Categoria: Economia

  • [Espanha] Manifestação da CNT contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais

    [Espanha] Manifestação da CNT contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais

    Milhares de militantes vindos de todas as partes do país se reuniram nesta manhã (4 de junho) no bairro madrilenho de Vallecas para denunciar a política de cortes de direitos trabalhistas e sociais que, num ritmo frenético está impondo o governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol); cortes que estão desmontando os últimos pilares de um estado de bem-estar já bastante atrofiado e incapaz de atender as necessidades humanas básicas.

    No final da manifestação no parque Azorin, se deu lugar ao comício durante o qual, Pablo Agustin, secretário de Ação Sindical do Secretário Permanente, Luis Fuentes, ex-Secretário-Geral e Antonio Baena, secretário de Ação Sindical da Regional da Andaluzia.

    Entre outras questões, como a crise, o apoio ao movimento do 15-M, ou a necessidade de ampliar a contestação nas empresas, uma das mais denunciadas foi a reforma da negociação coletiva, que, na opinião da CNT e, apesar da promulgação da ruptura, seus protagonistas já tinham acordado anteriormente em 90%. Agora o texto será aprovado pelo Decreto do Governo e, igual maneira, deixa claro que a reforma não será equilibrada e modificará a estrutura de negociação coletiva para favorecer os interesses empresariais, facilitando a redução salarial e a perda do poder aquisitivo, ampliará a desregulamentação e a flexibilidade do trabalho nas empresas, perderão direitos adquiridos nos acordos, serão criados novos modelos de contratos lixo para os jovens e se darão as Mutuas Patronais competências nas enfermidades comuns e se ampliará o controle e a pressão contra os trabalhadores que adoecerem.

    Em suma, e sob a égide da reforma da negociação coletiva, será levado a cabo uma Reforma Trabalhista muito mais profunda e prejudicial aos interesses dos trabalhadores que a já realizada em 2010 e irá, assim, juntar-se a vergonhosa ASE (Acordo Social e Econômica), assinada em fevereiro pelos sindicatos CCOO (Comissões Obreiras), UGT (União Geral dos Trabalhadores), a Patronal e o Governo, e onde se contemplava os cortes nos benefícios.

    Contra isso, os trabalhadores e trabalhadoras organizados na CNT se rebelaram e decidiram romper de uma vez com as dinâmicas do medo, o desânimo, a divisão e o cada um por si, para começar a tomar as ruas para dizer basta, como já estão fazendo milhares de trabalhadores e trabalhadoras em outras partes do mundo.

    Esse processo de mobilização, para ter uma capacidade real de enfrentar o ataque à classe trabalhadora, terá que ser construído a partir de diferentes organizações e movimentos sociais desde a rejeição do Pacto Social e numa perspectiva anticapitalista. A CNT realizou um chamamento para começar a trabalhar nesse sentido.

    O 4 de junho é apenas um primeiro passo, em que foi incentivado a participação dos trabalhadores e trabalhadoras em todas as esferas da vida, que compartilham esta necessidade de se organizar e lutar.

    Federação Local de Sindicatos de Madri

    Domingo, 5 de junho de 2011

  • [Romênia] Chamada para o acampamento Reclaim the Fields 2011

    A comida, a terra, as sementes, a água e conhecimentos indígenas são muito importantes para serem considerados como mercadorias e centralizados de forma capitalista. Tentamos resistir à lógica do lucro sobre nossas vidas. Tentamos praticar um estilo de vida camponês alternativo para cultivar e viver juntos. Nós reivindicamos o campo!

    Rosia Montana é um povoado na cordilheira Apuseni na Romênia, que está ameaçada de ser destruída por um projeto de mineração de ouro. Nós declaramos a nossa solidariedade com os habitantes de Rosia Montana, que defendem suas terras contra o roubo de terras e a exploração por mais de 10 anos.

    Há uma longa história de lutas pelo acesso e controle da terra na Europa e em outras partes do mundo, e é importante compartilhar a diversidade das experiências atuais.

    Se você é ou deseja ser um agricultor, apicultor, ativista, quer cuidar de um jardim urbano, pescar de forma artesanal… junte-se a nós, para o terceiro acampamento Reclaim the Fields, que ocorrerá em Rosia Montana, de 21 a 30 de setembro de 2011.

