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  • [Bélgica] Bruxelas: câmera escondida encontrada na casa de dois anarquistas

    [Bélgica] Bruxelas: câmera escondida encontrada na casa de dois anarquistas

    Comunicado:

    Encontramos um dispositivo de vigilância de vídeo escondido no apartamento. Limitaremo-nos por agora a dar alguns detalhes técnicos, adicionando fotos.

    O dispositivo estava atrás de uma pequena abertura de ventilação no papel de parede na nossa cozinha. A câmera “S/W” estava por trás da grade, conectado a uma bateria bastante grande, a partir de 3 tubos de 4 x 14,4 V. A bateria estava atrás da palheta, todos ligados por cabos. Entre a bateria e o resto do equipamento havia o que se acredita ser um interruptor que pode ser operado remotamente. A câmera foi conectada a uma caixa preta, que serve como um “codificador”. Este codificador, por exemplo, “Bloquear Micro” (Ovações Sistemas), que por sua vez foi conectado com o que acreditamos ser uma antena que transmite imagens em 1.4 GHz. Não havia cartões SIM.

    A câmera estava apontada para a mesa da cozinha. Não temos certeza se ela também contém um microfone. A câmera é protegida com elementos magnéticos.

    Em quase todos os elementos havia adesivos “CS”. Uma rápida pesquisa nos deu uma pista: “CS” é na verdade código do Departamento de Logística da Polícia Federal.

    Sem medo ou paranóia,

    Dois anarquistas de Bruxelas

  • Vídeo mostra polícia grega liberando presos neonazistas e substituindo-os por imigrantes

    Vídeo mostra polícia grega liberando presos neonazistas e substituindo-os por imigrantes

    O vídeo linkado abaixo foi filmado no último dia 13 de maio em Pedion Tou Areos, no centro de Atenas. O filme mostra dois neonazistas detidos e algemados dentro de uma viatura da polícia. Ambos foram presos durante um progrom (linchamento) contra os imigrantes que estava em curso na cidade. Após alguns segundos os dois neonazistas são liberados pelos policiais e rapidamente substituídos por dois imigrantes.

    No dia 13 centenas de fachas do grupo neonazi grego Chryssi Avghi (Amanhecer Dourado) promoveram uma caça no centro de Atenas perseguindo e atacando imigrantes com armas brancas, pontapés e socos. Eles também atacaram lojas pertencentes a imigrantes. Tudo com a tolerância absoluta da polícia grega. Abaixo imagens de dois imigrantes agredidos por neonazistas.

    Vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=YpNJd17zOX4&feature=player_embedded

  • [França] Manifestação antifascista em Paris

    [França] Manifestação antifascista em Paris

    Centenas de pessoas participaram no dia 8 de maio de uma manifestação antifascista no centro de Paris, com o lema: “Barremos o caminho da extrema-direita!”.

    Ao longo do trajeto, os manifestantes carregavam faixas, cartazes e gritavam slogans antifascistas. Um carro de som emitindo canções libertárias também acompanhou o protesto.

    “Só a solidariedade, ação coletiva e ações diretas são eficazes contra o clima de terror e tensão social que pretendem impor esses grupos de extrema-direita”, dizia parte de um folheto distribuído no ato.

    Há na França um avanço da Frente Nacional – FN (partido de extrema-direita francês, criado em 1972 por Jean-Marie Le Pen) e de grupos de extrema-direita mais ou menos organizados, que disseminam o racismo nas escolas e bairros, promovem ataques contra ativistas de movimentos sociais e contra comícios em apoio aos imigrantes sem documentos, organizam concertos neo-nazistas…

    Na última quarta-feira (11 de maio) o parlamento francês aprovou uma lei para perseguir e agilizar a expulsão de imigrantes sem documentos.

    A situação francesa se insere em um contexto europeu e ocidental de ampliação do fascismo. Em toda a Europa, as direitas e extremas-direitas progridem.

    Fotos:

    http://www.onlyphotos.org/article-manifestation-antifasciste-paris-8-mai-2011-73418300.html

    Vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=m0sr8FdRcPk&feature=player_embedded


  • [Grécia] Atacada e ocupada sede do Partido Socialista Grego em Patras

    [Grécia] Atacada e ocupada sede do Partido Socialista Grego em Patras

    A sede do Pasok (Partido Socialista Grego) da Rua  Gerokostopoulou, no município de Patras, foi atacada e ocupada por algumas horas nesta sexta-feira (13 de maio) por integrantes do movimento anarquista, em resposta aos acontecimentos dos últimos dias na Grécia: assassinato de um cidadão bengalês de 21 anos na madrugada passada, perseguição e agressão contra imigrantes, repressão policial durante a Greve Geral de 11 de maio e a cooperação entre o Estado e bandos fascistas.

