo, Bolonha, Gênova, Roma e outras cidades – no total, mais de 20.

    Tempos de Guerra

    A operação Odissey Dawn (Odisséia da Alvorada) marcou o começo da intervenção militar na Líbia, outra missão de guerra com que as grandes potências do ocidente querem proteger interesses econômicos e equilíbrios geopolíticos que são ameaçados por instabilidade, tensões locais e ambições de caudilhos e ditadores.

    Trata-se do mais recente entre os episódios que tornam ainda mais patente o estado de guerra permanente no qual vivemos. Ao passar dos anos, mudam os cenários: dos Bálcãs (Bósnia, Kosovo) até o Magreb, passando pelo Oriente Médio (Iraque) e pela Ásia (Afeganistão); muda o nome das operações militares: de operações de polícia internacional a força tarefa contra o terrorismo a dispersão de forças de interposição e dissuasão, até chegar a definições mais tranqüilizadoras como missão de paz ou missão humanitária; mas, concretamente, não mudam nem os meios para levá-las a cabo nem a substância: bombardeios e mísseis, em uma palavra, se trata de guerra.

    Desde o começo ficou claro que a revolta na Líbia, ainda que impulsionada pelas insurreições que continuam estremecendo os países norteafricanos e do Oriente Médio (Tunísia, Argélia, Marrocos, Egito, Iêmen, Bahrein), apresentava traços de luta entre facções rivais pelo poder, fixadas no território por base em pertences tribais (Tripolitânia, Cirenaica e Fezã). Também era evidente que o papel exercido pela Líbia em vários níveis no cenário mediterrâneo (produção de petróleo e gás, economia-social relevante do ocidente, vigilância da área, controlador do fluxo migratório) faria com que a crise do regime de Gadafi se tornasse crise de nível internacional. Os bombardeios em Trípoli não são nada menos que a prova disso.

    Começou uma guerra de verdade, suja e vil como toda guerra, cujos objetivos não coincidem com nenhum dos que foram declarados: nem a queda de Gadafi, nem a implementação da “democracia”, nem a proteção da população. O objetivo real é bem claro: voltar a colonizar a Líbia, um país de suma importância por seus recursos energéticos e sua posição estratégica, através de sua balcanização. Em segundo lugar, não de menor importância, a intervenção militar aponta para a manutenção de um estado de guerra permanente e global que oculta as verdadeiras emergências (fome e miséria, desastres ambientais e nucleares, migrações massivas, supremacia das ganâncias sobre as necessidades) e que permita sufocar permanentemente lutas e revoltas.

    Uma guerra da qual a Itália participa hipocritamente, nem sequer assumindo suas próprias responsabilidades; direita e esquerda se unem nas mesmas declarações pseudopatrióticas, amparando-se por trás das indecentes palavras de Napolitano, para confundir e enturvar as consciências. Uma guerra na qual nosso “belo país” recolherá as migalhas, como um abutre.

    Nós somos contra esta guerra, como somos contra todas as guerras capitalistas e imperialistas. A única frente que reconhecemos é a da luta social contra os patrões e seus servos. Uma frente que une todos/as os/as explorados/as, independentemente de sua nacionalidade, etnia, língua e cultura, que os enfrenta sem possibilidade de conciliação à barbárie capitalista. Uma frente que para se opor ao alcance dos acontecimentos atuais não pode se limitar a defender as últimas migalhas da paz e do suportável nos resta, mas tem que oferecer alternativas concretas à miséria e à barbárie do mundo no qual vivemos e nas quais nos querem afundar cada vez mais.

    Os desfiles pela paz não são suficientes, devemos começar a construir uma sociedade diferente.

    Contra as guerras do capital, guerra social por um mundo diferente, livre de estados, exércitos e patrões!

    Secretariado Nacional USI-AIT

    Mais infos:

    http://www.usi-ait.org/

  • [Coréia do Sul] Anarquista sul-coreano é condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência

    [Coréia do Sul] Anarquista sul-coreano é condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência

    O jovem anarquista sul-coreano Jihwan Ahn foi condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência em 17 de fevereiro passado, em Seul. Ele está atualmente encarcerado na prisão de Youngdengpo e deverá será libertado em 16 de agosto de 2012. Jihwan recebeu 18 meses de prisão por suas crenças e sua rejeição ao serviço militar.

