Tag: Grécia

  • [Grécia] “Como pai estou orgulhoso do meu filho e sua postura”

    Algumas semanas atrás, o pai do anarquista Giannis Skouloudis (preso após queimar veículos utilitários da empresa elétrica DEI em 13 de outubro de 2010, em Tessalônica) divulgou uma carta. Ainda que tardiamente, a divulgamos com prazer, porque raras vezes os pais vão além da defesa puramente emocional de seus filhos e filhas e se mostram verdadeiramente solidários com eles e elas.

    Carta do pai do anarquista Giannis Skouloudis

    “(O “terrorismo” como um ato de inocência…) Desde quando meninos de 20 anos são chamados de terroristas? Quando você tinha 2 anos foi batizado cristão e aos 22 te batizaram de terrorista, estavam te elogiando porque você já leu mais livros do que aqueles que foram forçados a ler na escola e agora usam isso como prova contra você, te colocam um avental branco nos desfiles e agora te vestem com um chaleco branco à prova de balas quando te levam ao tribunal…” As reflexões são vossas…

    Passou 7 meses desde o dia em que prenderam meu filho Giannis Skouloudis por atear fogo a um carro da DEI. O fato de que ele assumiu a responsabilidade por essa ação resultou em sua prisão, na “instituição penitenciária de menores em Avlona” como vocês, o Estado, chamam a estes modernos lugares de punição para as almas humanas.

    Vendo como a guerra se intensifica ao longo deste período senti a necessidade de saudar, querendo dar força e coragem, a todos àqueles que estiveram ao seu lado, todos aqueles que resistem, lutam e continuam lutando dentro e fora dos muros contra este sistema podre que nos fazem escravos. Contrariamente ao “curvar-se, lamber e pegar o que puder”. Ao contrário do “ser correto e decente”, contra a história de “ficar com” e contra o modo de vida moderno que, como seu ideal supremo, promove a paz, a ordem e a segurança.

    Pela minha parte, como pai estou orgulhoso do meu filho e sua postura, mas também de todos os outros meninos que lutam pela liberdade de pensamento e do indivíduo.

    E algumas palavras para os pais: nós trouxemos ao mundo os nossos filhos, temos os criado, e chegou o momento de deixá-los para que nos conduzam para o futuro. Não devemos tentar mantê-los amarrados ao passado. Temos que estar ao seu lado nas barricadas e agora temos que aprender com eles.

    Eu envio a minha solidariedade a todos os presos políticos, mas também aqueles que estão fora dos muros e seguem lutando, aos que escolheram o difícil caminho para a liberdade total.

    Giorgos Skouloudis

    Quinta-feira, 05 de maio de 2011

  • [Grécia] Políticos são atacados por manifestantes e fogem de barco na ilha de Corfu

    Na noite de quarta-feira (01 de junho), por volta das 22h30, centenas de “indignados”, na ilha de Corfu, se reuniram em torno de um restaurante chamado Velha Fortaleza, onde estava acontecendo um jantar para os eurodeputados que participam em questões de imigração e refugiados na Europa.

    Entre os eurodeputados presentes no jantar estava a ministra do Trabalho, Anna Dalara, Ntinos Vrettos, deputado do Pasok (Partido Socialista Grego), Angela Gerekou e Nikos Dendias, que é também vice-presidente do Conselho de Refugiados, entre outras autoridades.

    Os manifestantes bloquearam a saída do restaurante, evitando que os políticos pudessem sair e começaram a gritar slogans como “ladrões” e “traidores”, entre outros. Como resultado, foi enviado uma embarcação para a ministra, os eurodeputados e autoridades, para que pudessem deixar a ilha sem grandes transtornos.

    O porta-voz do governo sob ataque

    O porta-voz do governo grego Yiorgos Petalotis foi atacado e vaiado pelos cidadãos do bairro de Argyroupolis, em Atenas, onde participava de um ato do partido no poder, o Pasok. Mais de 50 pessoas o estavam esperando na porta, e, quando ele chegou, começou o ataque verbal e o lançamento de ovos, iogurtes e pedras. A multidão foi repelida pela polícia.

