Categoria: Arte, Cultura e Literatura

  • [Espanha] Inauguração do monumento em memória dos companheiros e companheiras assassinados pelo fascismo

    [Espanha] Inauguração do monumento em memória dos companheiros e companheiras assassinados pelo fascismo

    O Monolito da Memória

    Após um ano de celebrações, em 18 de Junho, culminam-se os eventos do centenário da fundação da Confederação Nacional do Trabalho (CNT), com a colocação de um monólito em memória às centenas de milhares de membros do movimento libertário que deram suas vidas pela liberdade e revolução social, e que caíram sob as balas genocidas do latrofascio franquista. E não se pode colocar no lugar mais representativo do que na Fossar de la Pedrera do Cemitério de Montjuïc, onde milhares de pessoas sofreram o holocausto do franquismo.

    Era necessário que um monumento recordasse as vítimas libertárias. Porque elas perderam duas vezes a guerra civil. Perderam-na no campo de batalha. E perderam no campo da história, condenadas a quarenta anos de repressão em todos os sentidos, e a quase tantos outros de ostracismo, que não deixa de ser uma outra maneira de matar. Porque apesar de no pelotão de fuzilamento as vítimas do franquismo serem todas iguais, para alguns interesses políticos, o melhor é distinguir as vítimas, recuperar algumas e esquecer outras, distorcer a história e, assim, enterrar com eles a memória.

    Desde que o 1º de abril de 1939 foi decretado, a partir de Burgos, o fim oficial da Guerra Civil Espanhola, e as tropas rebeldes de Franco pisaram pela primeira vez com suas botas assassinas em Madri, para os libertários, havia apenas um caminho de duplo sentido: lutar contra o fascismo em vigor e nunca esquecer o passado e os militantes que deram suas vidas pela liberdade e um mundo melhor e mais justo. Seus esforços a muitos lhes custaram a vida.

    Depois de uma “transição” que não foi senão a continuidade do regime de Franco, onde até mesmo as organizações que sofreram repressão franquista não hesitaram em voltar a enterrar seus militantes por algumas vantagens insignificantes, o movimento libertário entendeu que tinha que continuar com o caminho que lhe legaram seus predecessores. Não dobrar-se para o sistema e lutar pelo que consideramos justo.

    Agora que certos pactos da transição expiraram, abrindo as covas de vergonha que demonstra a criminalidade genocida do franquismo e o silêncio cúmplice de alguns que são chamados democratas, temos de continuar no esforço de recuperar a memória libertária.

    O ato de 18 de junho em Barcelona – ​​na inauguração deste monólito elaborado por Juan Jose Novella, onde os galhos de um cipreste são de aço fazem crescer e estender a idéia – servirá não apenas como o ponto culminante dos atos do centenário da CNT. É continuar a recuperação da nossa memória e história; é uma homenagem a todos aqueles que perderam sua vida pela liberdade. E uma homenagem a todos aqueles que ainda vivem, que sobreviveram ao holocausto espanhol de Franco, e com suas lições e experiências nos deixam com a melhor medicina: a história como o primeiro pilar de luta para a sociedade que virá.

    O monumento

    Nas imagens do monumento se vislumbram as palavras: aos homens e mulheres da CNT… Juanjo Novella, escultor Basco com uma sensibilidade especial para as questões da memória, criou uma escultura forte, preparada para resistir aos elementos e ao tempo e, ainda assim, complexa e delicada, que aponta para cima, para os ideais do melhor que tivemos e perdemos na organização: todos os lutadores e lutadoras pela liberdade e pela revolução social, mortos por assim serem. A memória requerida por parte dos que compartilhamos e queremos continuar o caminho.

    A escultura é um cipreste truncado que simboliza um desejo de marcação e dignificação aos mortos enterrados anonimamente. Desta maneira estabelecemos um marco onde o cipreste seccionado, com todo seu simbolismo, é o principal protagonista. Uma marca no pequeno espaço aberto limitado por ciprestes que define uma pequena praça, na Fosera. Esta escultura é inspirada nas colunas que saúdam o acesso pedestre à área e nos cipreste, colunas vegetais.

    A verticalidade da escultura, assim como sua presença, refere-se às colunas e ciprestes do ambiente.

