Categoria: Espaços Autônomos

  • [Grécia] Reação imediata e confrontos com a polícia, após o despejo da Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta

    [Grécia] Reação imediata e confrontos com a polícia, após o despejo da Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta

    Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta
    Despejo da Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta

    Na quarta-feira, 16 de fevereiro de 2010, às 6h30 da manhã, grande forças policiais antidistúrbios, acompanhados por um fiscal de plantão, começaram a desocupar o prédio da Ocupação do edifício do antigo PIKPA (Fundação Patriótica de Bem-estar e Concientização), na cidade de Heraklion, na Ilha de Creta. No momento da invasão policial não havia ninguém no prédio. Na falta de pessoas para prisão, a polícia evacuou o edifício, confiscando tudo que encontrou e removendo até mesmo portas e janelas.

    Três horas mais tarde, solidários com a Ocupação começaram a se reunir fora do edifício. Três pessoas, que haviam chegado ao local muito tempo após a operação policial, foram presas simplesmente por ter cometido o crime de perguntar o que havia acontecido. Depois das 13 horas os três detidos foram liberados e apenas um deles acusado de delitos.

    Às 11h30 da manhã, companheiros procederam a uma ocupação do Departamento do Ministério da Saúde de Heraklion, exigindo a libertação dos três detidos e a devolução dos objetos confiscados durante o despejo. O edifício do Departamento do Ministério da Saúde foi cercado pela polícia secreta e forças antidistúrbios. A polícia secreta, como puros representantes da valentia petulante de sua espécie, começou a provocar as pessoas que se reuniram, mas foram expulsos do local a pedradas. Às 2h30, a Ocupação terminou, ao se tornar pública a liberação dos detidos. Mais tarde foi anunciado que, do que foi confiscado, não seriam devolvidos computadores e o arquivo da Ocupação (folhetos e material impresso), que é o importante do trabalho coletivo da Ocupação.

    Na tarde do mesmo dia, realizou-se um debate na Ocupação de Evangelismós, sobre o que aconteceu e as possíveis formas de reação à contínua e intensificada repressão do Estado. No final da tarde, houve uma marcha para o edifício da Ocupação despejada, onde aconteceram violentos confrontos de centenas de manifestantes com a polícia. Havia quatro presos e uma menina brutalmente espancada pela polícia ficou ferida.

    Fotos (veja a atitude da polícia secreta) aqui:

    › http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1262498

    Ocupação PIKPA:

    › http://pikpa.squat.gr/

    Ocupação de Evangelismós:

    › http://evagelismos.squat.gr/

  • [Portugal] “Jardim” da COSA completamente destruído

    [Portugal] “Jardim” da COSA completamente destruído

    Comunicado:

    Dia 15 de fevereiro, uns quantos fiscais da câmara municipal acompanhados da polícia à paisana, chegaram à COSA e roubaram todas as plantas que tínhamos no exterior da casa. Não avisaram antes, não nos deixaram retirar os vasos para o interior da casa e destruíram uma boa parte deles ao atirá-los para dentro de um veículo. Tínhamos uma juca enraizada no chão que foi cortada à machadada.

    Por suposta “ocupação ilegal da via pública“. Quem conhece o nosso espaço sabe que as plantas estavam o mais junto possível à fachada da casa e o passeio é largo para que se possa passar, apesar dos carros todos.

    Das duas uma: Ou estes fulanos consideram mesmo que o importante é tirar as plantas às pessoas ou isto é mais uma vingançazinha sobre a COSA.

    Até uns tecnocratas inúteis deveriam ser capazes de perceber que, nos dias de hoje, criminalizar e perseguir quem pretende dar um pouco de verde à sua rua é um sinal descarado de má formação e, sobretudo, burrice. Vai contra aquilo que é natural num ser humano.

    É sabido que nós temos posições “radicais”: como acreditarmos que ninguém deve poder mandar nas vidas, nas casas e nas ruas dos outros. Mas isto beira já o surreal… Como é possível que se empenhem em perseguir uns vasos e arbustos? E chamam a isso trabalho?! Porque é que não se (pre)ocupam com as ruas deles? Porque aqui neste nosso bairro as pessoas acarinhavam e respeitavam este jardim.

    Daí que, por uma mera questão de lógica, nos pareça que aqui se esconde uma vingança mesquinha. Não nos apanharam em tribunal, não nos conseguem pôr fora daqui, não nos calam e nunca nos vão submeter. E nós ficamos ainda mais cientes de que vocês, figuras da autoridade, estão mesmo dispostos a qualquer coisa e nunca terão escrúpulos.