    Este tipo de incidentes está crescendo na Grécia desde que o país entrou em recessão. O episódio mais grave até agora foi o espancamento do ex-ministro grego dos transportes Kostis Hatzidakis, quando este saia do Parlamento, em 15 de dezembro passado.

    O vice-primeiro-ministro grego Theodoros Pangalos foi atacado por manifestantes várias vezes nos últimos meses.

    Em setembro passado, o radiologista de 60 anos, Prapavesis Stergios, jogou um sapato contra o primeiro-ministro grego George Papandreou, quando ele deixava um evento internacional em Tessalônica.

    O ministro da Saúde, Andreas Loverdos, foi forçado a deixar a apresentação do seu livro no início de março, após um grupo de cidadãos entrar na livraria em que estava acontecendo o evento e começar a insultá-lo. O deputado da oposição, da Nova Democracia, Aris Spiliotopoulos, também estava presente e teve de deixar o local entre vaias e insultos.

    Os ataques contra funcionários do governo grego no último ano e meio já totalizam mais de 90.

    Vídeos:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1299218

  • [Alemanha] Manifestantes realizam marcha antifascista em Berlim

    [Alemanha] Manifestantes realizam marcha antifascista em Berlim

    Neste sábado, 21 de maio, mais de 1.500 pessoas protestaram em Berlim contra o racismo, o fascismo, a violência estatal e a cooperação policial com os neonazistas em Kreuzberg e em Atenas, na Grécia.

    Os manifestantes marcharam por algumas ruas de Berlim com carro de som, faixas, bandeiras e gritando slogans contra o fascismo e o Estado.

    Foi maciça a presença de forças policiais no cortejo, mas não foram registrados incidentes.

    O evento foi organizado por grupos anarquistas, esquerdistas e de imigrantes.

    Sábado retrasado (14), neonazistas atacaram imigrantes num metrô de Kreuzberg (bairro berlinense multiétnico) com a conivência da polícia, que ainda reprimiu brutalmente os manifestantes antifascistas. No mesmo período, fatos similares aconteceram em Atenas.

    Fotos do protesto em Berlim:

    http://www.flickr.com/photos/neukoellnbild/sets/72157626773256540/

    http://www.flickr.com/photos/pm_cheung/sets/72157626773415592/

    Matérias relacionadas:

    http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/05/23/alemanha-berlim-nazis-sao-expulsos-de-kreuzberg-mesmo-com-a-protecao-da-policia/

    http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/05/13/grecia-imigrante-bengales-e-esfaqueado-ate-a-morte-em-atenas-manifestacao-contra-a-repressao-e-violencia-policial-reune-milhares-de-pessoas/

  • [Grécia] Protesto de detentos na prisão de Korydalos, em Atenas

    Os prisioneiros da primeira ala da prisão de Korydallos rebelaram-se e emitiram o seguinte comunicado:

    Nós, presos da 1ª ala da prisão de Korydallos, nos rebelamos hoje, sábado, 14 de maio de 2011, e rejeitamos a revista ao meio-dia e o fechamento das celas.

    Podemos estar encarcerados por várias razões, e nem todos temos as mesmas opiniões, mas isso não significa que não seguimos sendo seres humanos. Preocupamo-nos com todas as coisas que acontecem fora de onde estamos exilados. Estamos testemunhando as decisões adotadas por uma justiça prostituta, cujos cafetões são os juízes e promotores que dão anos de prisão como se fossem amendoins. Não é muito dizer que estamos ao lado daqueles que lutam contra a ditadura econômica e por um mundo livre e justo.

    Em 10 de maio, um homem no centro de Atenas foi assassinado e mais uma vez algumas pessoas oprimidas, ao invés de converter suas facas e armas contra os verdadeiros ladrões – os banqueiros, os grandes patrões e os proprietários de navios [os armadores gregos têm a maior frota comercial do mundo e é uma classe política muito influente] – povos oprimidos se voltam uns contra os outros. Por causa da propaganda midiática, foi dado um despertar para o racismo e aos grupos paraestatais neonazistas – os melhores amigos da polícia – que lançaram ataques aleatórios contra os imigrantes, que culminaram no assassinato de Kato Patissia, de 20 anos de idade.

