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  • [Grécia] Ações solidárias antes do julgamento do anarquista Aris Seirinidis

    [Grécia] Ações solidárias antes do julgamento do anarquista Aris Seirinidis

    [Ontem, 7 de junho, aconteceu uma série de ações em toda a Grécia em solidariedade com o anarquista Aris Serinidis. O julgamento de Aris teve início nesta quarta-feira (8), mas foi transferido para a próxima sexta-feira (10).]

    Em Atenas, o Conselho de Estado foi bloqueado por anarquistas na manhã de ontem. Em Tessalônica, uma estação de rádio local (FM100) foi ocupada e lidos textos solidários no ar. Também em Tessalônica, Ioannina e Xanthi, anarquistas estabeleceram sistemas de megafones e distribuição de textos em solidariedade com Aris em praças públicas.

    Hoje, à tarde, aconteceu um “moto rali” de solidariedade em Atenas com mais de 100 motoclicletas. Gritando palavras de ordem e jogando folhetos os manifestantes percorreram várias ruas do centro de Atenas. Kanellos, o cachorro de rua “anarquista”, também participou do protesto.

    Fotos do “moto rali”:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1302072

    Caso Aris Seirinidis

    Aris Seirinidis foi preso em 3 de maio de 2010 em uma batida aleatória da polícia em Atenas e acusado, em princípio, de “posse de armas” e “resistência à autoridade”. Logo após a mídia e a polícia lançaram uma campanha de desinformação insinuando que Aris e outro anarquista realizaram um “roubo sangrento” num grande supermercado. No dia seguinte, as mesmas autoridades rejeitaram essa versão, e em 7 de maio foi decidido colocar Aris em liberdade sob fiança com acusações. No entanto, os policiais não contentes com esta decisão, imediatamente antes que o companheiro tivesse sido liberado para a rua emitiram um novo mandado de detenção. Desta vez Aris estava sendo acusado de atirar em policiais. Trata-se de um caso raro, uma daquelas histórias que se transformam em “lendas urbanas”: no início de julho de 2009 pela tarde, uma pessoa vestida de shorts, chinelos e… chapéu mexicano, coberto com uma máscara de médico saiu na rua Harilau Trikoupi, em Exarchia, e fez alguns disparos contra uma unidade da polícia que vigiava a sede do Pasok (Partido Socialista Grego). O caso chamado pela mídia de “um louco com chapéu” tornou-se um embaraço para a polícia. A única prova que encontraram foi a dita máscara de médico e declaram que seus testes de DNA batia com o material genético encontrado na carteira de Aris. Existem muitas contradições neste caso, até as declarações do chefe da polícia da unidade de controle antimotim não coincide com as características físicas de Aris.

  • Foi dada a sentença no “caso dos anarquistas bielorrussos”: até oito anos de regime a mais por acusações inconsistentes

    Foi dada a sentença no “caso dos anarquistas bielorrussos”: até oito anos de regime a mais por acusações inconsistentes

    Em 27 de maio, no tribunal da região Zavodsky de Minsk, o juiz Zhanna Jvoynitskaya determinou a sentença no caso dos anarquistas bielorrussos Igor Olinevich, Nikolay Dedok, Alexandr Frantskevich, Maxim Vetkin e Evgueny Silivonchik. Esses jovens foram acusados ​​de realizar uma série de ações diretas, entre as quais o ataque à Embaixada da Federação Russa em Minsk, em agosto de 2010. Foram acusados segundo o artigo sobre “vandalismo premeditado” (parte II, artigo 339 do Código Penal da Bielorrússia) e “destruição premeditada e danos à propriedade privada” (parte II, artigo 218). Frantskevich também foi acusado de “sabotagem em informática”, “acesso ilegal a informações por computador” e “desenvolvimento, uso e disseminação de programas nocivos (parte II, art.349, parte II, art. 351, 354 do Código Penal). O tribunal considerou-os culpados na maioria das acusações.

    Igor Olinevich foi condenado a oito anos de prisão em uma penitenciária de segurança máxima (o advogado pedia nove anos).

    Nikolay Dedok foi condenado a quatro anos e meio de prisão em uma penitenciária de segurança máxima (o advogado pedia seis anos).