    Juntos, criaremos um espaço comum para compartilhar experiências e realidades, onde poderemos compartilhar técnicas e conhecimento, ampliar o movimento Reclaim the Fields, reunir nossas energias, reforçar as lutas locais, encontrar conexões entre nós e também com outras lutas anticapitalistas e anticolonialistas e comemorar juntos essas lutas.

    Espalhemos as sementes da resistência!

    Durante o acampamento, convocaremos a Assembléia Geral da Reclaim the Fields, nos informando sobre as diversas ações concretizadas ao longo dos últimos dois anos e imaginando o futuro da constelação. Vamos pensar sobre o acesso a terra e a autonomia de alimentação; faremos ações diretas, trocaremos sementes e idéias sobre resistência, as práticas agrícolas,  questões de gênero…

    O programa é participativo e composto por uma grande variedade de oficinas, atividades práticas, eventos culturais e, principalmente, de tempo para nos conhecer melhor. Precisamos da contribuição dos participantes; se você deseja realizar uma oficina ou palestra, se você é um artista ou de um coletivo e quer compartilhar técnicas e conhecimentos, entre em contato conosco e contribua para a diversidade do acampamento. As propostas devem ser enviadas até 1 de julho, para que possam ser publicadas.

    A cozinha e a logística do acampamento serão organizadas coletivamente. Contamos com sua participação ativa. Esperamos que o acampamento seja também um espaço para as crianças. Uma creche será organizada coletivamente.

    Pediremos doações. Mas se você estiver com dificuldades financeiras que impeçam que você venha, avise-nos.

    Para mais informações, consulte www.reclaimthefields.org e se inscreva.

    Contato: camp2011@reclaimthefields.org

  • [México] Artefato explosivo é detonado numa sucursal do BBVA-Bancomer

    Comunicado:

    Em 23 de maio, às 2 da manhã, decidimos detonar um artefato explosivo na filial do BBVA-Bancomer, localizado na Calçada Ignacio Zaragoza, esquina com Agua Caliente, na Delegação Iztacaldo do Distrito Federal.

    O alvo escolhido não é ao acaso. Este banco, de origem espanhola, é o segundo maior banco da América Latina em volume administrado e o primeiro na gestão dos planos de pensões e de seguros. Estas são algumas de suas estratégias de “responsabilidades corporativas”: promover conflitos bélicos no mundo através do financiamento de empresas armamentistas e do comércio neste setor; o financiamento de bombas de fragmentação (usado por Kadafi para bombardear Misrata na Líbia); lavagem de dinheiro do narcotráfico; financiamento de projetos altamente poluentes (Oleoduto de Petróleo Pesado (OCP) no Equador, gasoduto Gasyrg na Bolívia, megapapeleira da ENCE no Uruguai e financiamento de minas a céu aberto no Chile e Peru); financiamento do Repsol YPF e Iberdrola (que produzem energia a partir de combustíveis fósseis), contribuindo para as emissões de CO2 e as mudanças climáticas.

    Embora o Sr. Mancera esforçar-se para desqualificar a ação desta madrugada, falando sobre jovens vândalos com os rostos cobertos, a partir desta declaração, queremos dizer nos sobram motivos para atacar a estes símbolos do capital. Ante o que consideramos estratégias de extermínio, responderemos com fogo até que a última dessas empresas neocolonizadoras desapareça deste país e do mundo.

    Reivindicamos esta ação como uma forma de solidariedade com os nossos companheiros presos no Chile. Com isso também, recordamos o companheiro Mauricio Morales, que foi morto quando detonou os explosivos que usaria contra a Escola de Gendarmaria.

    A solidariedade não entende fronteiras. A ação insurrecional tão pouco.

    Pela destruição do sistema capitalista.

    Pela liberdade dos 14 presos políticos do Chile.

    Pela liberdade dos companheiros mexicanos presos Adrián Magdaleno e Braulio Durán.

    Pela liberdade de nossos companheiros presos na Grécia, Bielorrússia e Estados Unidos.

    Em memória de Mauricio Morales e Patricia Heras.