    A escultura se integra sem impacto negativo sobre o enclave. A presença da peça é adequada ao lugar, com uma ocupação ajustada e sem estridências expressivas.

    Há um grau de transparência que vai enfatizar o interesse ao cerceamento e experiência de uma visão além. Isso também permite uma presença mínima na praça, permitindo perceber o mesmo sem oclusão. A instalação permite manter a rotina e o tráfego.

    As dimensões são de escala humana, em conseqüência a referência da escultura não será sobrecarregada por sua monumentalidade, mas para o alcance humano.

    Tem buscado austeridade e simplicidade nas formas, correspondendo ao espírito pretendido e expressado pela CNT.

    Juanjo Novella, escultor

    Mais infos:

    http://memorialcnt.wordpress.com/

  • [EUA] Filme conta a história da Frente de Libertação da Terra

    “If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front” (2011) conta a história da Frente de Libertação da Terra (ELF, sua sigla em inglês), um grupo ambientalista radical que o FBI considera a ameaça terrorista numero 1 nos Estados Unidos.  O documentário também narra a história de Daniel McGowan, um membro da ELF, que pode passar o resto da vida na cadeia por ações diretas contra as companhias de madeira do Oregon. O filme foi destaque no Sundance 2011, o principal festival de filmes independentes dos Estados Unidos.

    Mais infos e trailer do filme:

    http://www.ifatreefallsfilm.com/

  • [Macedônia] Começa hoje a 6ª Feira do Livro Anarquista dos Balcãs

    [Começa nesta sexta feira a 6ª edição da Feira do Livro Anarquista dos Balcãs, na cidade de Skopje, e vai até o próximo domingo (12). O evento reunirá dezenas de expositores e inclui bate-papos.]

    A Feira é um evento organizado a nível regional, e a idéia principal que norteia o encontro nos Balcãs é promover a paz e a solidariedade, em oposição ao nacionalismo e a exploração naquela região.

    As cidades de Liubliana (2003), Zagreb (2005), Sofia (2008), Atenas e Tessalônica (2009) e Zrenjanin (2010) já sediaram uma edição da Feira do Livro Anarquista dos Balcãs.

    O evento acontecerá no Centro Cultura da Juventude (popularmente conhecido como MKC), em Skopje. A entrada é, naturalmente, livre. E é organizado pela Frente Anarquista de Skopje (http://anarhija.tk/), juntamente com outros grupos anarquistas e indivíduos dos Balcãs.

    A Feira do Livro Anarquista dos Balcãs é uma manifestação que desde a sua criação promove a luta contra todas as formas de exploração e dominação. Estamos convencidos de que esse evento é um passo na direção certa, que permiti um melhor trabalho em rede nos Balcãs e no desenvolvimento de lutas e iniciativas comuns.

    P r o g r a m a ç ã o

    • Sexta-feira, 10 de junho:

    17h – Abertura da feira de livros e apresentação dos participantes

    19h – Apresentação do livro “Guia Abraxasian” (Centro de Estudos Libertários, de Belgrado)

    • Sábado, 11 de junho:

    12h – Bate-papo: O papel do anarquismo e da esquerda anti-autoritária no movimento estudantil

    15h – Bate-papo: Atual situação na Grécia

    16h30 – Bate-papo: “A crise mundial: Desespero Manufaturado”

    18h – Apresentação do Acampamento Sem Fronteiras (No Borders camp) na Bulgária

    • Domingo, 12 de junho:

    12h – Bate-papo: Anarquismo e Mídia

    15h – Bate-papo para a coordenação das campanhas comuns contra o nacionalismo nos Balcãs, a crise capitalista e a energia nuclear

    Mais infos:

    http://balkan-anarchist-bookfair-2011.blogspot.com

  • O Gato Negro no Anarquismo

    O Gato Negro no Anarquismo

    O Gato Negro, também chamado “gato selvagem” ou “gato montês” (“wild cat” em inglês), se mostra normalmente com as costas arrepiadas e com as unhas e os dentes para fora. Está fortemente relacionado com o anarquismo, especialmente o anarcosindicalismo.

    Foi desenhado por Ralph Chaplin, uma conhecida figura do sindicato estadunidense Industrial Workers of the Word (IWW). A palavra “wildcat” exprime a idéia de selvagem ou feroz em inglês, então, como sua postura sugere, o gato simboliza greves autônomas – não autorizadas pelas diretivas dos sindicatos – (wildcats strikes) e o sindicalismo radical.