    Alexandr Frantskevich foi condenado a três anos de prisão em uma penitenciária de segurança máxima (o advogado pedia cinco anos).

    Maxim Vetkin foi condenado a quatro anos de liberdade restrita e foi enviado para uma instituição correcional aberta (precisamente a condenação requerida pelo advogado). Até o momento de ser enviado às autoridades prisionais, foi deixado em liberdade condicional (antes Vetkin esteve detido).

    Evgueny Silivonchik foi condenado a um ano e meio de liberdade limitada e enviado para uma instituição correcional aberta (o advogado pedia três anos).

    Os acusados deverão pagar uma multa de 100 milhões de rublos bielorrussos (algo como 20 mil dólares) por danos a um automóvel da embaixada russa.

    Olinevich, Dedok e Frantskevich negam sua culpa nos fatos ocorridos. Vetkin e Silovonchik, ao contrário, se declararam culpados e testemunharam contra os outros acusados.

    Valentina Olinevich, mãe de Igor, declarou depois que foi dado o parecer do tribunal: “se antes prendiam os filhos dos outros, acreditávamos que não era nosso problema. Mas hoje prendem nossos filhos, amanhã serão os filhos de mais alguém. Todos devem estar atentos! Não deixemos que isto continue acontecendo!”. Também chamou a atenção para o papel infame que a Rússia tem desempenhado no destino de Igor: “A Rússia tem permitido que em seu território seqüestrem as pessoas. Isto é uma violação infame dos direitos humanos, que tem acontecido com o consentimento das autoridades do país”. Lembremos que em 28 de junho Igor Olinevich foi seqüestrado em Moscou pelos agentes das forças especiais e levado ilegalmente para a prisão da KGB em Minsk.

    Alexandr Dedok, pai de Nikolay e advogado de muitos anos de experiência, muitos deles até mesmo como um juiz, disse à imprensa: “Durante o julgamento, foram cometidas diversas violações de procedimento legal. Se destaca, em primeiro lugar, a inconsistência das acusações. Esta sentença é injusta e ilegal. Um tribunal legal e imparcial não os teria condenado”. Alexandr Dedok traçou um paralelo entre este processo e o processo dos “fatos em 19 de dezembro”, quando os participantes foram acusados ​​de um protesto contra a adulteração das eleições presidenciais.

    A Cruz Negra Anarquista da Bielorrússia declarou que as sentenças têm motivações políticas e que as acusações são inconsistentes. Além disso, todas as ações e participações fictícias as quais foram julgadas essas cinco pessoas não têm caráter violento, porque, como resultado delas, nenhuma pessoa foi atacada ou sofreu ferimentos. A maioria desses “ataques” contra diferentes objetos tinham um caráter simbólico, e os danos sofridos foram insignificantes.

    Você pode visualizar a transmissão da sala de acusações e obter informações mais detalhadas dos últimos dias do processo na página: belarus.indymedia.org

    “Не признающие законов” é um documentário sobre o processo dos anarquistas da Bielorrússia. Veja aqui: http://rutube.ru/tracks/4469719.html

    Cruz Negra Anarquista da Bielorrúsia

  • [Espanha] “É preciso ter fé na humanidade, no natural, para aspirar que essa mudança de estrutura seja possível”

    [Entrevista a Jesús Lizano (Lizanote da Acracia), sobre seu livro: “Olá Companheiros! (Manifesto Anarquista)”.]

    Antonio Orihuela > Jesús, você acaba de publicar um manifesto anarquista. O que há de novo em relação ao seu modo de pensar que nos oferece este livro?

    Jesús Lizano < Mais que novidade, o culminar do meu pensamento, ou seja, uma fusão definitiva entre o poético e o libertário, que, na verdade, vem desde o início da aventura que vivo, claramente refletida nos meus poemas, e muitos fragmentos de meus “diários”, “cartas”, “artigos”… Culminação, sem dúvida, essa fusão a que deve aspirar a nossa espécie, a qual só o pensamento anarquista se fundiu com a poética, com a inocência do natural, isso sim, superando sua inevitável fusão com a política, pode levar-nos. Surpreenderá a muitos ver como é compreendido e aceito o ideal libertário, uma vez que se pode dar essa fusão. E este livro traz a visão que eu tenho mostrado de poema a poema, pensamento a pensamento, sofrimento a sofrimento, e compreensão a compreensão… Embora, na verdade, há muito tempo que, sem sabê-lo, já era libertário… Basta recordar o título de um de meus livros em edição de autor: “O meu mundo não é deste reino”…

    Antonio > Como você se sente em seus oitenta anos: salvo, perdido…?