    CRIA (Célula Revolucionária Insurrecional Anarquista)

  • Protesto anti-G8 na França

    Protesto anti-G8 na França

    Milhares de pessoas participaram neste sábado (21 de maio) na cidade portuária de Le Havre, de uma passeata contra a cúpula do G8 (grupo composto por Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, Alemanha, Japão, Itália e Canadá) que será realizada nos dias 26 e 27 de maio em Deauville, balneário luxuoso do noroeste francês.

    Diversas organizações convocaram a manifestação, que percorreu as ruas centrais da cidade. Os protestantes carregavam muitas faixas, cartazes, bandeiras, panfletos e não paravam de gritar palavras de ordem contra o G8.

    No final da passeata um grupo de anarquistas atacou com pedras e paus alguns estabelecimentos bancários e fizeram pichações anticapitalistas.

    As autoridades francesas mobilizaram um forte dispositivo policial por causa da manifestação, a primeira organizada na França contra a cúpula. Outros protestos estão sendo organizados para os próximos dias.

    Mais de 12 mil homens serão mobilizados para proteger presidentes e chefes de governo que participarão da cúpula do G8 e evitar o acesso a uma área do centro de Deauville. Quarenta helicópteros das forças armadas e da defesa civil estarão disponíveis na área, assim como aviões teleguiados para vigiar a partir do céu e uma dezena de veículos blindados, navios de guerra e lanchas rápidas e duas baterias de mísseis terra-ar, posicionadas em locais estratégicos da cidade, que também terá o espaço aéreo fechado durante a cúpula.

  • [Grécia] Chamado urgente à solidariedade internacional!

    Companheiros e companheiras, o objetivo desta mensagem é informá-lo brevemente sobre o que aconteceu durante os últimos dias em nosso país e fazer um chamado para a solidariedade internacional dos anarquistas de todo o mundo.

    A Grécia está em um ponto de inflexão e ocorrem muitas e críticas mudanças na sociedade, como na política e na economia. A desarticulação e dissolução, até o presente momento, do modelo de autoridade e de exploração é mais do que evidente e torna concreto o que é geralmente chamado de “crise”. O que nós estamos vivendo em definitivo é o fracasso absoluto de um sistema que, não podendo fazer mais nada para garantir o consenso social, se lança em um ataque frontal, sem condições e sem desculpas de qualquer tipo.

    Quando começou a conjuntura que se chamou de “crise”, a agressão foi manifestada em termos materiais – com a desvalorização do trabalho, redução dos salários, flexibilização das condições de trabalho, a institucionalização da instabilidade, o aumento dos preços dos artigos de primeira necessidade e as contas de bens de interesse comum, o aumento dos impostos e a redução dos serviços de bem-estar. Ao mesmo tempo, começou a liquidação a “particulares” da riqueza pública, a presença generalizada da polícia nas ruas, leilões, o aumento do desemprego…

    Paralelamente, se articulou um ataque de propaganda sem precedentes, em um ritmo frenético de publicação, com os meios de comunicação controlados pelo Estado e pelo Capital, cenários de desastre e calendários com datas “apocalípticas”, como “…se não for aprovada a próxima injeção de empréstimo pela troika [Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE)], estamos falidos…”. Com todo este mecanismo de comunicação da autoridade, consegue embaçar a visão continuamente, mantendo um estado de terror permanente, e assegurar definitivamente a paralisia, por meio da coerção, do corpo social.

    Apesar de todo o exposto, nunca cessou a resistência dos grupos da sociedade grega e do proletariado. As poucas convocações para greves gerais partem dentro de um contexto definido em maior ou menor medida por pessoas que resistem e expressam sua intenção de lutar contra as condições impostas pelo Estado e Capital.

    A manifestação da greve em 11 de maio em Atenas trouxe novamente milhares de manifestantes para as ruas, que expressaram sua oposição às novas medidas anti-sociais do governo, que afogam os trabalhadores e toda a população. Durante a manifestação, e enquanto alguns iam deixando a área do Parlamento para finalizar a marcha, a polícia atacou brutalmente e com raiva os blocos dos manifestantes mais radicais, e os blocos de anarquistas e anti-autoritários, as assembléias de bairro, as corporações operárias de base e a esquerda extra-parlamentar. Golpeando com muita dureza e utilizando grande quantidade de substâncias químicas, diluíram os blocos mencionados. Mais de cem manifestantes foram levados para hospitais e alguns deles submetidos à cirurgia.

