Categoria: Arte, Cultura e Literatura

  • [Grécia] Exarchia, Crise e Greve Geral

    [Grécia] Exarchia, Crise e Greve Geral

    As ruas de Exarchia estão quase vazias. A maioria dos atenienses deixaram a cidade durante a Páscoa, um dos maiores feriados do ano por aqui, então as suas ruas normalmente movimentadas estão vazias. As lojas e os cafés têm as portas de segurança trancadas, revelando a arte de pinturas coloridas de spray anti-autoritárias. As imagens de manifestantes utilizando máscaras de gás, as palavras de ordem contra o capitalismo e contra o governo e tributos aos militantes presos cobrem as paredes de quase todos os edifícios, revelando um pouco da contra-cultura que geralmente acontece aqui.

    Exarchia é conhecida em Atenas como o centro de lutas sociais. Este bairro densamente povoado tem a reputação de ser anti-sistema e de ser o abrigo de estudantes, anarquistas, artistas e esquerdistas de todos os tipos. Um mês de protestos por todo o país foi atiçado em Dezembro de 2008 quando um estudante do secundário e anarquista de 15 anos foi atingido a tiro e morto pela polícia perto da Praça de Exarchia. A maioria dos atenienses odeia a polícia, e quando este jovem foi morto todo o país explodiu. A mãe de Alexis construiu um memorial na esquina onde ele foi morto com a sua foto e as seguintes palavras:

    Aqui, no dia 6 de Dezembro de 2008, sem qualquer razão, o sorriso de criança foi extinto do inocente Alexis Grigoropoulous de quinze anos de idade pelas balas dos assassinos sem perdão”.

    Sinais dos protestos de Dezembro de 2008 podem ser ainda encontrados por aqui. Um edifício governamental que alojava o Ministério das Finanças continua vazio; resquícios de uma estrutura completamente queimada. Janelas que ainda se encontram partidas noutros edifícios, palavras de ordem que não foram bem lavadas e pintadas de stencil de Alexis podem ser ainda encontradas em pilares de mármore por toda a cidade.

    Este bairro é a morada da Universidade Politécnica, onde muitos confrontos entre estudantes e polícia tiveram lugar. Na Grécia a polícia não pode entrar nas universidades. A 17 de Novembro de 1973, dezenas de estudantes que se revoltaram contra o governo militar foram atingidos por balas por militares no auge de um movimento massivo de protesto. Apenas alguns meses depois, o governo caiu e foi substituído por uma Democracia moderna. Os gregos não esqueceram este acontecimento e estão preparados contra o ataque às suas liberdades. Eles são especialmente sensíveis no que diz respeito às incursões policiais nas universidades e são várias vezes postos fora por estudantes e anarquistas que recusam que a história se repita.

    O 1º de Maio está ao virar da esquina e apenas dez dias depois há uma greve geral. O campus Politécnico em Exarchia será sem dúvida o coração de muitos confrontos que terão lugar neste mês que vem. A economia grega está de rastos, os trabalhadores estão sobre um constante ataque e as pessoas que aqui vivem estão furiosas. Toda a gente por aqui fala da greve geral como algo com potencial para dar início a uma revolução. Muitos comparam a corrente crise ao colapso da economia Argentina em 2001, que levou a protestos massivos por todos os setores da população. Dez anos passaram desde então e o governo grego está numa situação muito parecida. Estão encurralados pelo alto valor do Euro e estão a ser forçados a atacar financeiramente a sua própria população pelo FMI e pela União Europeia. A Grécia é um barril de pólvora. Será a greve geral de 11 de Maio o rastilho.

    Imagens de Exarchia, Atenas:

    http://www.flickr.com/photos/insurgent/sets/72157626467288653/with/5661189181/

    Tradução > P.M.

    Nota da “ANA”:

    Os gregos e gregas farão uma nova Greve Geral nesta quarta-feira, 11 de maio, para protestar contra as medidas de austeridade e as privatizações receitadas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

  • [França] Lyon: Uma TAZ contra o Estado fascista francês

    [França] Lyon: Uma TAZ contra o Estado fascista francês

    No dia 10 de abril, domingo, ocorreu na Place de la Croix-Rousse (Praça da Cruz Vermelha), em Lyon, uma TAZ (Zona Autônoma Temporária) contra a lei LOPPSI 2, com o lema: “Manifestival por nossas liberdades”. O acampamento de resistência reuniu centenas de pessoas, entre crianças e adultos, num ambiente divertido, animado e subversivo.