    O escritório do Pasok, partido do atual primeiro-ministro grego George Papandreou, foi redecorado com várias pichações. Uma faixa foi estendida na fachada do prédio, e trazia os dizeres: “Nenhuma tolerância aos ataques fascistas” e “Silêncio é cumplicidade com os assassinos”. Também foram distribuídos panfletos aos transeuntes.

    Fotos da ocupação da sede do Pasok:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1290075

    Fotos da manifestação contra a repressão policial ontem (12) em Patras:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1290179

  • [Grécia] Imigrante bengalês é esfaqueado até a morte em Atenas; Manifestação contra a repressão e violência policial reúne milhares de pessoas

    [Grécia] Imigrante bengalês é esfaqueado até a morte em Atenas; Manifestação contra a repressão e violência policial reúne milhares de pessoas

    Desconhecidos (provavelmente nazis) assassinaram a facadas um imigrante bengalês de 21 anos na madrugada de quarta para quinta-feira (12 de maio), no bairro Patissia, em Atenas.

    De acordo com informações disponíveis até o momento, dois homens em uma motocicleta perseguiram a vítima e, quando chegaram a ele o apunhalaram com facas e fugiram.

    A vítima foi levada às pressas para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

    Embora os motivos do assassinato ainda não sejam conhecidos, a possibilidade de um ataque racista é grande, uma vez que, segundo alguns depoimentos de testemunhas os criminosos estavam falando grego.

    Acredita-se que o assassinato se trata de uma represália contra o homicídio há dois dias de um cidadão grego de 44 anos que foi apunhalado por dois desconhecidos que queriam roubar sua câmera de vídeo, quando este se dirigia ao hospital com sua esposa que estava em trabalho de parto. Os imigrantes foram acusados da morte.

    Os nazis aproveitaram os rumores para empreender uma série de ataques contra os imigrantes, incluído agressões com armas brancas (paus, navalhas), deixando dezenas de feridos. Eles também atacaram estabelecimentos gerenciados por imigrantes.

    Manifestação contra a repressão e violência policial reúne milhares de pessoas

    Milhares de pessoas saíram novamente às ruas de Atenas hoje (12 de maio) em protesto contra a repressão e violência policial exercida ontem (11 de maio) em uma manifestação que feriu seriamente um ativista de 31 anos e que  se encontra hospitalizado em estado de coma.

    Durante o protesto desta quinta-feira, outra vez, os agentes antidistúrbios atacaram os manifestantes com gás lacrimogêneo e bombas de barulho. Os protestantes responderam com pedras e outros objetos. Várias batalhas campais tomaram conta das ruas do centro de Atenas.

    O clima na capital grega é tenso após os distúrbios das últimas 48 horas enquanto a crise econômica da Grécia completa um ano e o aumentou da violência nazi e os surtos de racismo e xenofobia nos últimos tempos contra imigrantes.

    Pelo menos outras 15 cidades gregas realizaram manifestações contra a brutal repressão policial durante a greve geral desta quarta-feira.

    Fotos da manifestação em Atenas:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289694

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289887

    Vídeo de um grupo de nazis, com proteção policial, perseguindo e agredindo imigrantes em Atenas:

    http://www.youtube.com/watch?v=rxUBr5_tczU&feature=player_embedded

  • [Espanha] Documentário “O cinema libertário”

    [Espanha] Documentário “O cinema libertário”

    Ao se dar o estopim da guerra civil espanhola em julho de 1936, o sindicato anarquista CNT socializou a indústria de cinema na Espanha. Em Madri e Barcelona os trabalhadores de cinema assumiram, através do sindicato, os meios de produção e se produziram numerosos filmes. Isto deu lugar a um período único que não voltou a acontecer em nenhuma outra cinematografia mundial.

    Apesar do país estar imerso em uma guerra sangrenta, entre 1936 e 1938 foram rodados e exibidos filmes das mais variadas temáticas: dramas sociais, comédias musicais, filmes de denúncia e documentários bélicos. Todos eles compõem um variado mosaico que dá lugar a um dos momentos mais insólitos e originais da cinematografia espanhola.