    O companheiro Giannis é o manifestante que está em pior situação. Tendo recebido um ataque assassino por parte da polícia, e com ferimentos graves na cabeça, foi transferido em situação de quase-morte (de acordo com a declaração dos médicos) para o hospital. Lá, foi vista a verdadeira extensão da hemorragia interna na cabeça, foi operado rapidamente e assim entrou, entubado e em estado grave, na unidade de terapia intensiva. Sua condição é crítica mas estável, mas ainda não superou o perigo de morte ou danos irreversíveis à sua saúde.

    Claramente estes ataques assassinos contra os manifestantes grevistas na quarta-feira tinham um único objetivo: assustar as pessoas e os que resistem às agressões da autoridade estatal e econômica. Foi uma ação exemplificadora a fim de subjugar o povo e que parecia ter a seguinte mensagem: mantenham-se em suas casas e permaneçam tranqüilos e disciplinados.

    Em seu quadro de ações o poder alista, cada vez de forma mais contínua, seus jovens de extrema-direita e/ou paraestatais. Os focos de violência racista, que estão se multiplicando em todo o país recentemente, tiveram seu pico na última semana. Com a desculpa de assassinato a sangue frio de um morador do centro de Atenas, durante a tentativa de roubá-lo, por imigrantes, se estendeu um massacre sem precedentes contra eles. Grupos fascistas, organizados ou não, de racistas e de ultra-direitistas, encontraram sua oportunidade; estão se concentrando a cada tarde e atacam os imigrantes, ferindo a muitos, e parece que o assassinato de um imigrante se deve aos mesmos. Paralelamente, neonazis juntamente com a polícia atacam okupas do centro de Atenas, levando companheiros a uma situação em que devemos defendê-los contra o perigo de perder a própria vida, contra a brutalidade policial e a barbárie fascista.

    A situação critica é clara. No momento em que a sociedade recebe um golpe sem precedentes em termos materiais, seus grupos políticos mais radicalizados e, especialmente, o ambiente anarquista, estão na mira (e desta vez literalmente, a julgar pela mania homicida) da polícia e fascistas.

    Por isso, apelamos urgentemente para a solidariedade internacional!

    A solidariedade sempre foi um valor fundamental dos anarquistas. Nela que sempre nos baseamos para apoiar nossas lutas e para enfrentarmos a lógica do isolamento e de si mesmo, que impulsiona a autoridade do Estado, assim como o individualismo e da decomposição do coletivo que coloca o capitalismo.

    No momento em que a sociedade grega e o proletariado estão sob crescente pressão, com um agravamento das condições de vida não visto até o momento; nestes tempos em que nós anarquistas recebemos um golpe repressivo do tamanho de uma tentativa de assassinato em si; nestes tempos em que o ambiente político anarquista está na mira da violência do Estado e da ameaça do fascismo; temos de ver os nossos companheiros de todo o mundo agir e manterem-se solidários com nossa luta, através de jornadas, manifestações, passeatas, protestos, textos, por palavras e por ações, da forma que considerem mais adequada. Qualquer mostra de solidariedade revolucionária que só os anarquistas conhecem e querem mostrar, levantará a moral e nos fortalecerá em nossas lutas.

    Saudações, companheiros e companheiras.

    Grupo dos Comunistas Libertários (Atenas)

    Jornal Eutopia

    • Consulte também os seguintes links:

    Infos atualizadas:

    http://en.contrainfo.espiv.net/

    http://www.occupiedlondon.org/

    http://athens.indymedia.org/

    Vídeos da polícia atacando a manifestação:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1288989

    Vídeo de fascistas e polícia atacando os imigrantes:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1290982

    Fotos de nazistas atacando os imigrantes:

    http://www.Demotix.com/Photo/688561/Demonstration-stabbed-Greek-Turns-Riots-and-racist-Acts

    Fotos da polícia atacando a manifestação:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1288923

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289018

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289114

  • Greve geral na Grécia: “Povo, não baixes a cabeça e não te deixes vencer”; violência policial em Atenas

    Greve geral na Grécia: “Povo, não baixes a cabeça e não te deixes vencer”; violência policial em Atenas

    Em dia de greve geral, milhares de gregos saíram às ruas nesta quarta-feira, 11 de maio, para protestar contra as medidas de austeridades e privatizações decididas pelo governo do Partido Socialista, FMI e União Européia. A manifestação em Atenas terminou com uma violenta repressão das forças de segurança contra manifestantes. Um ativista foi hospitalizado com ferimentos graves.