    A origem do símbolo do gato negro é pouco claro, mas de acordo com uma história este vem de uma greve que estava passando por seu pior momento. Vários de seus membros haviam sido golpeados e mandados ao hospital. Logo um gato doente e negro caminhou entre o acampamento dos grevistas. O gato foi alimentado pelos operários grevistas e no momento em que o gato recobrou sua saúde a greve deu uma virada positiva. Eventualmente os operários em greve conseguiram algumas de suas reivindicações e adotaram o gato como mascote.

    O nome de Gato Negro tem sido usado por numerosos coletivos e cooperativas, incluindo à um muito conhecido lugar musical em Austin, Texas, Estados Unidos (que fechou depois de um incêndio em 6 de julho de 2002) e um agora extinto “coletivo de cozinha” na University District of Seattle, Washington.

    Como símbolo, o gato negro tem sido historicamente associado com bruxaria, maus agouros e morte. Se remonta às históricas culturas dos Hebreus e Babilônios. O uso pela bruxaria persiste nos tempos modernos; os anarquistas compartilham o símbolo do gato negro com a bruxaria e a Wicca, mas geralmente nenhuma das anteriores o representa com suas costas curvadas em posição de luta.

  • [EUA] Neste final de semana acontece a 4ª edição do “Encontrando Nossas Raízes”

    Acontecerá nos dias 10, 11 e 12 de junho, em Chicago, a 4ª edição do “Encontrando Nossas Raízes”. O tema central do evento neste ano é a “Solidariedade”. Feira do livro anarquista, bate-papos, oficinas, espaços para crianças (Playground Anarchy Camp) e muito mais marcam as atividades que fazem deste encontro um dos principais acontecimentos anarquistas da costa norte dos Estados Unidos.

    Comunicado:

    A idéia de solidariedade tem sido evocada como uma forma de unir povos em torno das várias lutas sociais. Mas como é que esse conceito informa sobre a nossa teoria e prática de como anarquista/pessoas antiautoritária na atualidade?

    Como anarquistas, com quem estamos em solidariedade – e por quê? Será que esta solidariedade baseada em identidades sociais nos ajuda, nos prejudica, ou é completamente irrelevante para as nossas lutas anarquistas? Será que os anarquistas são parte de uma política mais ampla de esquerda, e se esse for o caso, deve manter laços de solidariedade com outros de esquerda? Ela envolve a comunidade e/ou prestação de contas? De que forma afeta como percebemos o termo “solidariedade” de hoje com o uso a que se deu nas lutas sociais historicamente? Como é que a solidariedade tem sido seqüestrada com fins reformistas ou reacionários?

    Como podemos permanecer em solidariedade com os outros sem aclamar suas lutas como nossas? Que tipos de projetos, ações, táticas, etc. demonstram as diversas formas em que a solidariedade pode ser utilizada com fins anticapitalistas? Como os conceitos de solidariedade e autonomia estão relacionados entre si? É a idéia de um aliado de um conceito válido para as lutas sociais, e como se relaciona com o conceito de solidariedade? É porque a solidariedade significa ataque? Significa estruturas alternativas de sobrevivência? Pode existir como uma mera afirmação falada ou implica ação? É uma questão de amizade ou de um acordo estritamente político? É eficiente o uso de “solidariedade” como explicação das relações que atingimos no processo de rebelião?

    Possíveis temas da conferência incluem: apoio aos presos, ocupação/ataque à embaixada, ocupação de universidades, vigilância e monitoramento da polícia, acampamentos contra as fronteiras, projetos de solidariedade indígena, comunidade/responsabilidade/consentimento entre os anarquistas/pessoas antiautoridade, solidariedade feministas e sobreviventes dos ataques sexuais, a solidariedade com as lutas sociais internacionais, autonomia e auto-determinação, a relação entre o nacionalismo e o anarquismo, o sindicalismo revolucionário, a solidariedade e a luta de classes, a solidariedade com os indocumentados, solidariedade e aliados, táticas de solidariedade, solidariedade e o trabalho sexual, união e/ou a destruição da esquerda, apoio jurídico para anarquistas que enfrentam um julgamento, solidariedade prática com as pessoas transgêneros, solidariedade entre as pessoas de cor, resistindo ao aburguesamento, a história da solidariedade no seio da organização anarquista, solidariedade com ocupas, intersetorialidade e solidariedade, a solidariedade como ataque, libertação animal e as possibilidades de solidariedade entre as espécies, a recuperação da solidariedade ao serviço do capitalismo.