    O evento contou com diversas atividades: bate-papos, feira de trocas e sem preço, concertos, teatro, performances, roda de brincadeiras, pinturas etc.

    Recentemente, a Assembléia Nacional Francesa aprovou em primeira instância a Lei de Orientação e Programação para a Segurança Interior, a lei LOPPSI 2. O objetivo das autoridades francesas com essa lei draconiana é “tornar a França um lugar mais seguro”, permitindo que o governo instale trojans nos computadores dos usuários para monitorá-los.

    A LOPPSI 2 abrange diversas áreas, como criminalização do roubo de identidade na web e pedofilia, e prevê maior investimento da polícia na ampliação do banco de dados de DNA, monitoramento do acesso à internet, grampos de linhas telefônicas, entre outros assuntos.

    Uma das propostas da lei LOPPSI 2 obriga provedores de acesso a bloquear ou filtrar sites que o governo determinar.

    Para ampliar esta luta contra a lei LOPPSI 2, vários acampamentos de resistência e ação estão sendo organizados ao redor da França, por frentes, redes, organizações, associações, grupos, sindicatos, movimentos, formal ou informal.

    Galeria de imagens da TAZ:

    http://www.flickr.com/photos/atelierdecreationlibertaire/with/5646818647/

  • [Canadá] A sacudida do rap conspirativo do “Test Their Logik”

    [Canadá] A sacudida do rap conspirativo do “Test Their Logik”

    A dupla de hip hop anarquista foi impedida de conviver depois de ser presa no G20

    Enviar rappers para a prisão por causa de um clipe parece ser um pouco demais – mas não além das possibilidades na era do G-20 de Toronto.

    O grupo de hip hop anarquista Test Their Logik (Teste a Lógica Deles, em tradução livre) – de volta à turnê depois de combater acusações de conspiração que os impediram de terem contato um com o outro – dizem que isso aconteceu durante junho do ano passado.

    Os MCs Testament e Illogik, cujos nomes reais são Darius Mirshahi e Chris Bowen, foram presos em flagrante e algemados em um domingo. Os “crimes”, até onde eles sabem, foi andarem com ativistas, planejarem protestos e fazerem um vídeo de rap convocando outras pessoas a fazerem o mesmo.

    O musicalmente e liricamente intenso “Invada a Reunião” – que foi assistido mais de 50.000 vezes no You Tube – retrata tumultos e danos à propriedade, e mostra protestantes com faces cobertas. Mas planejar um protesto não é ilegal, e o vídeo deles não é o primeiro de hip hop a retratar atividades criminosas. Então qual é o limite?

    Um dos maiores especialistas canadenses na cultura hip hop, Dalton Higgins, não tem conhecimento de nenhum caso em que letras de rap foram usadas como prova legal, mas disse que promotores americanos têm enfrentado dificuldades em fazê-lo por algumas razões.

    “Na America, o ato de usar as letras como uma prova na corte foi considerada uma violação da Primeira Emenda”, ele disse à NOW. “Por exemplo, é muito difícil provar na corte o que os rappers em questão de fato escreveram algumas ou todas as letras da música ou do CD”.

    Na manhã das prisões, Mirshahi foi rodeado por oficiais OPP (Ontario Provincial Police – Polícia Provincial de Ontário) depois de entrar no seu carro no West End, enquanto Bowen foi arrancado do protesto de solidariedade aos presos do lado de fora da prisão improvisada da Eastern Avenue. Eles foram levados para a mesma cela estilo gaiola e os oficiais os diziam repetidamente que a razão seria sua música e política radical.

    “Todos os guardas sabiam que éramos rappers”, disse Mirshahi à NOW no domingo, por telefone, numa das paradas da turnê em Saskatoon (Canadá). “Um deles disse algo como ‘Vocês são os rappers – vocês são o ás de espadas dessa merda”.

    “Por que eu sou o ás de espadas? Porque eu fiz uma música? Isso é ridículo”.