    Jesús < O artista não vive para ele, se não para sua obra, e seu trabalho não é para ele, se não para os demais. Eu não me sinto, portanto, nem uma coisa nem outra… A pergunta que me faço é: o que será de Lizania? Até que ponto será reconhecida e compreendida… Embora a solidão sempre tenha sido minha companheira, a solidão “heróica”, como definiu o poeta Carlos Murciano em seu artigo falando sobre o meu livro “Heróis”… Vendo Lizania no contexto do “político-social” é entendido muito bem se você conhece a minha atitude de confronto com o poder literário (ver meu “Cartas”, ao mesmo tempo…)

    Antonio > O que precisamos para conquistar a inocência?

    Jesús < Não se trata de conseguir a inocência, mas a inocência nos conquistar, o que só é possível aproximando-nos do natural, vendo-nos como um fragmento da natureza, e não como a estrutura “dominante-dominado” que nos determina.

    Antonio > É a cultura uma arma do poder?

    Jesús < É inevitável que a cultura, tudo o que ela implica, está nas mãos do poder, dos dominantes. Para eles é uma arma fundamental com a qual eles podem nos manipular, nos mentalizar, usar-nos, e se conveniente nos sacrificar, juntamente com outros poderes, de modo que o que deveria ser a chave para a rejeição de todo poder é convertida em sua principal arma.

    Antonio > Que bússola, direção, a humanidade precisa, Jesús, para se encontrar?

    Jesús < Como em um século e meio atrás, no primeiro Manifesto Anarquista encontrou: a rejeição de todo o poder, da política, que é a luta pelo poder…, superando a estrutura dominante-dominado, a qual ainda estamos determinados, e começando a nos organizar em comunidades humanas, não, claro, políticas, religiosas ou familiares… É preciso nos organizar, mas não que uns poucos nos organizem, mentalizem e manipulem, e se convier nos sacrifiquem.

    Antonio > Por que nos custa tanto trabalho nos reconhecer como mamíferos?

    Jesús < Muito simples: porque durante séculos os dominantes vem nos mentalizando e enlouquecendo, mentalizados e enlouquecidos que são, impedindo de ver o natural, submetendo nossas vidas a essas idéias malucas, em conseqüência de todo o domínio que impede o livre processo de nossa mente ao natural, a sua conquista, o que impede vermos a todos companheiros, ver o denominador comum que nos une para além dos incontáveis números ​​diferentes que confundem-nos, e enfrentar a nossa complexidade; ver, finalmente, a ajuda mútua como a única “lei”, a única “moral”, a única “verdade”… Ver o que, francamente, somos: mamíferos…

    Antonio > Está longe o Mundo Real Poético?

    Jesús < A poesia do mundo real está aqui, no natural, na sua beleza, na sua inocência, na fusão da unidade e do diverso. Somente nossa loucura nos impede de apreciá-lo, entre as luzes e as sombras naturais, perdidas no poço político. E, claro, é preciso ter fé na humanidade, no natural, para aspirar que essa mudança de estrutura seja possível… enfim: leia Lizania, aventura poética e libertária.

    Para baixar o livro em PDF: http://www.lizania.net/

    Fonte: Periódico “CNT” – junho de 2011

  • [Grécia] “Como pai estou orgulhoso do meu filho e sua postura”

    Algumas semanas atrás, o pai do anarquista Giannis Skouloudis (preso após queimar veículos utilitários da empresa elétrica DEI em 13 de outubro de 2010, em Tessalônica) divulgou uma carta. Ainda que tardiamente, a divulgamos com prazer, porque raras vezes os pais vão além da defesa puramente emocional de seus filhos e filhas e se mostram verdadeiramente solidários com eles e elas.