    Mais infos:

    http://findingourroots.tumblr.com/

  • [Espanha] “É preciso ter fé na humanidade, no natural, para aspirar que essa mudança de estrutura seja possível”

    [Entrevista a Jesús Lizano (Lizanote da Acracia), sobre seu livro: “Olá Companheiros! (Manifesto Anarquista)”.]

    Antonio Orihuela > Jesús, você acaba de publicar um manifesto anarquista. O que há de novo em relação ao seu modo de pensar que nos oferece este livro?

    Jesús Lizano < Mais que novidade, o culminar do meu pensamento, ou seja, uma fusão definitiva entre o poético e o libertário, que, na verdade, vem desde o início da aventura que vivo, claramente refletida nos meus poemas, e muitos fragmentos de meus “diários”, “cartas”, “artigos”… Culminação, sem dúvida, essa fusão a que deve aspirar a nossa espécie, a qual só o pensamento anarquista se fundiu com a poética, com a inocência do natural, isso sim, superando sua inevitável fusão com a política, pode levar-nos. Surpreenderá a muitos ver como é compreendido e aceito o ideal libertário, uma vez que se pode dar essa fusão. E este livro traz a visão que eu tenho mostrado de poema a poema, pensamento a pensamento, sofrimento a sofrimento, e compreensão a compreensão… Embora, na verdade, há muito tempo que, sem sabê-lo, já era libertário… Basta recordar o título de um de meus livros em edição de autor: “O meu mundo não é deste reino”…

    Antonio > Como você se sente em seus oitenta anos: salvo, perdido…?

    Jesús < O artista não vive para ele, se não para sua obra, e seu trabalho não é para ele, se não para os demais. Eu não me sinto, portanto, nem uma coisa nem outra… A pergunta que me faço é: o que será de Lizania? Até que ponto será reconhecida e compreendida… Embora a solidão sempre tenha sido minha companheira, a solidão “heróica”, como definiu o poeta Carlos Murciano em seu artigo falando sobre o meu livro “Heróis”… Vendo Lizania no contexto do “político-social” é entendido muito bem se você conhece a minha atitude de confronto com o poder literário (ver meu “Cartas”, ao mesmo tempo…)

    Antonio > O que precisamos para conquistar a inocência?

    Jesús < Não se trata de conseguir a inocência, mas a inocência nos conquistar, o que só é possível aproximando-nos do natural, vendo-nos como um fragmento da natureza, e não como a estrutura “dominante-dominado” que nos determina.

    Antonio > É a cultura uma arma do poder?

    Jesús < É inevitável que a cultura, tudo o que ela implica, está nas mãos do poder, dos dominantes. Para eles é uma arma fundamental com a qual eles podem nos manipular, nos mentalizar, usar-nos, e se conveniente nos sacrificar, juntamente com outros poderes, de modo que o que deveria ser a chave para a rejeição de todo poder é convertida em sua principal arma.

    Antonio > Que bússola, direção, a humanidade precisa, Jesús, para se encontrar?

    Jesús < Como em um século e meio atrás, no primeiro Manifesto Anarquista encontrou: a rejeição de todo o poder, da política, que é a luta pelo poder…, superando a estrutura dominante-dominado, a qual ainda estamos determinados, e começando a nos organizar em comunidades humanas, não, claro, políticas, religiosas ou familiares… É preciso nos organizar, mas não que uns poucos nos organizem, mentalizem e manipulem, e se convier nos sacrifiquem.

    Antonio > Por que nos custa tanto trabalho nos reconhecer como mamíferos?

    Jesús < Muito simples: porque durante séculos os dominantes vem nos mentalizando e enlouquecendo, mentalizados e enlouquecidos que são, impedindo de ver o natural, submetendo nossas vidas a essas idéias malucas, em conseqüência de todo o domínio que impede o livre processo de nossa mente ao natural, a sua conquista, o que impede vermos a todos companheiros, ver o denominador comum que nos une para além dos incontáveis números ​​diferentes que confundem-nos, e enfrentar a nossa complexidade; ver, finalmente, a ajuda mútua como a única “lei”, a única “moral”, a única “verdade”… Ver o que, francamente, somos: mamíferos…

    Antonio > Está longe o Mundo Real Poético?