    Eles acabaram por ser liberados, mas não antes de aproveitar a oportunidade de entreter seus companheiros de prisão com uma canção controversa (que o escritor Tommy Thompson, numa cela próxima, descreveu como um “momento brilhante para nós, no inferno da prisão”). Essa seria sua última apresentação juntos por cinco meses.

    Os dois homens foram acusados de conspiração, apologia ao crime e uso de máscaras que sinalizavam intenção de cometer um crime – acusações que foram suspensas em novembro, antes que fossem sequer fornecidas provas contra eles. Até então, eles foram proibidos de relacionarem-se como condições de sua fiança – tornando impossível fazer novas músicas ou shows.

    “Naquele momento, eu percebi que eu tinha gasto $4.000… Aquelas eram as minhas economias para um ano inteiro”, disse Bowen.

    Um porta-voz da Polícia de Toronto disse que ela não tinha nenhuma informação que pudesse divulgar a respeito das prisões, enquanto a OPP disse que era contra a política dos serviços policiais falar sobre suspeitos cujas acusações tenham sido retiradas ou mantidas.

    Em resposta quanto as acusações que foram mantidas, um porta-voz do Ministério da Procuradoria-Geral disse que “a Coroa tem um dever permanente para avaliar a força de um caso e determinar se há perspectiva razoável de condenação. Neste caso, a Coroa determinou que baseado nas evidências disponíveis, o caso não preenchia esses requisitos”.

    O advogado de Mirshahi e Bowen, Russell Silverstein, disse que os seus clientes não foram as únicas pessoas a serem presas sem motivos razoáveis durante o G20.

    “Houve muitas pessoas que foram acusadas antes mesmo de alguém parar para analisar se haveria provas suficientes para julgá-las”, ele disse à NOW na semana passada.

    Enquanto acusações mantidas podem ser revividas dentro de um ano, quando foram julgados, os dois rappers acreditam estar fora da mira da justiça por agora e estão gratos por estarem fazendo música e seguindo com suas vidas.

    “Foi uma bênção camuflada em alguns aspectos”, declarou Bowen. “Eu sabia que, a longo prazo, isso fortaleceria nossa mensagem”.

    A mensagem – que fala contra autoritarismo, capitalismo e corporativização – está lado a lado com o hip hop, dub step e influencias de beats e house no novo álbum Test Their Logik, chamado “A”. Eles estão em turnê antes de seu lançamento, que será em 14 de maio, e têm um show marcado sábado em Toronto, como parte das atividades da Feira do Livro Anarquista.

    Quando questionados sobre se têm algum receio de que algumas pessoas considerem suas inclinações políticas repugnantes, os dois prontamente defendem-se dizendo que o que eles vêem é uma ideologia baseada na igualdade e auto-determinação.

    “Eu quero fazer um mundo com o mínimo de violência possível”, disse Bowen, que é também praticante de artes marciais e instrutor de yoga. “Mas se as pessoas ficam revoltadas com janelas quebradas, mas não com comunidades quebradas, eu realmente questiono seus valores”.

    Por Saira Peesker

    Fonte: NOW Magazine

    Vídeo “Invada a Reunião”:

    http://www.youtube.com/watch?v=ninV5yx7FW4

    Mais infos:

    http://www.testtheirlogik.com/

    Tradução > MCarol Recôndita

  • [EUA] 1ª Feira do Livro Anarquista de Houston

    [EUA] 1ª Feira do Livro Anarquista de Houston

    A 1ª Feira do Livro Anarquista de Houston tem como objetivo trazer literatura radical e alternativa, educação e cultura com foco na resistência e na construção de comunidades. Este evento está sendo criado como um veículo para organizar comunidades, criando redes de comunicação no sul dos Estados Unidos.

    A feira do livro terá uma variedade de distribuidoras, infoshops, livros novos e usados, em combinação com workshops, troca de habilidades, palestras e debates, facilitando o diálogo aberto. Por isso, esperamos criar um espaço de solidariedade com a comunidade anarquista, e instigar redes regionais, nacionais e internacionais.

    Virá a este evento uma variedade de organizações que, juntas, construirão uma comunidade radical no sul do país.