    O porrete de mando foi levado por seus companheiros, os policiais que atacaram a manifestação que ia contra as medidas econômicas que impõe a todos a miséria. Dezenas de manifestantes foram feridos e um está em coma, entre a vida e a morte, atacado por cães da polícia antidistúrbios. Esses mesmos cães são os que haviam atacado os presos da 3ª ala há alguns meses juntamente com centenas de pessoas nos últimos anos em vários presídios. Por trás dos altos muros construídos, para nos manter longe de nossa gente, temos o desejo de solidariedade e luta para superar as divisões religiosas e nacionais, e vamos lutar junto àqueles que lutam fora da prisão por liberdade, contra a polícia e suas garras, que espancam e matam manifestantes e oprimidos.

    Prisioneiros da 1ª ala da prisão de Korydallos

  • Greve geral na Grécia: “Povo, não baixes a cabeça e não te deixes vencer”; violência policial em Atenas

    Greve geral na Grécia: “Povo, não baixes a cabeça e não te deixes vencer”; violência policial em Atenas

    Em dia de greve geral, milhares de gregos saíram às ruas nesta quarta-feira, 11 de maio, para protestar contra as medidas de austeridades e privatizações decididas pelo governo do Partido Socialista, FMI e União Européia. A manifestação em Atenas terminou com uma violenta repressão das forças de segurança contra manifestantes. Um ativista foi hospitalizado com ferimentos graves.

    Nos arredores do Parlamento, a polícia utilizou gás lacrimogêneo, bombas de ruído e cassetetes para dispersar os milhares de manifestantes, que revidaram com pedras e outros objetos. Dezenas de pessoas ficaram feridas, pelo menos 30 manifestantes foram detidos pela polícia.

    Um dos manifestantes teve de ser hospitalizado depois de ter sido agredido na cabeça com cassetete. Ele perdeu muito sangue e foi submetido a uma cirurgia de emergência e se encontra em coma profundo numa UTI (Unidade de Terapia Intensiva). As próximas 24 horas serão cruciais para a sua sobrevivência, segundo boletins médicos.

    O governo socialista grego mandou um forte contingente para a rua para controlar os protestos, que juntou trabalhadores, pensionistas, desempregados, imigrantes, estudantes, comunistas e anarquistas.

    Também houve manifestações em Tessalônica, Patras, Ioannina, Agrinio, Serres, Lamia, Xanthi, Esparta, Arta, Volos, Katerini, Larisa, Creta e Serres, entre outras cidades gregas.

    Esta greve é a segunda do ano e a nona desde o início da crise econômica grega. A greve paralisou o transporte marítimo e ferroviário, obrigou o cancelamento de centenas de vôos e mantém o atendimento médico em hospitais e outros serviços no mínimo.

    Bancos, escolas e repartições públicas também pararam e até mesmo os jornalistas cruzaram os braços em protesto contra a onda de demissões, redução de salários e fechamento de veículos de imprensa.

    Fotos:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289114

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289018

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1288923

    http://syspeirosiaristeronmihanikon.blogspot.com/2011/05/blog-post_11.html

  • [Grécia] Policial que matou o jovem Alexis Grigoropulos levou outra surra

    [Grécia] Policial que matou o jovem Alexis Grigoropulos levou outra surra

    Na quarta-feira retrasada (27 de abril), à tarde, durante um encontro casual de prisioneiros das alas D e E da prisão de Domokos, o anarquista Damiano Bolano pela segunda vez ficou cara a cara com Epaminondas Korkoneas, 39 anos, o policial que matou a tiros o adolescente grego Alexis Grigoropulos em Atenas, em 6 de dezembro de 2008.

    Embora nesta ocasião Korkoneas tivesse com ele um amigo, Damiano confrontou os dois e sapecou alguns tapas em ambos, que correram assustados.