    Nos arredores do Parlamento, a polícia utilizou gás lacrimogêneo, bombas de ruído e cassetetes para dispersar os milhares de manifestantes, que revidaram com pedras e outros objetos. Dezenas de pessoas ficaram feridas, pelo menos 30 manifestantes foram detidos pela polícia.

    Um dos manifestantes teve de ser hospitalizado depois de ter sido agredido na cabeça com cassetete. Ele perdeu muito sangue e foi submetido a uma cirurgia de emergência e se encontra em coma profundo numa UTI (Unidade de Terapia Intensiva). As próximas 24 horas serão cruciais para a sua sobrevivência, segundo boletins médicos.

    O governo socialista grego mandou um forte contingente para a rua para controlar os protestos, que juntou trabalhadores, pensionistas, desempregados, imigrantes, estudantes, comunistas e anarquistas.

    Também houve manifestações em Tessalônica, Patras, Ioannina, Agrinio, Serres, Lamia, Xanthi, Esparta, Arta, Volos, Katerini, Larisa, Creta e Serres, entre outras cidades gregas.

    Esta greve é a segunda do ano e a nona desde o início da crise econômica grega. A greve paralisou o transporte marítimo e ferroviário, obrigou o cancelamento de centenas de vôos e mantém o atendimento médico em hospitais e outros serviços no mínimo.

    Bancos, escolas e repartições públicas também pararam e até mesmo os jornalistas cruzaram os braços em protesto contra a onda de demissões, redução de salários e fechamento de veículos de imprensa.

    Fotos:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289114

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289018

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1288923

    http://syspeirosiaristeronmihanikon.blogspot.com/2011/05/blog-post_11.html

  • [Grécia] Exarchia, Crise e Greve Geral

    [Grécia] Exarchia, Crise e Greve Geral

    As ruas de Exarchia estão quase vazias. A maioria dos atenienses deixaram a cidade durante a Páscoa, um dos maiores feriados do ano por aqui, então as suas ruas normalmente movimentadas estão vazias. As lojas e os cafés têm as portas de segurança trancadas, revelando a arte de pinturas coloridas de spray anti-autoritárias. As imagens de manifestantes utilizando máscaras de gás, as palavras de ordem contra o capitalismo e contra o governo e tributos aos militantes presos cobrem as paredes de quase todos os edifícios, revelando um pouco da contra-cultura que geralmente acontece aqui.

    Exarchia é conhecida em Atenas como o centro de lutas sociais. Este bairro densamente povoado tem a reputação de ser anti-sistema e de ser o abrigo de estudantes, anarquistas, artistas e esquerdistas de todos os tipos. Um mês de protestos por todo o país foi atiçado em Dezembro de 2008 quando um estudante do secundário e anarquista de 15 anos foi atingido a tiro e morto pela polícia perto da Praça de Exarchia. A maioria dos atenienses odeia a polícia, e quando este jovem foi morto todo o país explodiu. A mãe de Alexis construiu um memorial na esquina onde ele foi morto com a sua foto e as seguintes palavras:

    Aqui, no dia 6 de Dezembro de 2008, sem qualquer razão, o sorriso de criança foi extinto do inocente Alexis Grigoropoulous de quinze anos de idade pelas balas dos assassinos sem perdão”.

    Sinais dos protestos de Dezembro de 2008 podem ser ainda encontrados por aqui. Um edifício governamental que alojava o Ministério das Finanças continua vazio; resquícios de uma estrutura completamente queimada. Janelas que ainda se encontram partidas noutros edifícios, palavras de ordem que não foram bem lavadas e pintadas de stencil de Alexis podem ser ainda encontradas em pilares de mármore por toda a cidade.