    Através da opinião de diversos pesquisadores, assim como do depoimento do diretor de fotografia e restaurador espanhol, Juan Mariné, o documentário revisa cada uma das produções que constituem um legado excepcional da cinematografia espanhola.

    Foi um período muito efêmero durante o qual os roteiristas, os diretores, os técnicos e os atores espanhóis trabalhando juntos e sem hierarquias demonstraram uma das máximas do mundo do espetáculo: apesar dos bombardeios, da fome e do drama da guerra, o espetáculo devia continuar, e continuou.

    Veja o filme aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=I6Y3h8s5-3M&feature=player_embedded

    Aqui galeria com 54 imagens:

    http://www.iimmgg.com/gallery/gabe7583b9801c4d9205844cb2ee06ae1/

    Tradução > Juvei

  • [Alemanha] 1º de Maio anticapitalista atrai milhares de pessoas em Berlim

    [Alemanha] 1º de Maio anticapitalista atrai milhares de pessoas em Berlim

    Aproximadamente 15.000 pessoas participaram da passeata anticapitalista do 1º de Maio em Berlim. Novamente a manifestação contou com um bloco negro dinâmico e concorrido.

    Durante o curso do protesto os manifestantes quebraram janelas de vidros de vários bancos e grandes lojas. Um posto policial também foi atacado com pedras e garrafas e diversos carros de patrulha dos agentes de segurança foram danificados.

    Um grupo de policiais também foi alvejado por um ataque de chuva de pedras. Logo após se generalizou um confronto entre a polícia e grupos de manifestantes. Os policiais lançavam bombas de gás lacrimogêneo e gás pimenta. O revide dos ativistas vinha com pedras, garrafas, fogos de artifício e barricadas. A polícia conseguiu realizar algumas detenções.

    Houve protestos em outras cidades alemãs, como em Wuppertal, onde 400 ativistas participaram de um ato de rua sem autorização da polícia. Em Nuremberg, 2.500 pessoas foram às ruas. Em Halle, no leste da Alemanha, milhares de manifestantes bloquearam o caminho da passeata dos neonazistas, que sofreram um ataque de pedras, alguns carros dos nazis foram danificados. Em Bremen, 4.000 pessoas tentaram fazer o mesmo. Poucos dias antes do protesto alguns carros de neonazistas foram queimados. Em Hamburgo, 2.500 manifestantes voltaram às ruas da cidade para protestar. Foram registrados confrontos entre um grupo de encapuzados e a polícia.

    Na semana que antecedeu o 1º de Maio, uma série de ações de grupos anarquistas foi levada a cabo, especialmente em Berlim e Hamburgo. Em Berlim, dois edifícios da Agência de Emprego, um banco e o prédio da Associação de Industriais Alemães foram atacados com pedras e bombas de tinta e um carro de uma empresa responsável pelo transporte de resíduos nucleares foi incendiado.

    Em Hamburgo, houve ataques incendiários contra duas viaturas da polícia e três carros da empresa do ramo da energia nuclear Vattenfall e vários carros de luxo.

    Fotos 1º de Maio anticapitalista de Berlim:

    http://www.flickr.com/photos/neukoellnbild/sets/72157626628734188/

    http://www.flickr.com/photos/rassloff/sets/72157626499643011/

    http://www.flickr.com/photos/andreas-potzlow/sets/72157626629932486/


  • Greve geral na Grécia: “Povo, não baixes a cabeça e não te deixes vencer”; violência policial em Atenas

    Greve geral na Grécia: “Povo, não baixes a cabeça e não te deixes vencer”; violência policial em Atenas

    Em dia de greve geral, milhares de gregos saíram às ruas nesta quarta-feira, 11 de maio, para protestar contra as medidas de austeridades e privatizações decididas pelo governo do Partido Socialista, FMI e União Européia. A manifestação em Atenas terminou com uma violenta repressão das forças de segurança contra manifestantes. Um ativista foi hospitalizado com ferimentos graves.

    Nos arredores do Parlamento, a polícia utilizou gás lacrimogêneo, bombas de ruído e cassetetes para dispersar os milhares de manifestantes, que revidaram com pedras e outros objetos. Dezenas de pessoas ficaram feridas, pelo menos 30 manifestantes foram detidos pela polícia.

    Um dos manifestantes teve de ser hospitalizado depois de ter sido agredido na cabeça com cassetete. Ele perdeu muito sangue e foi submetido a uma cirurgia de emergência e se encontra em coma profundo numa UTI (Unidade de Terapia Intensiva). As próximas 24 horas serão cruciais para a sua sobrevivência, segundo boletins médicos.