    Jesús < A poesia do mundo real está aqui, no natural, na sua beleza, na sua inocência, na fusão da unidade e do diverso. Somente nossa loucura nos impede de apreciá-lo, entre as luzes e as sombras naturais, perdidas no poço político. E, claro, é preciso ter fé na humanidade, no natural, para aspirar que essa mudança de estrutura seja possível… enfim: leia Lizania, aventura poética e libertária.

    Para baixar o livro em PDF: http://www.lizania.net/

    Fonte: Periódico “CNT” – junho de 2011

  • [Portugal] Crônica da Feira do Livro Anarquista de Lisboa

    De 20 a 22 de maio aconteceu nas dependências da Barbuda a 4ª edição da Feira do Livro Anarquista de Lisboa. Para além da divulgação das idéias anarquistas a partir dos livros e das publicações ali presentes, cumpriu o objetivo de levar a debate idéias e análises sobre questões “que assaltam a vida em tempos de guerra social” tal como é referido no manifesto de apresentação da Feira.

    A noite de sexta-feira (20), lua cheia à vista e com cheirinho de verão, convidou a ocupar a praça, e assim, ao redobrado prazer de rever o/as companheiro/as juntou-se o relato do mês de ocupação da “ES.COL.A” através de dois interventores, da desocupação violenta de que foram alvo, da luta que continua. A 10 de maio, no Porto, a antiga escola do Alto da Fontinha, ocupada um mês antes, após cinco anos de desativação, foi violentamente desocupada e com sete ocupantes detidos. Um projeto educativo para as crianças do bairro estava a ser implementado no momento. Uma iniciativa antiautoritária que incomodou o poder. Esse seria aliás o único motivo que poderia levar a que um edifício abandonado e totalmente degradado durante tanto tempo ao ser recuperado e posto à serviço da comunidade fosse violentamente desocupado e emparedado. Neste momento luta-se. E foi essa forma de luta que levantou mais questões… mas também a constatação de como durante um mês foi uma fonte de inspiração, um exemplo de autonomia e de luta contra a gentrificação.

    Gentrificação. Este foi um tema presente ao longo dos três dias do evento, especialmente no domingo, através da exibição do excelente documentário “Império St. Pauli”, que aborda os vários aspectos da gentrificação e as formas de luta adotadas contra ela, num bairro de Hamburgo, na Alemanha.

    No sábado (21) foi abordado o tema do “Desenvolvimento” através dos seus efeitos nefastos, caso do TGV (Trem de Alta Velocidade), ou da gentrificação resultante de outros planos, particularmente nas cidades. Um debate a continuar, já que as formas de travar esse desenvolvimento e de se passar ao ataque são vários.

    As recentes manifestações massivas de descontentamento nas ruas, na Espanha e em Portugal, convocadas por diversos movimentos sociais, foram alvo de atenção e motivo de discussões múltiplas no domingo (22). Refletiu-se, em seguida, sobre os caminhos que poderão levar a uma ruptura com o Estado e com a economia, procurando os pontos de confluência entre eles.

    A repressão policial no 1º Maio anticapitalista e anti-autoritário de Setubal suscitou, como seria de esperar, uma análise viva e amplamente participativa que abordou, entre outras coisas, as questões da comunicação e da intervenção social anarquista assim como a luta contra toda a autoridade. Em particular o fascismo, travestido ele de que forma estiver.

    Foi dado destaque ao recrudescimento dos ataques da extrema-direita em toda a Europa, seja pela cobertura dada pela polícia, em muitos casos, seja devido à conjuntura econômica, pois potencia o recrudescimento da xenofobia. Em particular, o caso da Grécia, tendo sido transmitido o apelo à solidariedade internacional feito por companheiro/as gregos em luta contra uma brutal repressão estatal e a perseguição dos imigrantes. Neonazis, juntamente com a polícia, têm vindo a atacar okupas do centro de Atenas, levando companheiro/as a uma situação em que é preciso defendê-los contra o perigo de perder a própria vida, contra a brutalidade policial e a barbárie fascista Também o número de imigrantes assassinados tem vindo a aumentar. Neste ano e nos dias que se seguiram à greve geral de 11 de maio dezenas de imigrantes foram seriamente feridos e um imigrante foi morto, em pogrons (linchamentos) realizados em vários bairros da capital grega.