    Em sua declaração, ele afirma:

    Não vejo razões – seja num sentido legal ou mesmo moral – para explicar a vocês qual o meu critério de consciência, e a história de como esse foi alcançado, ou da veracidade dessa consciência, enquanto eu declaro que me recuso ao serviço militar, de acordo com minha própria consciência. Não estou alegando isso de uma maneira infantil, mas essa é mesmo a minha convicção. Então, eu gosto de subir uma montanha pela manhã, ou de ir à praia quando está chovendo, tirar uma soneca depois do almoço, e colher flores do campo e colocá-las num vaso em minha sala – todas essas coisas você pode fazer livremente, sem permissão. Para mim, não prestar o serviço militar é assim também – uma questão de liberdade individual. Se alguém tenta tirar essa liberdade de mim, é esse alguém que deve explicar por que faz isso. Não sou eu que tenho que explicar porque me sinto feliz quando eu colho uma flor, ou culpado por fazer isso, e todas as outras mudanças emocionais e demais razões de o porque eu gosto de colocar flores em um vaso quando eu as pegar”.

    Hoje, o problema principal é que depois da minha declaração, o processo legal vai começar. Primeiramente, é um problema pedir a alguém que é declaradamente consciente, que prove a sua consciência; e segundo, há o problema que não houveram debates o suficientes para entender o porque do estado-nação (ou melhor, a comunidade) está tirando a liberdade de alguém. Essa é basicamente uma questão de violência por parte do estado-nação”.

    Embora a Coréia do Sul tenha sido repetidamente lembrada pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU de que deveria reconhecer o direito da objeção consciente – tanto através das Observações Conclusivas ao estado, assim como em sua jurisprudência no caso do objetores conscientes da Coréia do Sul – isso não tem sido feito. Um projeto do governo anterior para introduzir o direito da objeção consciente foi derrubado pelo governo atual.

    Em novembro de 2010, 965 objetores conscientes estavam cumprindo sentenças nas prisões, de geralmente 18 meses. Atualmente, um dos casos das Observações Conclusivas que teve apelo junto à Corte Constitucional está pendente. Não obstante, as cortes continuam a mandar os objetores para a prisão.

    Cartas de apoio ao objetor de consciência Jiwahn Ahn podem ser enviadas para este endereço:

    Jihwan Ahn

    2568

    P. O. Box 164

    Geumcheon-gu

    Seul, República da Coréia

    153-600

    Tradução > Filipe Ferrari

  • Isso não merece um Tribunal Penal Internacional?

    Isso não merece um Tribunal Penal Internacional?

    Bombas sionistas propagam o câncer e más formações em Gaza: Alguns dias atrás, a Assembléia Geral da ONU expulsou a Líbia do Conselho de Direitos Humanos, enquanto os antecedentes da Líbia foram enviados ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. A decisão da ONU se baseia em “suposições” e “presunções”, porque não havia nenhuma evidência de mortos como foi falado, até então.

    Veja aqui os dois pesos da chamada comunidade internacional, quando se trata de analisar o que torna uma das engrenagens mais simbólicas do Imperialismo – o sionismo:

    O número de pacientes com câncer e má formação tem aumentado em Gaza, devido ao uso de urânio empobrecido pelo exército israelita, durante o violento ataque ao pobre enclave durante dois anos, segundo fontes médicas.

    Após a guerra, os casos de câncer aumentaram mais de 30% em Gaza, informou o correspondente da PressTV esta semana.

    “Temos visto um aumento acentuado em pacientes com câncer de sangue e outras doenças. Muitos pacientes vêm de áreas que foram atacadas por aviões israelenses que usaram armas químicas proibidas”, disse o oncologista Mohammed Atteya.

    O Hospital Shifa, o maior provedor de cuidados de saúde na Faixa de Gaza, tem presenciado recentemente um forte aumento no número de pacientes com câncer.

    Os médicos afirmam que a maioria dos pacientes de câncer reside em áreas que foram fortemente bombardeadas durante a ofensiva de Israel sobre Gaza, no inverno de 2008-2009.

    O ataque israelense matou 1.400 palestinos e deixou milhares de feridos; a maioria das vítimas era civil.

    Naquele momento, os médicos noruegueses, voluntários em hospitais de Gaza, afirmaram que algumas vítimas tinham traços de urânio empobrecido em seus corpos.