    Já confirmaram presence com suas banquinhas: Betch HTX/ATX (Beautiful Educated ThunderCunts From Hell), Broken Brick Distro from San Antonio, Monkey Wrench Books from Austin, Tumbleweed infoshop from Austin, ATX Mental Health, Sedition Books from Houston, Critical Resistance Houston, SDS Houston, Houston Earth First/Rising Tide, Little Black Cart, AK Press, PM Press, Ambient Transient, Iron Rail Infoshop, Long Haul Infoshop, Slingshot Collective e Arissa Media Collective.

    A Feira do Livro Anarquista de Houston será realizada de 22 a 24 abril de 2011.

    Para conferir o local e a programação do evento visite o blog:

    http://houstonanarchistbookfair.wordpress.com/

  • Já está online a Rádio Cordel Libertário

    Já está online a Rádio Cordel Libertário

    Rádio Cordel Libertário

    Individualidades anarquistas da cidade de Salvador (BA) colocaram no ar, via internet, a Rádio Cordel Libertário. Ao acessá-la, o internauta de qualquer parte do Brasil e do planeta poderá conferir noticiários, entrevistas, músicas e muito mais. Eles conversaram com a ANA sobre este projeto, confira a seguir.

    Agência de Notícias Anarquistas > O que é a Rádio Cordel Libertário?

    Resposta < A Rádio Cordel Libertário nasceu com o intuito de aumentar a comunicação entre os diversos movimentos libertários/anarquistas tanto da região nordeste como de outras regiões do Brasil e do mundo, utilizando-se da internet para estabelecer um veículo de comunicação diário que preze a interatividade e a diversidade. Dessa forma tivemos a idéia de fazer uma rádio online, principalmente pelo motivo de não conhecermos qualquer outra rádio online que seja diária, e nós libertárias/os só podermos ter acesso a informações do que acontece no Brasil e no mundo através de material escrito, que muitas vezes só temos o papel de receptador de informações.

    Além de ser uma rádio no nosso blog oferecemos noticias que são vinculadas nas principais fontes de noticias libertárias/anarquistas.

    O nome Cordel Libertário vem de um meio de comunicação bastante utilizado pelo povo nordestino, a Literatura de Cordel, como de propagar o conhecimento e a informação de uma forma, e Libertário porque compartilhamos dos ideais de luta por liberdade que só pode ser conquistado se ela for meio e fim para o ser humano se libertar de todas as opressões.

    ANA > E como é o conteúdo da rádio, a programação?

    Resposta < A Rádio além de oferecer uma programação musical bastante diversificada valorizando os sons locais, mas com letras de cunho libertário, também oferece um noticiário diário.

    ANA > Há programas ao vivo?

    Resposta < A principal programação da Radio é o noticiário Cordel Libertário Noticias, que acontece de segunda a sexta-feira a partir das 21h10, horário de Brasília, ao vivo, com participações de ouvintes seja pelo chat existente no blog seja falando ao vivo através do Skype. Nesse noticiário tentamos fazer uma busca das noticias vinculadas nos principais sites dos movimentos libertários/anarquistas, também tecemos comentários com um perspectiva libertária sobre o que foi divulgado na Grande Mídia (canais de TV e jornais), e também fazemos especiais de entrevistas com pessoas que estejam inseridas em algum espaço de luta libertária em qualquer lugar do Brasil e do mundo.

    ANA > Individualidades ou um grupo estão envolvidos diretamente com este projeto?

    Resposta < Quem iniciou o projeto são indivíduos que moram na cidade de Salvador, Bahia, que se interessaram por esse trabalho, mesmo sabendo do grande desafio que é fazer uma espaço de comunicação verbal, e com objetivo de contrapor aos veículos de comunicação burguês.

    ANA > E como as pessoas de outras cidades podem colaborar?

    Resposta < Como estamos iniciando esse projeto, temos naturalmente muitas dificuldades para ter acesso as informações sobre o que acontece no nordeste e, principalmente, no resto do Brasil, dessa forma precisamos estabelecer uma rede de comunicação com os diversos movimentos libertários/anarquistas do país e integrá-los diretamente na programação da nossa rádio, seja através de e-mails com informes do que acontece em sua região ou das respectivas ações desses movimentos, ou através de abertura ao vivo para falarem o que acharem importante divulgar.