    Carta do pai do anarquista Giannis Skouloudis

    “(O “terrorismo” como um ato de inocência…) Desde quando meninos de 20 anos são chamados de terroristas? Quando você tinha 2 anos foi batizado cristão e aos 22 te batizaram de terrorista, estavam te elogiando porque você já leu mais livros do que aqueles que foram forçados a ler na escola e agora usam isso como prova contra você, te colocam um avental branco nos desfiles e agora te vestem com um chaleco branco à prova de balas quando te levam ao tribunal…” As reflexões são vossas…

    Passou 7 meses desde o dia em que prenderam meu filho Giannis Skouloudis por atear fogo a um carro da DEI. O fato de que ele assumiu a responsabilidade por essa ação resultou em sua prisão, na “instituição penitenciária de menores em Avlona” como vocês, o Estado, chamam a estes modernos lugares de punição para as almas humanas.

    Vendo como a guerra se intensifica ao longo deste período senti a necessidade de saudar, querendo dar força e coragem, a todos àqueles que estiveram ao seu lado, todos aqueles que resistem, lutam e continuam lutando dentro e fora dos muros contra este sistema podre que nos fazem escravos. Contrariamente ao “curvar-se, lamber e pegar o que puder”. Ao contrário do “ser correto e decente”, contra a história de “ficar com” e contra o modo de vida moderno que, como seu ideal supremo, promove a paz, a ordem e a segurança.

    Pela minha parte, como pai estou orgulhoso do meu filho e sua postura, mas também de todos os outros meninos que lutam pela liberdade de pensamento e do indivíduo.

    E algumas palavras para os pais: nós trouxemos ao mundo os nossos filhos, temos os criado, e chegou o momento de deixá-los para que nos conduzam para o futuro. Não devemos tentar mantê-los amarrados ao passado. Temos que estar ao seu lado nas barricadas e agora temos que aprender com eles.

    Eu envio a minha solidariedade a todos os presos políticos, mas também aqueles que estão fora dos muros e seguem lutando, aos que escolheram o difícil caminho para a liberdade total.

    Giorgos Skouloudis

    Quinta-feira, 05 de maio de 2011

  • [Espanha] Manifestação da CNT contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais

    [Espanha] Manifestação da CNT contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais

    Milhares de militantes vindos de todas as partes do país se reuniram nesta manhã (4 de junho) no bairro madrilenho de Vallecas para denunciar a política de cortes de direitos trabalhistas e sociais que, num ritmo frenético está impondo o governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol); cortes que estão desmontando os últimos pilares de um estado de bem-estar já bastante atrofiado e incapaz de atender as necessidades humanas básicas.

    No final da manifestação no parque Azorin, se deu lugar ao comício durante o qual, Pablo Agustin, secretário de Ação Sindical do Secretário Permanente, Luis Fuentes, ex-Secretário-Geral e Antonio Baena, secretário de Ação Sindical da Regional da Andaluzia.

    Entre outras questões, como a crise, o apoio ao movimento do 15-M, ou a necessidade de ampliar a contestação nas empresas, uma das mais denunciadas foi a reforma da negociação coletiva, que, na opinião da CNT e, apesar da promulgação da ruptura, seus protagonistas já tinham acordado anteriormente em 90%. Agora o texto será aprovado pelo Decreto do Governo e, igual maneira, deixa claro que a reforma não será equilibrada e modificará a estrutura de negociação coletiva para favorecer os interesses empresariais, facilitando a redução salarial e a perda do poder aquisitivo, ampliará a desregulamentação e a flexibilidade do trabalho nas empresas, perderão direitos adquiridos nos acordos, serão criados novos modelos de contratos lixo para os jovens e se darão as Mutuas Patronais competências nas enfermidades comuns e se ampliará o controle e a pressão contra os trabalhadores que adoecerem.

    Em suma, e sob a égide da reforma da negociação coletiva, será levado a cabo uma Reforma Trabalhista muito mais profunda e prejudicial aos interesses dos trabalhadores que a já realizada em 2010 e irá, assim, juntar-se a vergonhosa ASE (Acordo Social e Econômica), assinada em fevereiro pelos sindicatos CCOO (Comissões Obreiras), UGT (União Geral dos Trabalhadores), a Patronal e o Governo, e onde se contemplava os cortes nos benefícios.