    Os danos ambientais e a poluição é outro subproduto infeliz da guerra.

    As medições do pós-guerra indicam que áreas no enclave são mil vezes mais radioativas do que os níveis normais, e os casos de câncer e má formação começaram a surgir diariamente.

    “O número de pacientes com câncer tem aumentado significativamente. Israel usou urânio empobrecido, fósforo branco contra a cidade, que se tornou um campo de testes para essas armas proibidas”, disse o especialista ambiental Zekra Ajour.

    Um denominador comum entre pacientes com câncer é que eles vivem em áreas que foram fortemente bombardeadas.

    Atualmente, a maioria das armas da mais alta tecnologia contém urânio empobrecido e outros metais pesados.

    O resíduo de uma arma com urânio empobrecido pode ser espalhado pelo vento, infectando os residentes nas proximidades e contaminando a cadeia alimentar.

    De acordo com médicos especialistas e ambientalistas, a população e o meio ambiente da Faixa de Gaza sofreram graves conseqüências do uso de armas proibidas internacionalmente por Israel durante a guerra.

     

  • Polícia grega usa armas produzidas no Brasil contra manifestantes

    As armas (granadas lacrimogêneas, sprays de pimenta, munições de impacto ou granadas de efeito moral) que a polícia grega usou ontem (23 de fevereiro) para reprimir os manifestantes gregos durante a Greve Geral foram feitas no Brasil (veja foto em anexo). Suas armas também são usadas pelas “forças de paz” no Haiti. A empresa brasileira é do Rio de Janeiro e se chama “Condor”, e tem como slogan “Condor em defesa da vida” (sic).

    Greve Geral na Grécia, 23/02 - arma importada do Brasil

    Abaixo segue o texto de apresentação da “Condor” retirado do seu site oficial (www.condornaoletal.com.br). Vale à pena perder alguns minutinhos navegando neste site e perceber o modus operandi desta empresa e de seus clientes.

    Moésio Rebouças

    CONDOR, SOLUÇÕES NÃO-LETAIS PARA O SÉCULO XXI

    A Condor Tecnologias Não-Letais é líder e pioneira, na América Latina, na fabricação de Equipamentos Não-Letais e Pirotécnicos de alta tecnologia para situações de distúrbios, sinalização militar e salvatagem, ocupando lugar de destaque no ranking mundial.

    Situada no Rio de Janeiro, no município de Nova Iguaçu, tem sua fábrica instalada numa área total aproximada de 1 milhão de metros quadrados vizinha da reserva biológica do Tinguá com 26 mil hectares, que é a maior reserva de Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro. A Condor adota como política permanente a proteção da natureza, destinando 70% da sua área total para a preservação da floresta nativa, dos mananciais hídricos, da flora e da fauna, tornando o ambiente da fábrica uma ilha ecológica, em perfeita sintonia com o conceito “Não-Letal” de respeito à vida e à cidadania.

    Desde 1985, a empresa já desenvolveu e homologou mais de 100 produtos com grande aplicabilidade pelas Forças Armadas e pelas Forças de Paz das Nações Unidas em operações que requerem defesa passiva como solução.

    As munições não-letais têm também o seu uso consagrado pelas Forças Policiais no Controle de Distúrbios, em Operações Especiais, no Controle de Rebeliões e modernamente no Policiamento Ostensivo e Proteção ao Patrimônio, atestando a importância e eficácia dos Equipamentos não-letais.

    No curso de sua existência, a empresa acumulou experiência comercial no Brasil e no exterior, equipando Forças da Lei de diversos países e consolidando de forma definitiva seus produtos e a marca Condor.

    A empresa promove parcerias com fabricantes internacionais, detentores de reconhecida capacitação no ramo de defesa, para o desenvolvimento de novas tecnologias não-letais.

    Pioneira também na disseminação do conceito “Não-Letal” no Brasil, seus produtos têm servido como instrumento eficaz das autoridades constituídas para promoverem o cumprimento da Lei e a manutenção da Ordem Pública, através do uso escalonado da força, sem ferir os Direitos Humanos.

    Todos os produtos fabricados pela Condor são comercializados com exclusividade pela Welser-Itage Participações e Comércio S.A.

    Valores

    Acreditamos que a ética, a responsabilidade social, o respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos são a garantia da nossa credibilidade.