    A saborosa comida vegan, os momentos de poesia surrealista, a simpatia do coletivo que nos acolheu, os livros e revistas que nos animam ali tão perto, os exemplos de luta e de resistência, ficarão na memória de todo/as. As afinidades que resultam, a compreensão de outros pontos de vista, o reforço da auto-organização, a quebra do isolamento, a alegria de sermos mais e mais a cada ano que passa, a descoberta, a criatividade, a desmontagem do machismo ainda presente, constituem recordações já, motivos redobrados para se começar a pensar na próxima edição desta outra forma de luta. Anarquista.

    Emília Cerqueira

  • [Espanha] Tattoo Circus acontece neste fim de semana em Barcelona

    [Espanha] Tattoo Circus acontece neste fim de semana em Barcelona

    [Acontece neste final de semana 20, 21 e 22 de maio, no Centro Social Okupado La Forsa, em Barcelona, mais uma edição do Tattoo Circus, como ferramenta de apoio aos presos e presas que decidiram declarar guerra ao Estado a ao Capital e que estão pagando por isso nas malditas prisões. O evento, além das tatuagens, piercings, escarificações, terá todos os dias palestras, vídeos, exposições, concertos, performances, suspensões, comedores veganos… A seguir reproduzimos uma entrevista realizada pelo portal lahaine.org com os organizadores do Tattoo Circus.]

    Pergunta > Quando e como surgiu a idéia de organizar o Tattoo Circus em Barcelona?

    Resposta < O Tattoo Circus nasce em 2007 em Roma, dada a necessidade de cobrir os custos de várias compas na Itália. Aproveitando que muitos tatuadores fazem parte do movimento anarquista, é organizado no Ateneo Ocupatto, uma espécie de convenção alternativa, com tatuagens e concertos, em que todos os rendimentos vão para a luta pró-presos; se cria assim um precedente que rompe com a dinâmica domesticada da maioria das convenções oficiais, trazendo o conceito de solidariedade revolucionária a um mundo, o das tatuagens, que nos últimos anos, com seu crescimento, foi dominado pelo comércio e pela aparência, esquecendo a verdadeira essência da tatuagem.

    Pouco tempo depois a iniciativa chega a Barcelona, ​​onde se realiza pela primeira vez no bairro de La Salut. Desde então, a Tattoo Circus se realiza em muitos lugares: Tessalônica, Londres, Roma, Torino, Cádiz… Em Barcelona, ​​esta será a 4ª edição. E se está estudando realizar em breve em Madri e Amsterdã.

    Pergunta > O que os motiva a realizar o Tattoo Circus a cada ano? Para que e por que o vê necessário?

    Resposta < O principal motivo que move o Tattoo Circus é a necessidade de continuar a financiar tanto as campanhas de apoio a presos e presas, como também advogados, peculiaridades e todas as despesas decorrentes dos golpes repressivos do Estado e seus capangas. Cada ano a arrecadação é geralmente para 5 ou 6 casos diferentes, em que os companheiros enfrentam condenações a penas de prisão muito elevadas, ou já estão sendo cumpridas.

    Portanto, é importante não só financiar as campanhas de apoio, mas tornar público os casos para que se estenda o máximo possível à solidariedade – para isso no Tattoo Circus se realizam palestras a respeito, assim como exposições, sessões de vídeo, correio para escrever para os presos e outras iniciativas anti-carcerárias. Ao mesmo tempo, cria um ponto de encontro para ver uns aos outros em torno de uma atividade que, por outro lado, é muito divertida. Esta é uma outra faceta da Tattoo Circus… a nível artístico e lúdico há uma abundância de coisas divertidas para fazer, desde fazer uma tatuagem, piercing ou escarificação, ou ver como eles fazem, até desfrutar de shows, performances (suspensões, freakshows…), comedores…

    Pergunta > Como você avalia a assistência e o apoio dos anos anteriores?