    Contra isso, os trabalhadores e trabalhadoras organizados na CNT se rebelaram e decidiram romper de uma vez com as dinâmicas do medo, o desânimo, a divisão e o cada um por si, para começar a tomar as ruas para dizer basta, como já estão fazendo milhares de trabalhadores e trabalhadoras em outras partes do mundo.

    Esse processo de mobilização, para ter uma capacidade real de enfrentar o ataque à classe trabalhadora, terá que ser construído a partir de diferentes organizações e movimentos sociais desde a rejeição do Pacto Social e numa perspectiva anticapitalista. A CNT realizou um chamamento para começar a trabalhar nesse sentido.

    O 4 de junho é apenas um primeiro passo, em que foi incentivado a participação dos trabalhadores e trabalhadoras em todas as esferas da vida, que compartilham esta necessidade de se organizar e lutar.

    Federação Local de Sindicatos de Madri

    Domingo, 5 de junho de 2011

  • [Egito] Nasce o Movimento Socialista Libertário

    Comunicado:

    Nós, socialistas libertários, lutamos por uma sociedade socialista sem classes, uma sociedade antiautoritária livre do aparato repressivo do Estado e do capital. Somos contra a introdução do capitalismo de Estado, como aos regimes opressivos que existiram nos países “socialistas”. Rejeitamos e nos opomos ao sistema capitalista.

    Acreditamos que a classe trabalhadora é capaz de liderar uma grande coalizão construída com um esforço determinado a derrotar tanto o poder capitalista como o Estado repressivo.

    Nossos objetivos imediatos são:

    1.- Descentralização administrativa sem governadores ou prefeitos, gerida por conselhos locais de bairro e região; o direito de controle popular com os delegados eleitos, revogável do conselhos locais e comitês cidadãos.

    2.- A conversão de todas as empresas de serviços e instalações de produção em cooperativas autogeridas pelos seus membros em uma sociedade democrática, descentralizada com a ajuda da liberdade e da independência das administrações estaduais.

    3.- O cancelamento dos impostos que são dados aos investidores e aplicação de taxas progressivas para apoiar as cooperativas de serviços que incluem setores como educação, saúde e outros.

    4.- Pluralismo sindical, liberdade de associação nas fábricas e locais de trabalho e a criação de sindicatos para funcionários públicos e estabelecimentos militares para apoiar a participação de todos os trabalhadores na gestão de seus locais de trabalho, autogestão de fábricas e empresas que foram privatizadas entre a injustiça e corrupção durante a era Mubarak.

    5.- Confiscação de todo o dinheiro de origem ilícita e distribuição entre as cooperativas.

    6.- Uma constituição que garanta todas as formas de liberdade humana, incluindo a liberdade de associação, religião e pensamento; criação de uma república parlamentar, com governo descentralizado, sob controle popular permanente das administrações locais e comitês de cidadãos para tomar o lugar de governo e da Presidente do Estado; direito aos delegados de atuar em mandatos populares para propor novas leis e referendos.

    7.- A criação de uma sociedade socialista, não dependente de um ato de autoridades liberais, e sim da vontade de cooperativas sem uma autoridade centralizada, para que a sociedade sem classes possa ser auto-organizada através de comitês populares e comitês locais, contra a autoridade de um Estado central e repressivo.

    Movimento Socialista Libertário

    E-mail: lsm.egypt@ gmail.com

    Blog: http://anarchisminarabic.blogspot.com/2011/05/blog-post_24.html

  • [Chile] Informação atualizada sobre o que acontece com Luciano Pitronello

    Comunicado:

    Luciano Pitronello [conhecido também como Tortuga, Tartaruga] foi transferido no dia de ontem (2), com risco de vida, desde a Posta Central até a Clínica Indisa, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), que é mantida sob constante vigilância da polícia. Luciano recebeu o apoio de algumas pessoas que vieram para o hospital antes dele ser transferido, gritando algumas palavras de ordem e mantendo o clima de tensão devido à presença da polícia.

    Tortuga ainda permanece em coma induzido e a sua família pediu expressamente que não se entregue nenhum tipo de informação à imprensa.