    Visão

    Ser líder mundial em soluções não-letais nos segmentos de segurança e defesa, primando pela inovação tecnológica.

  • Urgente: massacre e revolução na Líbia

    Urgente: massacre e revolução na Líbia

    Os relatos provenientes da Líbia são impressionantes. O regime de Gaddafi está perpetrando um massacre cruel sobre a insurreição da massa. Os mercenários recrutados pelo regime de Gaddafi (o equivalente aos ‘baltagi’ do regime de Mubarak), ao lado do exército regular e as forças de segurança, abriram fogo contra o povo líbio desarmado, ou, em alguns casos, armados apenas com armas de fogo muito leves. As forças repressivas do regime não apenas usam armas de fogo, mas também de artilharia, tanques, aviões e helicópteros de combate. Do ponto de vista militar, esta não pode ser considerada uma guerra. Aliás, esse é um massacre conduzido pelo regime de Gaddafi sob a supervisão das potências imperialistas da Europa e dos Estados Unidos que, como sempre, só se preocupam com petróleo e dinheiro, apenas para o lucro, e não os direitos humanos ou até mesmo vidas humanas.

    O governo Europeu e estadunidense estão mantendo um silêncio vergonhoso, que diz mais do que qualquer possível declaração. No fundo eles estão apoiando os assassinos, a ditadura, contra a rebelião em massa, como fizeram na Tunísia e no Egito, para em seguida mudar de lado quando o triunfo da revolução torna-se inevitável. E não há nenhum segredo nisto. Trata-se apenas de todo o petróleo e dinheiro que deve permanecer nas mãos de ditadores, e não dos povos. E, como aconteceu antes no Bahrein, Tunísia e Egito, a maioria das armas antidistúrbio e sua munição usada pelas forças do regime para assassinar e reprimir o povo, são provenientes de empresas européias e estadunidenses. Duas noites atrás, o filho do ditador líbio ameaçou as massas e ontem seus assassinos e mercenários passaram de ameaça à ação. A ditadura de Gaddafi na Líbia é um exemplo perfeito de um regime totalitário, como aquela sociedade opressiva descrita por George Orwell, em seu romance “1984”. Agora, o “Grande Irmão” tem travado uma verdadeira guerra contra o seu próprio povo, ou mais precisamente, guiando uma matança sangrenta contra os líbios em rebelião. Mais uma vez, estão apelando para o “fantasma” dos fundamentalistas. Esta não é uma luta entre os fundamentalistas e o regime; a luta está sendo travada entre as massas e a ditadura.

    Isto é simplesmente uma escandalosa manipulação da realidade; uma tentativa descarada de justificar não só a repressão do regime, mas também os seus crimes bárbaros, quando a verdade é que nada, absolutamente nada, pode justificar os crimes do regime de Gaddafi, como o uso de tanques e aviões de combate contra as massas desarmadas, contra as crianças e suas mães.

    Nós, os anarquistas e libertários, não devemos descartar a possibilidade de alguma força repressiva (islâmica ou não) se apropriar da revolução. Mas diante disso, não preferimos uma força de repressão não religiosa a uma religiosa. Optamos pela verdadeira liberdade das massas, por uma sociedade autogerida e organizada de forma livre e voluntária, de baixo para cima. Diante deste cenário, vemos que a única resposta apropriada é a ação direta popular desenvolvida pelas massas, e não para qualquer outro tipo de repressão brutal exercida por uma ditadura feroz.

    Aqui estão algumas notícias e comentários do blog de um companheiro anarquista líbio (apenas em árabe). O link para o blog é: http://saoudsalem.maktoobblog.com

    • Centenas de pessoas assassinadas na Líbia – Gaddafi, o açougueiro, escondido em sua fortaleza.
    • Testemunhas relataram o fato de que um verdadeiro massacre acontece na cidade de Benghazi, no leste da Líbia, onde dezenas de pessoas foram mortas e centenas feridas. E os hospitais da cidade estão sobrecarregados com pessoas feridas. Um advogado e ativista declarou à Al Jazeera que o número de pessoas assassinadas pelas forças de segurança em Benghazi pode aumentar para 200 e entre 800 e 900 feridos (escrito em 20 de fevereiro).
    • Gaddafi bombardeou os líbios… e os líbios estão  avançando para Trípoli.
    • Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, a mais importante depois da capital Trípoli – onde a primeira centelha da revolta ocorreu em fevereiro – está enfrentando um genocídio (escrito em 20 de fevereiro).
    • A família governante (ou seja, a família Gaddafi) na Líbia, perdeu a paciência e chamou os manifestantes de “bandidos”.
    • Parece que o abuso de poder por parte do regime e seu massacre contra os manifestantes saiu pela culatra, tanto que até mesmo muitos membros das forças armadas e da polícia se recusaram a disparar contra os manifestantes e se uniram a eles, forçando o regime de Gaddafi a recrutar mercenários de países pobres da África (escrito em 21 de fevereiro).