    [Notícia relacionada]

    “Como um anarquista revolucionário tinha a obrigação de dar uma surra no assassino de um companheiro”

    http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/04/06/grecia-como-um-anarquista-revolucionario-tinha-a-obrigacao-de-dar-uma-surra-no-assassino-de-um-companheiro/

  • [Grécia] Ações solidárias em Atenas

    [Grécia] Ações solidárias em Atenas

    Ataque a dois bancos no centro de Atenas

    Um pouco depois das 12 horas de ontem (13 de abril), houve um ataque com martelos, pedras, etc. em dois bancos, o Banco Alfa, na rua H, e o Eurobank  e Trikoupi na rua Solonos. A área estava cheia de policiais, que ainda fizeram uma rápida passagem no bairro de Exarchia, apenas para ser vistos. Se retiraram e a área estava calma novamente.

    Fotos: http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1281933

    Liberdade a Simos Seisidis

    Em 8 de abril, início da tarde, o Banco Nacional da Grécia, na Praça Exarchia, em Atenas, foi alvejado, como sinal de apoio à Simos Seisidis. Também foram distribuídos panfletos onde se lia “Liberdade a Simos Seisidis” e “polícia e os tribunais vão encontrar-nos em frente de vocês”.

    Simos é acusado e está a ser julgado por roubar o Banco Nacional da Grécia, na rua Solonos, em janeiro de 2006.

    Julgamento adiado

    O julgamento do anarquista Aris Sirinidis foi adiado na sexta-feira passada, pois um juiz estava doente. Não importa quando ocorra, estaremos também ali novamente. Liberdade a Aris Sirinidis!

  • [Grécia] “Como um anarquista revolucionário tinha a obrigação de dar uma surra no assassino de um companheiro”

    Na quarta-feira (23 de março), o anarquista Damino Bolano foi citado pelo Ministério Público para depor sobre as bordoadas que ele deu na semana anterior a Epaminondas Korkoneas, o policial que em dezembro de 2008 matou em Atenas Aleksandros Grigoropoulos, e que está atualmente encarcerado na mesma prisão de Domokos.

    A sessão foi realizada na prisão. Damiano se recusou a declarar e assinar qualquer coisa, tudo que ele disse foi: “Como um anarquista revolucionário tinha a obrigação de dar uma surra no assassino de um companheiro”.

    Ele foi condenado a uma ação disciplinar de “um ano sem jornadas”, conta bastante grave na Grécia, considerando que para um dia de trabalho na prisão as autoridades tiram um dia da condenação.

    Na sala também estava presente, protegido por três carcereiros, Korkoneas, a quem Damiano insultava incessantemente.

  • [Grécia] Reivindicações dos incêndios provocados em Atenas

    Comunicado:

    “Desde a África até a América Latina e da Ásia a Europa e América do Norte, os espaços de resistência não só não se extinguem, senão que voltam a se ascender constantemente. Se isto envolve aos movimentos e as formações coletivas, nem que sejam menores numericamente, mais individualidades questionarão o existente.”

    G. Dimitrakis

    Vivemos em um tempo onde tudo está liquidado. Se nos anos anteriores o que podiam nos oferecer era o debilitamento do consumo e da evolução social, a partir de agora a única promessa é a de uma morte lenta. No momento em que a crise econômica se torna mais e mais profunda, mais e maiores segmentos da sociedade se radicalizam e se opõem ao existente. A luta através de todos os meios contra o Estado e os chefes têm se intensificado. Da luta de Keratea e Lefkimmi, a greve de fome dos 300 trabalhadores imigrantes, o movimento “Eu não pago”, os selvagens golpes dos enfrentamentos nos centros das metrópoles, as sabotagens a objetivos governamentais e capitalistas, os incêndios provocados para a desestabilização das estruturas do regime pelas organizações revolucionárias.

    O Estado, por sua vez, levanta seu arsenal legal, material e técnico, tendo como principal objetivo o extermínio do “inimigo interno”. Devido a nova utilização de caminhões blindados com jato de água antidistúrbios e dos contínuos exercícios militares para reprimir as manifestações não conseguem impor a ordem, sem novas leis terroristas, sem novas “guilhotinas” para cair sobre as cabeças das partes mais militantes.