    A informação do seu estado de saúde é reservada, a clínica é proibida de falar sobre o assunto. Sabemos que, para além da amputação das mãos, ele teria realizado um exame de córneas, que respondeu de forma positiva e com indícios que possa não existir perda total da visão. Além das queimaduras em seu corpo e rosto, tem queimaduras graves nos pulmões devido à inalação de ar quente, comprometendo as vias respiratórias.

    A noite do dia de ontem foi encontrada a motocicleta em que Luciano alegadamente chegou à cena da ação com outra pessoa para executar o ataque. Esta foi transferida pelo GOPE (Grupo de Operações Policiais Especiais), e está sendo periciada.

    Enquanto tentam vinculá-lo com os companheiros e companheiras implicados no “Caso Bombas”, notamos o desespero do governo para tentar tirar o máximo de proveito do episódio. A imprensa, como sempre, tem sido responsável pela publicação de notícias com o fim de preparar o terreno para a repressão. Tortuga é uma pessoa de idéias e convicções, e não um link de uma suposta associação.

    Solidariedade com o companheiro Luciano.

    Força!

  • [Grécia] Políticos são atacados por manifestantes e fogem de barco na ilha de Corfu

    Na noite de quarta-feira (01 de junho), por volta das 22h30, centenas de “indignados”, na ilha de Corfu, se reuniram em torno de um restaurante chamado Velha Fortaleza, onde estava acontecendo um jantar para os eurodeputados que participam em questões de imigração e refugiados na Europa.

    Entre os eurodeputados presentes no jantar estava a ministra do Trabalho, Anna Dalara, Ntinos Vrettos, deputado do Pasok (Partido Socialista Grego), Angela Gerekou e Nikos Dendias, que é também vice-presidente do Conselho de Refugiados, entre outras autoridades.

    Os manifestantes bloquearam a saída do restaurante, evitando que os políticos pudessem sair e começaram a gritar slogans como “ladrões” e “traidores”, entre outros. Como resultado, foi enviado uma embarcação para a ministra, os eurodeputados e autoridades, para que pudessem deixar a ilha sem grandes transtornos.

    O porta-voz do governo sob ataque

    O porta-voz do governo grego Yiorgos Petalotis foi atacado e vaiado pelos cidadãos do bairro de Argyroupolis, em Atenas, onde participava de um ato do partido no poder, o Pasok. Mais de 50 pessoas o estavam esperando na porta, e, quando ele chegou, começou o ataque verbal e o lançamento de ovos, iogurtes e pedras. A multidão foi repelida pela polícia.

    Este tipo de incidentes está crescendo na Grécia desde que o país entrou em recessão. O episódio mais grave até agora foi o espancamento do ex-ministro grego dos transportes Kostis Hatzidakis, quando este saia do Parlamento, em 15 de dezembro passado.

    O vice-primeiro-ministro grego Theodoros Pangalos foi atacado por manifestantes várias vezes nos últimos meses.

    Em setembro passado, o radiologista de 60 anos, Prapavesis Stergios, jogou um sapato contra o primeiro-ministro grego George Papandreou, quando ele deixava um evento internacional em Tessalônica.

    O ministro da Saúde, Andreas Loverdos, foi forçado a deixar a apresentação do seu livro no início de março, após um grupo de cidadãos entrar na livraria em que estava acontecendo o evento e começar a insultá-lo. O deputado da oposição, da Nova Democracia, Aris Spiliotopoulos, também estava presente e teve de deixar o local entre vaias e insultos.

    Os ataques contra funcionários do governo grego no último ano e meio já totalizam mais de 90.

    Vídeos:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1299218

  • [Chile] Ataque incendiário contra caminhão florestal em Temuco

    [Chile] Ataque incendiário contra caminhão florestal em Temuco

    [No lugar da ofensiva foram encontrados panfletos em solidariedade com os quatro indígenas mapuches que estão em greve de fome há mais de 75 dias na prisão de Angol, a 600 quilômetros de Santiago. O estado de saúde deles piorou bastante nos últimos dias. Dois deles foram levados a um hospital na cidade de Victoria, no sul chileno. “Eles estão estáveis, mas apresentam uma perda de peso importante e outros problemas associados à greve de fome, como hipotermia, o que requer monitoramento e exames permanentes”, segundo boletim médico. Os quatro mapuches em greve de fome foram condenados por um tribunal a penas de entre 20 e 25 anos, por atacar há três anos um promotor na zona de Araucanía, que os mapuches reivindicam para si. A seguir nota que circulou entre as agências de notícias internacionais.]