    Mazen Kamalmaz

    Anarquista sírio.

  • [Grécia] Exercícios militares de repressão de revoltas, no âmbito da OTAN e do exército europeu

    Novos casos de denúncias de soldados gregos puseram em evidência a decisão do governo grego, a OTAN e a UE de avançarem para a integração e participação das forças militares da Grécia em operações contra o “inimigo interno” e em especial na repressão de manifestações e em insurreições, consideradas por todos os estados como as modernas “ameaças desproporcionadas”.

    De acordo com as queixas dos soldados de vários batalhões da 71ª Brigada Aerotransportada “Pontos”, com sede em Nea Santa Kilkis, norte da Grécia, entre quinta-feira, 3 e 4 de fevereiro, foram realizados no norte da Grécia na cidade de Koromilá exercícios militares de repressão de manifestações sob a supervisão dos chefes civis e militares das Forças Armadas.

    As revelações da Rede Livre de Soldados de Espartaco sobre a formação da 71ª Brigada Aerotransportada, em táticas e métodos de repressão de manifestações, descontrolaram o comandante do Batalhão 596 de Argirúpolis. Insultando, ameaçando e aterrorizando os soldados, afirmou: “Somos uma força dirigida pela OTAN. Estamos a ser treinados para reprimir manifestações na Grécia, mas também noutros países. Amanhã podem nos enviar para o Egito para reprimir a revolta. Esse é o nosso papel”.

    A seguir a carta aberta dos soldados da 71ª Brigada Aerotransportada:

    Carta aberta de soldados da 71ª Brigada Aerotransportada

    Repudiamos qualquer participação em operações de repressão de manifestações. Basta de mentiras dos oficiais do Estado Maior e do Ministério da Defesa. A formação dos soldados da Brigada Aerotransportada 71 em Kilkis progride. Ser “boina vermelha” (como se tivéssemos sonhado com ela alguma vez) requer sacrifícios, correr e suar. Como se revelou, neste tipo de formação temos que  desempenhar o papel de manifestantes num simulacro de repressão de uma manifestação. Por isso pediram-nos para não fazer a barba.

    A publicidade sobre este assunto e as reclamações provocaram as primeiras reações. No quartel, na inspeção da manhã, o capitão informou os soldados da existência da denúncia, passando ao ataque e acusando os autores de falta de rigor e de divulgarem mentiras. Falou de covardia, exortando os soldados a expressarem-se imediatamente, na reunião dessa manhã. Em poucos segundos mostrou a sua verdadeira face, empregando ameaças de encarceramento e de tribunais militares.

    A nossa opinião é semelhante à do resto da população: é uma covardia esconder-se atrás dos galões e da hierarquia, separando a vida no quartel da do resto da sociedade, proibindo até a publicação das “arbitrariedades” que as sentenças judiciais permitiram a todos os uniformizados. Trata-se de resistência, de um direito e de uma obrigação nossa para com o povo grego, far-lhes conhecimento da conversão do exército numa guarda civil.

    Em seguida, disse-nos que estava apoiado e que não tinha medo de nada. Quanto mais ênfase punha no caso mais se notava que estava numa posição difícil.

    Como balanço, uma única carta foi suficiente para lhes causar um problema e pôr em causa a nossa participação nesta fantochada, a qual, entre outras coisas, é um insulto à nossa dignidade. Se quisermos protestar, sabemos onde, quando e por que fazê-lo. E isto nunca será um ensaio para um novo e sofisticado tipo de repressão. Em breve enfrentaremos o governo do PASOK – o tal que desmantela e privatizar a Saúde e a Educação, que suspende os direitos laborais e a segurança social, que nos deixa sem trabalho

    Mas o melhor ainda estava para vir com o discurso do comandante. Segundo ele, a Grécia pertence à UE, o exército grego faz parte do Exército Europeu e a partir da primavera é obrigado a ter dois esquadrões da repressão de manifestações! Esses esquadrões não se destinam a ser utilizados na Grécia, mas para “missões cujo propósito sejam processo de paz”, onde muitas vezes há a necessidade de intervir entre duas “facções em conflito”, como por exemplo, no Kosovo. Trata-se da revelação completa de todo o projeto! Onde estão, pois as imprecisões e mentiras de que nos acusam?