    Resposta < A verdade é que até agora todas as Tattoo Circus que têm sido feitas têm sido um sucesso absoluto. Primeiro porque o atendimento tem sido grande e não para de trabalhar, o que fez com que a situação econômica de todos vai muito bem… e porque o sentimento de todos os participantes tem sido muito bom, criando laços fortes entre os organizadores de toda a Europa. Parece o típico discurso triunfalista de partido político (risos), mas é realmente assim.

    Pergunta > Os tatuadores e participantes, o fazem de forma desinteressada?

    Resposta < Sim, sem cobrar absolutamente nada por participar do Tattoo Circus. É um dos pilares que o sustentam. Apela-se para a solidariedade de cada um, na medida em que queiram se envolver. De fato, os custos são minimizados ao máximo para que a arrecadação seja grande o quanto possível. Assim, não são pagos nem os tatuadores, bandas que tocam, nem a quem cozinha ou limpa… só se custeiam as despesas de viagem aos tatuadores ou piercers, se eles não têm dinheiro para participar, pois é necessária sua presença, visto que são, entre aspas, o motor econômico indispensável do Circus (isto a nível prático é raro porque ou são tatuadores locais ou aqueles que vêm de fora e não pedem nada para eles).

    Os preços das tatuagens são bastante baratos (menos de um terço do que eles valem na rua) para que sejam acessíveis, mas alto o suficiente para que ao final o benefício seja também alto o suficiente. A entrada é gratuita e alimentos e bebidas têm preços populares.

    Pergunta > Qual a sua opinião sobre o sistema prisional?

    Resposta < A prisão é a face mais cruel desse sistema sujo e, como tal, o nosso único objetivo é destruí-lo. É uma máquina destinada a triturar fisicamente e psicologicamente a todos que não entre pelo aro, a todos os rebeldes sociais e, finalmente, todos os que atacam ou questionam o funcionamento desta máquina demente chamada de Estado/Capital. É necessário golpear a máquina onde podemos com toda a força possível, e é necessário não deixar somente a quem se vêem reféns dela. Este monstro é baseado em isolamento e impunidade; é essencial que nós quebremos esse isolamento, acompanhando aqueles que estão sofrendo repressão, sendo suas vozes na rua e apoiando as lutas que temos dentro; assim apontamos os responsáveis pelo abuso diário dentro dos muros e desmascaramos a selvageria do sistema prisional em si.

    Já que estamos falando de tatuagens, há uma boa metáfora a este respeito: a tatuagem lendária dos cinco pontos: em alguns lugares na América do Sul representa o prisioneiro no meio, cercado por quatro carcereiros… mas, se visto de outro ponto de vista tem um outro significado: na rua, a tortilha dá a volta e é o carcereiro quem está no meio, cercado por todos. Assim que vejo…

    Pergunta > O que podemos esperar este ano? Que eventos e atividades estão organizando?

    Resposta < Bem, este ano terá cerca de 25 tatuadores de todos os estilos, 3 piercers e 2 escarificadores, que são responsáveis ​​pela marcação de tudo o que resta…  serão realizadas palestras toda tarde às 17h (“Como atuamos com a repressão?; “Situação atual da Companheira Tamara”; “Xose Tarrio”; “A repressão na América Latina”) e projeção de filmes (mais notavelmente um muito interessante sobre talego e tatuagens na Rússia, que estamos tentando traduzir); na sexta-feira à noite e domingo haverá freakshows e faquirismos variados, e shows no sábado. Domingo à tarde se fará suspensão e estará aberto para quem quiser experimentar. Todos os dias se fará comedor e cenador vegeta e haverá exposições sobre vários temas… De toda forma em um par de semanas será divulgado o programa definitivo e publicado na Internet.

    Pergunta > Se você quiser acrescentar algo…

    Resposta < Sim, somente lembrar às pessoas que o horário de funcionamento é das 11h às 24h, todos os dias (sexta, sábado e domingo) em La Forsa Cornella; que por motivos de saúde não podem entrar cães ou qualquer animal, nem se pode fumar na área de tatuagem, e se animem e venham participar com a mudança, que será muito bom e também é uma necessidade e é urgente aumentar a massa suficiente para 6 histórias para este ano… Assim, nos vemos lá!

  • [Espanha] Livro: Farto de tudo. A história oral do punk na cidade de Barcelona (1979-1987)

    [Espanha] Livro: Farto de tudo. A história oral do punk na cidade de Barcelona (1979-1987)

    Documento vital que registra, pela primeira vez de forma séria e verdadeira, a história do punk e do hardcore catalão.