    Este bairro é a morada da Universidade Politécnica, onde muitos confrontos entre estudantes e polícia tiveram lugar. Na Grécia a polícia não pode entrar nas universidades. A 17 de Novembro de 1973, dezenas de estudantes que se revoltaram contra o governo militar foram atingidos por balas por militares no auge de um movimento massivo de protesto. Apenas alguns meses depois, o governo caiu e foi substituído por uma Democracia moderna. Os gregos não esqueceram este acontecimento e estão preparados contra o ataque às suas liberdades. Eles são especialmente sensíveis no que diz respeito às incursões policiais nas universidades e são várias vezes postos fora por estudantes e anarquistas que recusam que a história se repita.

    O 1º de Maio está ao virar da esquina e apenas dez dias depois há uma greve geral. O campus Politécnico em Exarchia será sem dúvida o coração de muitos confrontos que terão lugar neste mês que vem. A economia grega está de rastos, os trabalhadores estão sobre um constante ataque e as pessoas que aqui vivem estão furiosas. Toda a gente por aqui fala da greve geral como algo com potencial para dar início a uma revolução. Muitos comparam a corrente crise ao colapso da economia Argentina em 2001, que levou a protestos massivos por todos os setores da população. Dez anos passaram desde então e o governo grego está numa situação muito parecida. Estão encurralados pelo alto valor do Euro e estão a ser forçados a atacar financeiramente a sua própria população pelo FMI e pela União Europeia. A Grécia é um barril de pólvora. Será a greve geral de 11 de Maio o rastilho.

    Imagens de Exarchia, Atenas:

    http://www.flickr.com/photos/insurgent/sets/72157626467288653/with/5661189181/

    Tradução > P.M.

    Nota da “ANA”:

    Os gregos e gregas farão uma nova Greve Geral nesta quarta-feira, 11 de maio, para protestar contra as medidas de austeridade e as privatizações receitadas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

  • Solfed: uma carta da “minoria violenta” no Reino Unido

    Solfed: uma carta da “minoria violenta” no Reino Unido

    “Se economia altera nossas vidas, temos que quebrar a economia”

    Estamos escrevendo isto para tentar impedir que a luta contra os cortes seja dividida e enfraquecida pelos meios de comunicação. Somos anarquistas (anarcossindicalistas tecnicamente) – uma palavra que é muito mal compreendida e mal interpretada. Também somos estudantes, trabalhadores e representantes sindicais.  Organizamos um “Bloco Radical de Trabalhadores”, ao sul de Londres. O objetivo foi proporcionar uma presença muito visível dentro do movimento dos trabalhadores do qual fazemos parte, chamando por greves, ocupações e à desobediência civil.

    A manifestação de sábado passado (26M) foi muito maior do que o esperado, e vimos milhares de pessoas a ir além de um simples passeio para tomar a ação direta. As ações do Reino Unido contra os cortes, tanto na Oxford Street como na ocupação da  Fortnum e Masons levou à abusos policiais, incluindo prisões em massa.

    Quando chegamos à Trafalgar Square, fomos para a rua Oxford às 14h00, para passar das palavras à ação. Quando chegamos, encontramos outros grupos anarquistas, que tiveram a mesma idéia.  Escolhemos permanecer em movimento, causando a interrupção de tráfego e do trânsito pela Oxford Street e seus arredores, acessos que foram fechados e vigiados pela polícia antidistúrbios. Posteriormente, vários bancos, o Ritz e outros edifícios foram danificados ou afetados por sacos de tinta atirados. Houve algumas pequenas brigas com a polícia. Houve um debate sobre as táticas a tomar; muitos foram a favor da ação direta das massas e outros pela destruição de propriedade. Vamos ter sempre esse debate dentro da luta anti cortes, e não deixaremos que a mídia nos divida.