    Como o objetivo dessa rádio é manter um noticiário de segunda a sexta, também temos o problema da disponibilização de pessoas para serem colaboradoras/es na programação, por isso, deixamos o convite para quem tiver interesse em colaborar na programação da rádio que entre em contato conosco que, com certeza, serão bem vindas/os na construção de mais um espaço de contrainformação, que possibilite a organização e a luta libertária.

    Para ouvir a rádio acesse:

    http://radiocordel-libertario.blogspot.com/

    Contato:

    › radiocordel-libertario@hotmail.com

  • [EUA] Crônica da 1ª Feira de Livros Anarquistas de Charlottesville

    [EUA] Crônica da 1ª Feira de Livros Anarquistas de Charlottesville

    No sábado, 19 de março, aconteceu a 1ª Feira de Livros Anarquistas, em Charlottesville, no espaço Random Row. É a primeira ocorrida na história do estado da Virgínia. Havia cerca de 17 organizações representadas, incluindo AK Press, CrimethInc, e muitos grupos regionais com foco no trabalho, anti-polícia, anti-prisão, homossexual, etc. e trazendo muitos textos de teoria e prática anarquista.

    Parte da feira contou com oficinas de solidariedade com prisioneiros, a história contemporânea radical da Virgínia e dois filmes: “A Face da Dignidade”, sobre o Movimento de Trabalhadores Desempregados de Solano, Argentina, e “Abrigo: Um Squatumentário”, um documentário sobre as ocupações na Bay Área, na Califórnia do Norte. Tudo terminou com um show de música e uma festa para arrecadação de fundos para o Centro Wayside de Educação Popular.

    Ao todo, participaram cerca de 150 pessoas ou mais. O mais notável foi a vasta gama de conhecimentos e identidades que estavam presentes, desde punks, a estudantes, pais, anarquistas jovens e velhos, e uma mistura de locais e pessoas que viajaram até 400 km para vir. E semanas antes de seu início, as notícias foram divulgadas o suficiente para chamar a atenção do departamento de polícia, que visitou o espaço Random Row uma semana antes da feira. Mas, felizmente, nenhum policial foi visto durante o evento. Talvez eles estivessem com medo com tantos anarquistas em um só lugar.

    Após o workshop solidariedade aos prisioneiros, surgiu um grupo de residentes de Charlottesville que está começando a se organizar, focando o sistema prisional. Também Random Row (e Charlottesville em geral) receberam uma boa dose de anarquismo, que tem sido demonstrado em esforços para fazer um grupo de livros e correspondência para prisioneiros (políticos ou não), a construção do site “cvilleanarchism.org”, e a misteriosa aparição de adesivos e pichações no centro da cidade. Esperamos que todo esse momento converta-se em algo consistente, sem se perder pela absorção das políticas estatais. Porque isso é o mais importante de eventos como este: o que as pessoas escolhem fazer depois que acontece.

    Para todos os outros anarquistas que vivem em cidades mais ou menos pequenas e dispostos a dar uma dose anti-autoritária, nós, organizadores e organizadoras da feira, recomendamos muito entusiasmados que organizem feiras ou outras atividades semelhantes para atrair anarquistas na área e atrair outras pessoas que são simplesmente curiosas. O que queremos dizer é que não se limitem a qualquer subcultura, abram o acesso à feira (quer lingüística, física, moralmente, etc.). E não se concentrem em formalidade ou na rigidez de que tudo ocorra “perfeitamente”. Sejamos anarquistas por um minuto, não? Destaquem o que é informal e orgânico: fazer amigos, compartilhar histórias, pedir/dar ajuda voluntária, etc. E, acima de tudo, fazer um ambiente divertido! Não se preocupem muito em fazer aquelas apresentações chatas de acadêmicos, discutindo 20 horas sobre o mesmo assunto. Faça uma feira anarquista.