    O governo socialista grego mandou um forte contingente para a rua para controlar os protestos, que juntou trabalhadores, pensionistas, desempregados, imigrantes, estudantes, comunistas e anarquistas.

    Também houve manifestações em Tessalônica, Patras, Ioannina, Agrinio, Serres, Lamia, Xanthi, Esparta, Arta, Volos, Katerini, Larisa, Creta e Serres, entre outras cidades gregas.

    Esta greve é a segunda do ano e a nona desde o início da crise econômica grega. A greve paralisou o transporte marítimo e ferroviário, obrigou o cancelamento de centenas de vôos e mantém o atendimento médico em hospitais e outros serviços no mínimo.

    Bancos, escolas e repartições públicas também pararam e até mesmo os jornalistas cruzaram os braços em protesto contra a onda de demissões, redução de salários e fechamento de veículos de imprensa.

    Fotos:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289114

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289018

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1288923

    http://syspeirosiaristeronmihanikon.blogspot.com/2011/05/blog-post_11.html

  • [Colômbia] Carta para Nicolás Neira, no sexto aniversário do seu assassinato

    [Colômbia] Carta para Nicolás Neira, no sexto aniversário do seu assassinato

    A repressão que causou sua morte, voltou às ruas do centro de Bogotá neste 1˚ Maio de 2011, e quem desejou lembrá-lo nas palavras e nos gestos saboreamos o aroma de gás lacrimogêneo, a dureza dos espancamentos e detenções arbitrárias (como foi o caso do seu pai).

    Seis anos já, o tempo passa, as feridas não cicatrizam, e me pergunto: por que têm que cicatrizar? Se em uma situação como esta, a única coisa que nos oferece é a morte e a repressão para aqueles que querem defender a idéia de uma sociedade mais justa – talvez devêssemos por um curativo, esquecer e não deixar que brote a necessidade de lutar. Aqueles que te mataram querem que voltemos para casa, que trabalhemos sem parar, que procuremos ter uma vida ostentosa, que nos esqueçamos o sonho da revolução social e que só apareça como um fantasma para falar sobre o nosso passado, o que fomos e já não somos. Mas não daremos essa satisfação, vamos continuar em pé de guerra e nunca dar a outra face.

    Seis anos se passaram e a memória não esquece; lambendo suas feridas, lembramos de sua morte, a morte de tantos outros; lembrando do desamparo, o medo, mas também recordando a paixão pela justiça, a necessidade de mudar a sociedade.

    Não te santifico como um mártir, lembro como quem caiu pela irracionalidade deste modelo, a irracionalidade dos policiais que o espancaram, compreendo não como um fenômeno isolado, mas como a epiderme do estado atual das coisas. A você mataram a bofetadas e patadas, alguns às balas, a outros matam trabalhando alienados em escritórios, muitos são afundados na miséria, outros foram mortos em vida.

    Ontem, como hoje, como amanhã e como sempre, eu vou te levar para as profundezas da minha alma libertária, lembrando e relembrando o que fizeram com você… um crime de Estado.

    Com amor para você, para os seus e para aqueles que lutam.

    Atarka Rebel.

    Sexta-feira, 6 de maio de 2011, a seis anos de seu assassinato covarde.

    PS: Esta pequena carta terminou de ser escrita quando acontecia uma concentração na Rua 7 com 18  pelo sexto aniversário da morte de Nicolás.

    Nota da “ANA”:

    Nicolás David Neira, de 15 anos, foi brutalmente assassinado pela Polícia Nacional Colombiana, o Escuadrón Móvel Anti-disturbios (Esmad) no 1º de maio de 2005. Nicolás participava do bloco anarquista durante uma marcha em comemoração ao Dia do Trabalho em Bogotá, quando a manifestação foi alvo de uma violenta repressão policial, com bombas de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha e golpes de cassetetes. Nicolás, asmático, sem poder correr, recebeu uma avalanche de golpes na cabeça e caiu inconsciente. Os cassetetes provocaram em Nicolás traumatismo craniano, fraturas múltiplas e edema cerebral.

  • [Itália] USI faz greve geral contra a guerra na Líbia

    [Itália] USI faz greve geral contra a guerra na Líbia

    Em 15 de abril, houve uma greve geral de um dia convocada pela União Sindical Italiana (USI-AIT) contra a guerra na Líbia. A iniciativa desta organização anarco-sindicalista foi apoiada pelos sindicatos independentes Cobas e SISA e também pelo Comitê de Imigrantes na Itália.