    A atualização da humilhação através dos meios de comunicação não funciona só como um difusor de falsas notícias. Estas despolitizam e apresentam como simples crimes a atores políticos, anarquistas, revolucionários e lutadores. E neste caso, tomar medidas enérgicas por causa do inimigo interno é de grande importância, precisamente porque é a parte social-radical “perigosa”, a que é consciente de si mesma e que combate ao moderno totalitarismo. Este é o elemento regulador do equilíbrio, a promessa da existência e da continuidade do próprio capitalismo. Aqui a força antiterrorista, o “orgulho” da polícia grega, toma o controle… Cria perfis e os canaliza através da imprensa, que divulgam o segredo das conversas telefônicas e transformam as relações de amizade em “organizações terroristas”. Isto vai em direção à fabricação de montagens, como é o caso de Christos Politis. Precisamente por isso que não há margens para erros. O sistema está doente e os opositores políticos devem ser exterminados e isto se torna muito claro.

    Se a partir de agora para nós existe uma aposta, esta é na continuidade da luta. E parte desta luta é nossa solidariedade aos combatentes presos e aos presos políticos. Se a escolha de sabotar as estruturas da soberania é um momento de ruptura e agressividade da guerra social de classes, a solidariedade é a relação qualitativa que une as diferentes partes que contribuem na própria desestabilização, estas partes que – conscientemente ou não – se movem muitas vezes agressivamente contra a estrutura capitalista.

    Nós assumimos a responsabilidade dos incêndios provocados na quarta-feira, dia 2 de março de 2011, em:

    • Eurobank na rua Ethnikis Antistaseos en Kesariani.

    • Secretaria de Impostos em Holargos, na rua Eleftherios Venizelos.

    • Diretórios locais da Nova Democracia (partido opositor de direita), na rua Panagi Tsaldari, área de Tarros.

    Dedicamos nossas ações a:

    Christos Politis, que está preso sem nenhuma prova em função de sua ação subversiva, assim como aos 5 que estão acusados pelo mesmo caso.

    Aris Sirinidis que está sendo processado e seu julgamento será o “programa piloto” de uso de DNA nos julgamentos políticos.

    Solidariedade com os companheiros chilenos que estão em greve de fome pelo “Caso Bombas”.

    Liberdade a todos os lutadores presos!

    Honremos para sempre Lambros Foundas!

    Skie(r)s¹ para propagar a sabotagem noturna

    [1] Jogo de palavras, se tirar a letra (r) significa “sombras” em grego.

    Tradução > Juvei

  • [Grécia] Chamado de solidariedade internacional com o preso anarquista Simos Seisidis

    [Grécia] Chamado de solidariedade internacional com o preso anarquista Simos Seisidis

    Quinta-feira, dia 30 de março de 2011, terá lugar no tribunal de primeira instância o caso dos “assaltantes de negro”. Se trata do caso do assalto ao Banco Nacional na rua Solonos em janeiro de 2006, e seis outros assaltos. É o mesmo caso pelo qual Giannis Dimitrakis foi finalmente condenado a 12,5 anos de prisão no tribunal de apelação. Desta vez o acusado é Simos Seisidis, que esteve procurado durante 4,5 anos. Simos foi detido em 3 de maio de 2010, após um encontro casual com uma patrulha de polícia. Dado que estava sendo procurado não parou quando lhe quiseram pegar, foi perseguido e um policial disparou pelas costas. Ainda que sua vida correu um risco muito grave, sobreviveu, mas a causa da gravidade dos ferimentos levou-lhe a amputar a perna direita.

    Entretanto, por este acontecimento, está acusado de tentativa de homicídio do policial que lhe disparou pelas costas atrás de seu carro! De fato a juíza de instrução lhe mandou a prisão preventiva por este caso também, após “encerrar” o caso sem sequer esperar o resultado do diagnóstico do médico forense da perna amputada, assim o informe que foi apresentado com atraso de 9 meses. Outra coisa que confirma o que estamos afirmando.

    A razão pela que Simos fugiu, foi uma ordem de busca e captura contra ele (e também seu irmão Marios Seisidis e o companheiro Grigoris Tsironis, que seguem fugitivos da lei) emitida depois do assalto durante o qual foi detido Giannis Dimitrakis. Sem nenhuma prova substancial, de fato suas relações pessoais e políticas estão sendo criminalizadas, os três companheiros se viram obrigados a fugir, não esperando que os tribunais burgueses, a maquinaria repressiva e os jornalistas, esses papagaios que simplesmente repetem o que diz o Poder, lhes aplicassem sua “justiça”.