    “Farto de Tudo” é uma história oral da erupção do punk na cidade de Barcelona durante os anos de 1979 e 1987, e reflete a experiência pessoal de uma série de pioneiros que viveram o germe e a evolução desta comunidade. Em “Farto de Tudo” confissões são abundantes dos primeiros grupos punk e hardcore (Último Resorte, Attak, Shit S.A., Kangrena, Sentido Común, Frenopatikss, L’Odi Social, GRB, Subterranean Kids, HHH, Skatalà…) mas também aqueles envolvidos em fanzines (NDF), rádios livres (Rádio Pica), primeiras lojas ou locais auto-gestionados (Informe o Kafe Volter) ou, simplesmente, os heróis de rua que tomaram o passo corajoso de se declararem punks na cinzenta Espanha de 1979 .

    Através do testemunho honesto e apaixonado de todos estes exploradores conhecemos suas descobertas: o seu primeiro contato com o punk rock, como se fundiram a raiva nativa com os preceitos de um movimento juvenil Inglês, adaptando sua estética e ideologia ao sentir o cotidiano dos nossos protagonistas, o nascimento da Do It Yourself (ou autogestão), a conexão com outros atiradores similares ao redor do mundo e da criação de uma rede de informação internacional; o papel das drogas (heroína e anfetamina), as primeiras ocupações, a progressiva consciência política dos punks e sua evolução musical, estética e ideológica para o hardcore (e o papel que representou a visita dos americanos MDC nesta mutação), o surgimento dos skinheads e sua posterior bifurcação em dois ramos opostos políticos, e assim por diante.

    E, acima de tudo, a música: forte, veloz, intensa, raivosa, feita por eles e para eles.

    “Farto de Tudo” é, no todo, um documento fundamental que registra, pela primeira vez de forma séria e verdadeira, o surgimento e a história de punk e hardcore catalão. Feito com amor e cheio de detalhes, repleto de um espetacular material visual de arquivo e escrito com uma sinceridade arrebatadora, este é um trabalho de importância comparável aos estrangeiros do gênero, como “Por favor, me mate”, “Banned in DC”, “From Velvets to the Voidoids” ou “Hardcore California” e não pode faltar na bibliografia de qualquer estudioso/ aficionado do gênero.

    Harto de todo. Historia oral del punk en la ciudad de Barcelona, 1979-1987

    Autor: Jordi Llansamà – Editorial: BCORE – Preço: €25.00 – Páginas: 625 p. – Tamanho do livro: 23×15 cm – ISBN: 9788461467877

  • [Espanha] Documentário “O cinema libertário”

    [Espanha] Documentário “O cinema libertário”

    Ao se dar o estopim da guerra civil espanhola em julho de 1936, o sindicato anarquista CNT socializou a indústria de cinema na Espanha. Em Madri e Barcelona os trabalhadores de cinema assumiram, através do sindicato, os meios de produção e se produziram numerosos filmes. Isto deu lugar a um período único que não voltou a acontecer em nenhuma outra cinematografia mundial.

    Apesar do país estar imerso em uma guerra sangrenta, entre 1936 e 1938 foram rodados e exibidos filmes das mais variadas temáticas: dramas sociais, comédias musicais, filmes de denúncia e documentários bélicos. Todos eles compõem um variado mosaico que dá lugar a um dos momentos mais insólitos e originais da cinematografia espanhola.

    Através da opinião de diversos pesquisadores, assim como do depoimento do diretor de fotografia e restaurador espanhol, Juan Mariné, o documentário revisa cada uma das produções que constituem um legado excepcional da cinematografia espanhola.

    Foi um período muito efêmero durante o qual os roteiristas, os diretores, os técnicos e os atores espanhóis trabalhando juntos e sem hierarquias demonstraram uma das máximas do mundo do espetáculo: apesar dos bombardeios, da fome e do drama da guerra, o espetáculo devia continuar, e continuou.

    Veja o filme aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=I6Y3h8s5-3M&feature=player_embedded

    Aqui galeria com 54 imagens:

    http://www.iimmgg.com/gallery/gabe7583b9801c4d9205844cb2ee06ae1/

    Tradução > Juvei