    O incidente ocorreu por volta das 00h30 de quarta-feira, 1 de junho, quando um grupo de encapuzados atacou e queimou um caminhão que prestava serviço a Florestal Mininco no km 10 da estrada entre Labranza com Temuco.

    Os encapuzados atacaram o caminhão carregado de toras de madeira, intimidando o motorista com um disparo no ar e em seguida retirando-o do veículo.

    Depois queimaram o caminhão e gritaram slogans Mapuche, deixando para trás alguns panfletos alusivos à libertação dos prisioneiros de Angol assinado por “Órgão de Resistência da Coordenadoria Arauco-Malleco.”

    No lugar do ocorrido, pessoal da Labocar de carabineiros realizou trabalhos de pericias e o fato já está sendo investigado pelo Ministério Público.

  • [Espanha] Entrevista a Abdennur Prado, autor de “Anarquismo e Islã”

    Durante anos, Abdennur Prado trabalhou e refletiu sobre o Islã, que não se costuma falar ou conhecer. Nesta ocasião, reflete sobre anarquismo e islamismo. Presidente da Junta Islâmica Catalã, diretor do Congresso Internacional sobre Feminismo Islâmico e editor do Webislam, Abdennur tem escrito livros e artigos sobre o feminismo, os direitos civis, a perseguição de minorias… Em seu último livro – O Islã e o Anarquismo místico (Vírus editorial) – Abdennur oferece uma perspectiva diferente do que observar da realidade e trabalhar com ela: oposições falsas geradas e mantidas pelo poder (amigos/inimigos, próprio/estrangeiro, o ocidental/o islâmico, etc.) oferecem uma visão de conflito e, portanto, não fechada.

    Diagonal > O livro relaciona termos como “entrega”, “servo”, “submissão”, com “ajuda mútua”, “resistência”, “coletivismo”, “oposição às estruturas de poder”, etc. Como você captura a relação entre o Islã, o anarquismo, e o misticismo?

    Abdennur Prado < A relação entre o Islã, o místico e o anarquismo vem a mim naturalmente, é algo que eu compartilho com muitos muçulmanos. Ao afirmar que o Islã é uma relação direta entre Deus e cada uma das criaturas, estamos propondo uma forma mística, que ignora qualquer mediação instituída. Para acessar o “poder matriz” que move o universo não precisamos de igrejas, conselhos ou sacerdotes… Não aceitamos que nenhum poder humano que seja, nenhum conhecimento humano, nenhuma lei humana… Podemos aceitá-las por necessidade, mas sabendo que estas são meras convenções. Eu me entrego a Deus e nessa entrega me liberto, na medida em que a faço na minha própria capacidade e compreensão. Esse é o radicalismo ao qual o Islã nos convida: assumir a liberdade do homem do deserto. E conviver com o resto das criaturas desde essa entrega, a partir da consciência, da liberdade. Não falo de grandes teorias, mas uma expressão diária.

    Diagonal > De acordo com a crítica de Bakunin à religião, diz que é uma crítica de sua ordem hierárquica, de inspiração eminentemente cristã. Você não vê essa relação entre religião e Estado nos países de maioria religiosa muçulmana?

    Abdennur < Claro que há! O conluio de religiosos com o poder mundial é um arquétipo universal, do qual não escapa qualquer tradição. Nem mesmo o Islã que, em teoria, surgiu para lidar com essa trama… Conselhos Ulemás, os clérigos a serviço com o poder, e suas conseqüências: a violência religiosa, sexismo, o patriarcado, a homofobia, a discriminação das minorias… Tudo isso acontece hoje em nome do Islã. O Islã foi gradualmente transformado em uma religião ao serviço do poder. Portanto, considero como urgente voltar ao básico, realizando a experiência da revelação, aqui e agora, e recuperar a natureza anarquista e libertária do Islã. E, principalmente, do discurso de igualdade social e da luta contra a opressão, que está na sua origem. Por isso, creio que é muito saudável para o Islã contemporâneo a crítica atéia à religião. Apesar de nada servir o materialismo grosseiro que reduz o ser humano a um consumidor-produtor, e que hoje é o melhor aliado da globalização corporativa.