    Nenhum destes três poderes, judicial, policial e midiático, se precipitou em desmentir algo, todos colaboraram: o primeiro lhes condenou (em ausência) a 7,5 anos de prisão, e isso só pelos delitos menores de todos os sete assaltos, ademais tirando de Simos o direito de apelar contra a decisão do julgamento! O segundo, após colocar um preço enorme por suas cabeças (600.000 euros) tentou matar a Simos. O último, após contribuir durante todos esses anos difundindo informações vindas diretamente da polícia e publicando artigos que cultivavam o medo ao “terrorismo”, de fato apontou a bala que finalmente alcançou seu objetivo.

    O companheiro tem mais um outro processo pendente. Se trata de um caso de roubo de armas, sendo que a única prova contra ele é supostamente seu DNA (que aliás foi encontrada em outro lugar, mas isto parece ser de menor importância se tratando de um anarquista procurado). Ultimamente os processos a base do DNA estão muito na moda na Grécia. A polícia grega encontrou uma maneira fácil para culpar a quem quiser, dado que o DNA de cada um de nós pode ser encontrado e transportado a qualquer lugar.

    Com outro caso mais (pelo que se poderia ter sido absolvido se não estivesse sendo procurado) pendente, Simos está no momento condenado por dois casos e em prisão preventiva por outros três. Mas a parte jurídica não é a mais substancial de seu caso, ainda que uma descrição de seu caso é necessária pelos companheiros na Grécia ou em outras partes, para ter uma idéia mais clara possível da intensidade do esforço de aniquilar este companheiro, por parte do Estado.

    Esperamos que até seu julgamento em 30 de março, a solidariedade seja da mesma intensidade e amplitude. Na Grécia esses últimos dois anos, “o império contra-ataca” Tendo medo das tensões sociais que podem estourar em qualquer momento como causa do ímpeto da crise econômica, o Estado tenta tirar do meio, deste fator que é capaz, com sua consciência política, de converter esta “explosão” em uma revolução: o movimento antiautoritário

    Nesse seu esforço, a democracia nem sequer tenta parecer democrática. Manifestantes estão sendo golpeados brutalmente, locais anarquistas se convertem em “pisos francos de bandas armadas”, companheiros estão sendo levados a prisão por “pertencer a uns grupos armados sem nome” e, sem mais, outros são acusados de “terrorismo” porque andavam pela rua ou tomavam café com certas pessoas.

    Mas, por desgraça deles, aí onde tentam reprimir um foco de resistência, outros dez novos surgirão. Tentam, por meio do medo, converter às lutas sociais em uma coisa do passado e sem sentido nenhum. É de nosso alcance devolver-lhes o medo em sua cara.

    Tentam, por meio da aniquilação exemplar de lutadores presos, deter aos demais para que não resistam. Tentam converter nossos companheiros presos em fantasmas, presentes só na memória de uns poucos amigos e familiares. É de nosso alcance de não deixar esquecidos todos os nossos companheiros. É de nosso alcance tirá-los das mãos do Estado.

    NÃO PERMITIREMOS A ANIQUILAÇÃO DE SIMOS SEISIDIS.

    Não porque é “inocente”, nem porque foi “castigado” tão brutalmente pelos mecanismos repressores, senão PORQUE É UM LUTADOR.

    EXIGIMOS SUA LIBERTAÇÃO IMEDIATA!

    Não por “sensibilidade democrática”, nem por humanismo, senão PORQUE É NOSSO COMPANHEIRO.

    CHAMAMOS AOS QUE LUTAM, AOS COMPANHEIROS DE TODO O MUNDO A JUNTAR SUAS VOZES COM AS NOSSAS PARA O JULGAMENTO EM 30 DE MARÇO.

    Não por compaixão, nem por dever, senão PORQUE SOMOS ANARQUISTAS e A SOLIDARIEDADE É NOSSA ARMA!