    Pensamos nisso do ponto de vista dos proprietários de lojas e comércio: uma janela quebrada pode custar £ 1,000. A perda de benefícios do comércio em um sábado por meio de uma ocupação pacífica iria custar várias vezes mais. Talvez isso ajude a explicar a resposta dura da polícia: nós atingimos aonde mais dói – no bolso. Tradicionalmente, os trabalhadores usaram o instrumento da greve para conseguir isso. Mas o que acontece com os trabalhadores que não são sindicalizados ou os sindicatos que não querem entrar em greve? E os estudantes, os desempregados? No Reino Unido, a ações anti-cortes foram muito bem sucedidos com a participação dessas pessoas – e isso parece estar na direção certa em termos de obrigar o governo a reverter seus programas de cortes. Mais ações e a maior parte delas nesse sentido serão necessárias para deter os cortes (na França, eles chamam de “bloqueio econômico”). Reconhecemos que só uma marcha a partir do “A” para “B” ou esperando que o governo seja justo não é suficiente. Sonegadores fiscais, governo e os ricos vão continuar a procurar fórmulas para fazer pagar os mais pobres da sociedade com suas políticas deficitárias, a menos que tomemos a opção mais cara para eles, a saber: “Se economia altera nossas vidas, temos que quebrar a economia”.

    A cobertura da imprensa desde o último sábado entrou em um frenesi bem ensaiado, de “manifestante bom/manifestante mau”. Alguns, no Reino Unido, manifestaram indignação com as ações dos “manifestantes maus” , (corretamente) com ênfase na natureza pacífica da ocupação da F & M. Acreditamos que a idéia de dividir o protesto entre “bons” e “maus” só serve para legitimar a violência policial e a repressão.

    Como vimos no sábado, a repressão não é causada por ações violentas, mas por ações eficazes – há uma longa história de piquetes e ocupações pacíficas, sendo estas violentamente reprimidas pela polícia (greve dos mineiros).

    Na verdade, os protestos anti-cortes no Reino Unido têm estado muitas vezes no outro extremo, com a resposta da polícia às ocupações não-violentas utilizando sprays de pimenta e detenções violentas.

    Nesse sentido, poderíamos dizer que estamos fazendo um bom trabalho. Que as prisões em massa fortalecem a nossa determinação de não parar. E não vamos cair na tática do “dividir para conquistar”, que é o truque mais velho no livro dos ricos e poderosos.

    Se for capaz de oferecer qualquer ajuda ou solidariedade concreta para os detidos, por favor, entre em contato conosco. Conseguimos anteriormente aconselhamento jurídico e sessões de formação com Fitwatch, defesa legal e grupos de acompanhamento – estaremos felizes de fazer isso de novo. Ou se as prisões estão causando problemas para os trabalhadores, iremos ajudar a organizar os presos contra as represálias. No sábado, a maioria dos presos eram militantes anti-cortes no Reino Unido. Da próxima vez pode ser a gente. Estamos todos juntos nessa.

    Assinado, SolFed Brighton (AIT)

    Além de militantes de: Northampton, Norte de Londres, Manchester, Thames Valley, Liverpool e localidades do Sul de Londres.

  • [Reino Unido] Protesto reúne milhares de pessoas nas ruas de Londres contra austeridade neoliberal

    [Reino Unido] Protesto reúne milhares de pessoas nas ruas de Londres contra austeridade neoliberal

    Cerca de 500 mil pessoas tomaram as ruas de Londres ontem (26 de março) em protesto contra os cortes públicos de 80 bilhões de libras (cerca de R$ 215 bilhões) do orçamento britânico até 2015 e o alto desemprego no país.

    Foi a maior manifestação realizada na capital desde 2003, quando os atos contra a guerra do Iraque chegaram a reunir 1 milhão.

    Os manifestantes procederam de distintos locais de todo o país, por isso as forças da ordem colocaram nas ruas de Londres cerca de 4,5 mil policiais. Aproximadamente 214 pessoas foram detidas e 66 ficaram feridas durante os protestos. Entre os 66 feridos, a maioria com ferimentos leves, 31 eram agentes da polícia, dos quais 11 tiveram de ser hospitalizados.

    A ação direta nas ruas do centro da cidade também foi sem precedentes em termos de tamanho e fúria. Anarquistas invadiram e atacaram agências de bancos e lojas de luxo, entre outros símbolos de riqueza e privilégio. Os ativistas também lançaram bombas de tintas e outros objetos contra os agentes de segurança.