    A greve foi direcionada contra a participação da Itália na intervenção militar na Líbia e contra a política social e econômica do governo italiano. Os/as organizadores/as declararam o 15 de abril um “Dia de Fúria”.

    A greve mais ampla teve lugar na área de transporte. Começou às 21 horas do dia anterior e durou o dia inteiro. Alguns trens foram cancelados e o transporte municipal foi afetado em diferentes cidades. A greve também envolveu serviços médicos, educação e vários outros setores.

    Ocorreram manifestações em Milão, Turim, Palermo, Bolonha, Gênova, Roma e outras cidades – no total, mais de 20.

    Tempos de Guerra

    A operação Odissey Dawn (Odisséia da Alvorada) marcou o começo da intervenção militar na Líbia, outra missão de guerra com que as grandes potências do ocidente querem proteger interesses econômicos e equilíbrios geopolíticos que são ameaçados por instabilidade, tensões locais e ambições de caudilhos e ditadores.

    Trata-se do mais recente entre os episódios que tornam ainda mais patente o estado de guerra permanente no qual vivemos. Ao passar dos anos, mudam os cenários: dos Bálcãs (Bósnia, Kosovo) até o Magreb, passando pelo Oriente Médio (Iraque) e pela Ásia (Afeganistão); muda o nome das operações militares: de operações de polícia internacional a força tarefa contra o terrorismo a dispersão de forças de interposição e dissuasão, até chegar a definições mais tranqüilizadoras como missão de paz ou missão humanitária; mas, concretamente, não mudam nem os meios para levá-las a cabo nem a substância: bombardeios e mísseis, em uma palavra, se trata de guerra.

    Desde o começo ficou claro que a revolta na Líbia, ainda que impulsionada pelas insurreições que continuam estremecendo os países norteafricanos e do Oriente Médio (Tunísia, Argélia, Marrocos, Egito, Iêmen, Bahrein), apresentava traços de luta entre facções rivais pelo poder, fixadas no território por base em pertences tribais (Tripolitânia, Cirenaica e Fezã). Também era evidente que o papel exercido pela Líbia em vários níveis no cenário mediterrâneo (produção de petróleo e gás, economia-social relevante do ocidente, vigilância da área, controlador do fluxo migratório) faria com que a crise do regime de Gadafi se tornasse crise de nível internacional. Os bombardeios em Trípoli não são nada menos que a prova disso.

    Começou uma guerra de verdade, suja e vil como toda guerra, cujos objetivos não coincidem com nenhum dos que foram declarados: nem a queda de Gadafi, nem a implementação da “democracia”, nem a proteção da população. O objetivo real é bem claro: voltar a colonizar a Líbia, um país de suma importância por seus recursos energéticos e sua posição estratégica, através de sua balcanização. Em segundo lugar, não de menor importância, a intervenção militar aponta para a manutenção de um estado de guerra permanente e global que oculta as verdadeiras emergências (fome e miséria, desastres ambientais e nucleares, migrações massivas, supremacia das ganâncias sobre as necessidades) e que permita sufocar permanentemente lutas e revoltas.

    Uma guerra da qual a Itália participa hipocritamente, nem sequer assumindo suas próprias responsabilidades; direita e esquerda se unem nas mesmas declarações pseudopatrióticas, amparando-se por trás das indecentes palavras de Napolitano, para confundir e enturvar as consciências. Uma guerra na qual nosso “belo país” recolherá as migalhas, como um abutre.

    Nós somos contra esta guerra, como somos contra todas as guerras capitalistas e imperialistas. A única frente que reconhecemos é a da luta social contra os patrões e seus servos. Uma frente que une todos/as os/as explorados/as, independentemente de sua nacionalidade, etnia, língua e cultura, que os enfrenta sem possibilidade de conciliação à barbárie capitalista. Uma frente que para se opor ao alcance dos acontecimentos atuais não pode se limitar a defender as últimas migalhas da paz e do suportável nos resta, mas tem que oferecer alternativas concretas à miséria e à barbárie do mundo no qual vivemos e nas quais nos querem afundar cada vez mais.

    Os desfiles pela paz não são suficientes, devemos começar a construir uma sociedade diferente.

    Contra as guerras do capital, guerra social por um mundo diferente, livre de estados, exércitos e patrões!

    Secretariado Nacional USI-AIT

    Mais infos:

    http://www.usi-ait.org/