    Diagonal > O capítulo “A revelação como revolução” considera que a revelação é uma revolução individual e coletiva. Esta tensão entre o individual e o coletivo que há no anarquismo, também está presente no islamismo?

    Abdennur < Antes do ovo e da galinha, há Deus. Ou seja, a “realidade” é uma, mas a nossa percepção linear e fragmentada não consegue captar todos os processos. Estamos separados por nosso ego limitado, por nosso egoísmo, e não somos capazes de nos reconhecermos no outro. Por isso, precisamos da revelação: entrar em comunicação com a “realidade” diretamente. Nesse sentido, a revelação é a única força capaz de romper com o nosso solipsismo das criaturas, e tornar-nos disponíveis uns para outros. A tensão entre o indivíduo e a coletividade se resolve na comunidade, como espaço em que cada um ocupa o seu lugar naturalmente. Isso é a prova de que temos realmente deixado o nosso egoísmo, sem renunciar àquilo que somos. Por isso é tão importante opor a idéia de comunidade à idéia do Estado, ou de macro estruturas de poder, em que somos engolidos pela massa.

    Diagonal > Para além do interesse e desejo de discutir que desperta sua leitura, o que você pensa que o Islã como anarquismo místico pode trazer ao debate sobre as lutas antiautoritárias?

    Abdennur < Seria pretensioso para eu destacar algo… Em qualquer caso, a partir de uma perspectiva libertária, há sempre um prazer em dinamitar tópicos, em explodir em pedaços barreiras mentais herdadas, e trazer novas possibilidades. De minha parte, tenho cada vez mais claro que o que distingue os seres humanos não é se consideram crentes ou descrentes, nem os rótulos que nos “identificam”. Tenho claro que diferentes anarquistas são mais dignos representantes dos valores do Islã que muitos supostos muçulmanos. E eu vi uma verdadeira consciência libertária em comunidades muçulmanas sem sequer saberem que eram anarquistas…

    Diagonal > Qual é o estado de saúde do movimento feminista islâmico? Que tarefas desempenha como co-diretor do Congresso Internacional de Feminismo Islâmico?

    Abdennur < O feminismo islâmico é uma realidade emergente. Agora ele funciona de várias formas: re-leitura do Alcorão, com uma perspectiva de gênero, sensibilização e divulgação para as bases, a reforma dos códigos de família patriarcal, o reforço das redes transnacionais, a colaboração entre crentes e descrentes feministas, e assim por diante. Esta é uma tarefa gigantesca, impossível de resumir aqui. Como co-diretor do Congresso, me limito a atuar como um facilitador. Não tentamos apresentar o feminismo islâmico como um movimento monolítico, nem confirmar o nosso ponto de vista anterior, mediante a seleção de oradores, mas para reunir diferentes perspectivas e contextos.

    Diagonal > O que diz o Alcorão sobre a homossexualidade?

    Abdennur < Apesar do que se pretende, insisto que o Alcorão não diz nada sobre a homossexualidade… É verdade que, tradicionalmente, têm-se interpretado as passagens sobre o povo de Lot como uma condenação da homossexualidade, mas isso não resiste à mais mínima análise. Primeiro, porque o Alcorão não menciona o amor entre dois homens, mas a promiscuidade desenfreada e ao estupro. Há alguns que confundem um com o outro, mas isso só mostra até que ponto os preconceitos herdados se projetam sobre a leitura do Alcorão. Por outro lado, existem alguns versículos que sugerem uma aceitação da homossexualidade.

    Atração e raiva

    “Webislam é um exemplo de muitas das coisas que eu tentei mostrar neste livro. Esta não é uma militância anarquista, mas uma comunidade interpretativa, baseada na fraternidade e ajuda mútua em que não há hierarquias artificiais. Desta plataforma, fomos capazes de desenvolver um discurso islâmico contemporâneo, crítico e criativo, tanto sobre o poder constituído como com as estruturas religiosas conservadoras. Daí a atração e raiva que gera… Webislam é o marco no qual desenvolvo a minha visão do Islã como o anarquismo místico”.

    Fonte: Diagonal