    Imagens dos protestos

    Fotos:

    http://london.indymedia.org/articles/8458

    http://london.indymedia.org/articles/8506

    http://london.indymedia.org/articles/8482

    http://london.indymedia.org/articles/8477

    http://london.indymedia.org/articles/8267

    http://london.indymedia.org/articles/8485

    http://london.indymedia.org/articles/8488

    Vídeos curtos

    Black Block nas ruas:

    http://london.indymedia.org/videos/8425

    Símbolos da decadência:

    http://london.indymedia.org/videos/8509

    Bancos na mira:

    http://london.indymedia.org/videos/8508

    Veículo da polícia atacado:

    http://london.indymedia.org/videos/8523

    Lojas corporativas alvejadas:

    http://london.indymedia.org/videos/8507

  • “O medicamento que cura completamente não é rentável”

    “O medicamento que cura completamente não é rentável”

    [O Prêmio Nobel de Medicina de1993, Richard J. Roberts, revela em entrevista ao La Vanguardia que muitas das doenças hoje crônicas são curáveis, mas para os laboratórios farmacêuticos não é rentável curá-las completamente; os poderes políticos sabem, mas esses laboratórios compram seu silêncio, financiando suas campanhas eleitorais.]

    Pergunta > Qual é o modelo de investigação que lhe parece mais eficaz, o americano ou europeu?

    Richard J. Roberts < É óbvio que o americano; onde o capital privado tem parte ativa é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espetacular da indústria de informática, onde o dinheiro privado é que financia a pesquisa básica e aplicada, mas para a indústria da saúde… Eu tenho minhas reservas.

    Pergunta > Eu o ouço.

    Richard < A pesquisa em saúde humana não pode depender somente de sua rentabilidade econômica. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.

    Pergunta > Explique.

    Richard < A indústria farmacêutica quer servir ao mercado de capitais…

    Pergunta > Como qualquer outra indústria.

    Richard < Não é apenas qualquer outra indústria: estamos falando sobre a nossa saúde, nossas vidas e as de nossos filhos e milhões de seres humanos.

    Pergunta > Mas se são rentáveis, investigariam melhor.

    Richard < Se só pensar nos benefícios, você para de se preocupar em servir às pessoas.

    Pergunta > Por exemplo…

    Richard < Eu verifiquei, como em alguns casos, que pesquisadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes, que eliminariam completamente uma doença…

    Pergunta > E por que deixam de pesquisar?

    Richard < Porque as companhias farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curá-lo quanto em obter de dinheiro, de modo que a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam completamente, e sim tornam crônica a doença; fazem experimentar uma melhoria, que desaparece quando deixa de tomar a droga.

    Pergunta > É uma acusação grave.

    Richard < É comum que os farmacêuticos estejam interessados em linhas de pesquisa, não para curar, mas apenas tornar crônicas doenças com drogas mais rentáveis que as que curam de uma vez e para sempre. E não tem mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica e verificar o que digo.

    Pergunta > Existem os dividendos que matam.

    Richard < Por isso lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado, não pode ser entendida meramente como um meio de ganhar dinheiro. E por isso eu acho que o modelo europeu de capital público e privado misto torna menos fácil estimular esses abusos.

    Pergunta > Um exemplo desses abusos?

    Richard < Deixaram de pesquisar antibiótico porque são muito eficazes e curavam completamente. Como não foram desenvolvidos novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, na minha infância havia sido derrotada, está ressurgindo, matando neste ano passado um milhão de pessoas.

    Pergunta > Você não está falando do Terceiro Mundo?

    Richard < Este é outro capítulo triste: apenas investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou falando sobre o nosso Primeiro Mundo: o remédio que cura completamente não é rentável e, portanto, não irão investigá-lo.

    Pergunta > Os políticos não estão envolvidos?

    Richard < Não fique muito esperançoso: no nosso sistema, os políticos são meros empregados dos grandes capitais, que investem o necessário para eleger os seus filhos, e, se não são, compram aqueles eleitos.

    Pergunta > Há de tudo…

    Richard < Ao capital só interessa se multiplicar. Quase todos os políticos – e eu sei o que digo – dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas, que financiam suas campanhas. O resto são palavras…