    São os oficiais e o comandante da 71ª Brigada Aerotransportada,o Estado-Maior Geral e o Ministro da Defesa Nacional, que enganam o nosso povo ao utilizarem mentiras propagandísticas.

    – Que facções em guerra separam agora a OTAN, no Afeganistão?

    – Desde quando a intervenção da OTAN no Kosovo, onde sérvios e albaneses lhes são hostis, é uma “missão de paz”?

    – A OTAN e o Exército Europeu não defendem os interesses dos armadores na Somália?

    Rejeitamos o termo “missão de paz”, já que nos pomos do lado de nosso povo, que rejeitou os “bombardeamentos humanitários” da OTAN contra o povo iugoslavo, cujo objetivo era o desmembramento do país e a imposição da soberania da OTAN, os Estados Unidos e a UE.

    Direta ou indiretamente a OTAN e a União Européia provocam guerras e conflitos entre civis, formando uma série de novos países com novas correlações políticas, sociais e econômicas, a serviço de interesses específicos. Os governos dos países da UE, a administração Bush e a OTAN, armaram, instruíram e incitaram o chamado Exército  de “libertação” do Kosovo (UCK), os mesmo a que hoje acusam de contrabando de armas, de drogas, de mulheres e de crimes contra a humanidade.

    A OTAN e o Exército Europeu são forças de ocupação, sob o título de “missão de paz” garantem é a estabilidade das novas correlações e dos novos interesses.

    Acabemos já com estas histórias.

    No Kosovo, Afeganistão, Somália e noutros países, a Grécia não exporta paz, é somente ocupação. É o destino destas missões, descaradamente classistas, que exigem uma nova forma, mais policial.

    Com o Tratado de Lisboa, a OTAN foi nomeada a garantia da Nova Ordem Mundial, mantendo o direito de interferir nos assuntos internos dos países para reprimir as revoltas sociais causadas pela crise financeira. Porque o seu inimigo não é só o que os militares enfrentam ou os “terroristas”, mas qualquer força social que ameaça o status existente.

    Contra os manifestantes é necessário mais do que metralhadoras e banhos de sangue, que podem provocar a opinião pública. No início fazem falta produtos químicos, balas de borracha e cassetetes em número maior ao que a polícia normalmente utiliza. Se a intensidade das explosões sociais o justificar virão os tanques.

    As novas doutrinas militares da OTAN e do exército europeu são o que nos preocupa. Para elas o Inimigo, em última instância é o que põe em perigo o sistema. Uma parte dos funcionários do governo e o próprio primeiro ministro elevaram a “ameaça nacional”, una série de questões como os imigrantes, as greves indeterminadas e as manifestações massivas.

    Por que é que deveríamos estar seguros de que os treinos para a repressão das manifestações no âmbito da OTAN e do exército europeu servirão apenas para a Brigada dos Bálcãs no estrangeiro? (Não que isso nos vá tranqüilizar).

    Não deveríamos aprender com a experiência mundial, onde as tropas imperialistas treinadas dos EUA, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, retornando aos seus países, têm assumido o papel de repressão contra o inimigo interno e de consolidação do ambiente de segurança do regime da autoridade burguesa.

    É claro que o poder se está a preparar ao introduzir o Exército, ainda que indiretamente e num ambiente intimidatório, na “operação” repressão. Já o provaram na Grécia, em dezembro de 2008, tal como na grande greve geral de 5 de maio de 2010.

    Examinando, no entanto, os exemplos mais recentes de países africanos, é óbvio que, se o povo quiser, nem o exército os poderá controlar.

    Rede de Soldados Livres Spartacos

    Mais infos:

    › http://diktiospartakos.blogspot.com

    Veja os exercícios no seguinte vídeo:

    › http://www.youtube.com/watch?v=SlF-URQfuoA&feature=player_embedded

    Tradução > Liberdade à Solta