    Saudações e solidariedade,

    Anarquistas de Charlottesville e Virginia

  • [França] Apresentação do documentário “México, a céu aberto” em Lille

    [França] Apresentação do documentário “México, a céu aberto” em Lille

    Quarta-feira, 16 de março, no Centro Social Libertário de Lille, na França, às 19h30, foi apresentado o documentário “O México, a céu aberto”, do cineasta mexicano Andrés DCO. Organizado pelo Coletivo da Raiva Digna e o Grupo de Anarquistas de Lille, essa projeção foi precedida de uma exposição fotográfica de alguns movimentos sociais da América Latina (Panamá e México, principalmente) e uma pequena conversa com o próprio diretor.

    Além de mostrar a paisagem desoladora e os terríveis efeitos ambientais, deixadas de rastro pelas mineradoras transnacionais, especialmente as canadenses que se estabeleceram no México, bem como várias formas de organização social e de resistência; o filme é um tributo a Betty Cariño, que foi membro e coordenadora da Rede Mexicana de Afetados pela Mineração (REMA) e assassinada em março de 2010, no estado de Oaxaca, e a Mariano Abarca Roblero, membro da REMA-Chiapas, morto em Chicomiselo, Chiapas, por funcionários da mineradora canadense Blackfire, em 27 de novembro de 2009.

  • Documentário: “O fim da civilização”

    FIN:CIV (o fim da civilização) é um filme que examina a dependência à violência sistemática e exploração ao meio ambiente, que domina as culturas “civilizadas” ambientais. Os tópicos de “FIN: CIV” são baseadas nos livros “Endgame”, do autor estadunidense Derrick Jensen, onde pergunta: se a vossa terra é invadida por alienígenas que destroem florestas, envenenando o ar e a água, e contaminam as colheitas, resistiria à ocupação?

    A super-exploração dos recursos naturais é a principal razão pela qual as grandes civilizações morrem. Neste momento o mundo está em crise: a economia no caos, a escassez de petróleo, o aquecimento global fora de controle e desordem política. As manchetes de jornal repetem artigos atrás de artigos sobre a corrupção e numerosas traições ao confiante público. Somos testemunhas de como este sistema entra em colapso e em seu desespero tenta agarrar tudo o que pode, até não sobrar nada.

    Dada toda esta destruição, vemos atos de coragem autêntica, por moradores nas zonas mais afetadas. “FIN: CIV” documenta atos heróicos de resistência, no seio das comunidades que sofrem a repressão contínua e a violência do sistema atual. Também “FIN: CIV” analisa os mitos mais comuns da esquerda e faz-nos analisar quais são as táticas que nos levará a um futuro melhor.

    Derrick Jensen narra várias partes de “FIN: CIV” e faz um chamado a proteger a terra como se fosse nossa mãe. “FIN: CIV” desconstrói o sistema capitalista e os mecanismos que o perpetuam, com rápidas montagens, gráficos, comédia, animação e música. Também narra as histórias pessoais, nas quais os indivíduos fazem grandes sacrifícios para defender seus lares. “FIN: CIV” é um documentário para os nossos tempos, tempos em que devemos agir com firmeza, se quisermos salvar o que resta do planeta.

    Trailer e mais infos sobre o filme:

    › http://submedia.tv/endciv/2010/10/12/finciv/

     

  • Hip-hop cubano Esquadrão Patriota

    Sou de uma família humilde, trabalhadora, de pais professores. Vivi até 22 anos de minha vida como a maioria de todos os jovens cubanos, no amparo do sistema, suas leis, sua história e educação. Até que acordei, pelo ano 2001, quando comecei a tomar consciência dos acontecimentos e fatos na minha vida e de um monte de gente com as mesmas condições. Eu queria entender por que muitos viviam cercados por tanta pobreza em um país que se gabava de dizer que aqui tudo estava bem e que os problemas eram mínimos, quando a realidade de muitos de nós, especialmente aqueles com pele escura, ficou tão danificada e afetada.

    Para aqueles momentos, mostrava sinais de descontentamento e desacordo e o culminar de tudo isto foi quando conheci o movimento hip-hop. No meu primeiro show em 19 e 10 no Vedado, conheci várias pessoas que mais tarde se tornaram meus amigos e irmãos; percebi que havia me engatado e foi uma maneira de transmitir tudo o que tinha por dentro e tinha necessidade de dizer. O rap é um modo maravilhoso de expressão.

    No começo, não me considerava apto a fazer o rap e procurei aqueles que defendiam esse gênero na minha área em Güines, de onde sou. Eu me envolvi com alguns meninos que se chamavam “Los Patriotas” (Os Patriotas). Eu lhes disse que escrevia rimas para rap, que tinha algumas coisas escritas. Pediram para vê-las e acabou que gostaram e começaram a cantar minhas músicas. Finalmente, em 2003, decidi que queria tentar fazer rap com minhas próprias canções, e “Los Patriotas” abriram o caminho para eu fazer isso com eles. Então eu comecei. Com o tempo, o projeto começou a chamar “Escuadrón Patriota” (Esquadrão Patriota).

    Desde o início sempre senti que tínhamos que ser um projeto progressista, de combate crítico, protestando, porque nós éramos da mesma realidade de grande parte da sociedade que nos rodeava. Participamos de eventos, ganhamos festivais, fomos convidados a disputas de rimas e mantendo sempre um discurso de protesto e crítica social.

    Em 2004, dois irmãos deixaram o grupo; seguimos e gravamos uma demo que foi chamada “Voces Clandestinas” (Vozes Clandestinas). Em 2005, o projeto Esquadrão Patriota é declarado “censurado” e expulso do apoio institucional, por cantar canções condenadas como “contra-revolucionárias”. Começa uma fase dura e difícil para o rap cubano e sua nova estrutura de discurso. Para o Esquadrão limitou-se à participação em muitos eventos, porque não é permitido fazer apresentações sem adesão como músico profissional em uma instituição aqui, portanto não o permitiam. Mas de vez em quando alguns irmãos que se atreviam a desafiar a ordem estabelecida convidavam o Esquadrão para as suas atividades. Durante este tempo, o outro último membro integrante do Esquadrão se separa e eu fiquei como o único MC do projeto.

    A experiência dá-me a refletir e ajustar minha estratégia musical. Em 2008 gravei independentemente, exercendo o título “Esquadrão Patriota”. O álbum foi intitulado “Mi Testimonio” (Meu Testemunho), e continuei trabalhando no hip-hop, fazendo contribuições, participando de projetos como “La Comisión Depuradora” (A Comissão Depuradora), formando a plataforma para o meu último álbum, chamado “El Legado” (O Legado).

    A missão do projeto Esquadrão Patriota é criar consciência entre as gerações, raças e grupos sociais. Carregar a responsabilidade de mudança social ou política da nossa ilha deve incluir a nossa perspectiva, a dos jovens, dos negros, de quem nos encontramos abrangidos pelo sistema.

    Rauldel Collazo Pedroso

    Fonte: Cuba Libertária, N˚19, março de 2011

     

  • [Argentina] Lançamento do vídeo-panfleto “Por que anarquistas?”

    [Argentina] Lançamento do vídeo-panfleto “Por que anarquistas?”

    Este panfleto audiovisual realizado pelo Grupo Anarquista Rosário, em 2010, oferece uma abordagem breve, mas eficaz, acerca dos fundamentos centrais sobre o que se têm formado de críticas e propostas do movimento anarquista. Remarcar uma visão de mundo oposta à burguesia dominante significa desafiar os pilares que o sustentam: o governo, capitalismo e religião, enfatizando a necessidade de compreender suas inter-relações como peças em um todo indivisível. Hoje, como ontem, é essencial a existência de ferramentas como esta produção, que reafirma a denúncia incansável da farsa de que um bom capitalismo é possível, a farsa por trás das diferenças ideológicas dos vários governos e setores políticos, por trás da salvação religiosa, dos meios de comunicação… Por conseguinte, este vídeo revê as posições críticas básicas sustentadas pelos anarquistas, e demonstra o efeito que eles têm na atualidade e continuará mantendo, enquanto esta situação não for revertida, uma vez e para sempre.

    Duração: 17 min.

    Contato:

    › grupoanarquistasrosario.blogspot.com

    › anarquistasrosario@yahoo.com.ar

    Baixar vídeo-panfleto: “Por que anarquistas?”

    › http://www.megaupload.com/?d=4BU9I5MB

    Baixar capa e contracapa + panfleto em versão texto:

    › http://www.mediafire.com/?p78d4fc4czv88hl

    Ver vídeo on-line:

    › http://www.dailymotion.com/video/xgg51w_news