    Ações legais destas são um claro exemplo de que está na hora de mandar estes fulanos às urtigas e começarmos a recuperar e gerir a nossa autonomia.  Odiamos esta ordem, esta lei e aquilo em que querem transformar a cidade!

    São a ligação e o amor que temos a esta terra que nos fazem querer lutar contra co-incinerações e resorts de luxo. E um dia vermos mais jardins selvagens a crescer!

    Casa Ocupada de Setúbal Autogestionada

  • [Grécia] Greve de fome de 300 imigrantes – Chamada a uma Jornada de Ação Comum em 11 de fevereiro de 2011

    [Grécia] Greve de fome de 300 imigrantes – Chamada a uma Jornada de Ação Comum em 11 de fevereiro de 2011

    

    Cartaz

    Na terça-feira, 25 de janeiro, o edifício histórico da Faculdade de Direito em Atenas – que não está em uso na atualidade – se converteu num espaço de uma luta justa e democrática. Este lugar, palco de várias lutas sociais no passado, teve a oportunidade albergar mais uma, a dos 300 trabalhadores imigrantes que em Atenas e Tessalônica reclamam a legalização incondicional de todos os imigrantes. Uma luta pela igualdade de direito, à vida, realizada por aqueles que querem deixar de ser clandestinos.

    Desde o primeiro instante, o poder estabelecido e os meios de comunicação pressionam os imigrantes que participam da greve de fome e afirmam que é um ato de ilegais, legitimando deste modo a violação do asilo acadêmico e a evacuação forçada do histórico edifício.

    Na tarde de quinta-feira, 27 de janeiro, a polícia interrompeu o trânsito no centro de Atenas, criando uma imagem de cidade ocupada, cercando o edifício da Faculdade de Direito. Milhares de pessoas vieram em apoio aos imigrantes que se encontravam no edifício, mas foram impedidos de se aproximarem da área pela polícia, de modo que as pessoas se concentraram espontaneamente em protesto. Desde as 19h até às 5h da madrugada, os grevistas foram pressionados para deixar o local. Ao final desta longa noite, os grevistas passaram para um outro edifício no centro de Atenas, acompanhados por pessoas solidárias, que realizaram uma passeata às 4h da madrugada.

    O novo local – de propriedade privada – acabou por se transformar num acampamento de refugiados: falta de espaço, não possui infra-estruturas de higiene e muitos dos grevistas obrigados a dormir em tendas num pátio com temperaturas geladas.

    O governo e a mídia depreciaram completamente a luta dos imigrantes e a apresentaram como uma manipulação de elementos que pretendem criar mal estar social no país.

    Grevistas

    A resposta veio, naturalmente, por parte de um dos grevistas: “O mais frustrante de tudo é que não conseguem entender que a carência que nos trouxe aqui é tão grande que não precisamos de promotores, mas de apoiadores”.

    Em um ambiente de intimidação e repressão, cinco companheiros da Iniciativa de Solidariedade foram chamados pelo advogado do Estado como suspeitos de tráfico de imigrantes ilegais. Ao mesmo tempo, o ministro do Interior negava qualquer possibilidade de legalização e revogava um decreto de 2009 que havia legalizado 15 imigrantes grevistas de fome. Ademais, ordenou a todas as comunidades de imigrantes na Grécia que procurem “impedir que os seus membros participem em atos que possam resultar conflitivos”.

    Nós, pessoas solidárias com a justa luta dos imigrantes em greve de fome, declaramos a nossa co-responsabilidade com os 5 companheiros acusados, e nos declaramos também “traficantes” da dignidade e da solidariedade.

    Num clima de repressão e de políticas anti-imigrantes na Grécia e em toda a Europa, torna-se premente atuar para criar fissuras simbólicas no sistema e obter vitórias políticas.

    É mais urgente do que nunca o mais amplo apoio à luta dos 300 grevistas de fome.

    Fazemos um apelo internacional para um dia de ação comum, em 11 de fevereiro. Neste dia acontecerá ações solidárias por toda a Grécia. Dirigimos o nosso apelo a cada associação, sindicato, organizações ou grupo político e a todas as pessoas. Pedimos que protestem, em solidariedade com esta justa luta dos imigrantes.

    Solidariedade com os 300 imigrantes em greve de fome.

    Exigimos a legalização incondicional de todos os imigrantes.

    Apoiamos a demanda dos imigrantes de igualdade de direitos políticos e sociais com os dos trabalhadores gregos.

    Ninguém é ilegal!

    Iniciativa de Solidariedade com os 300 imigrantes em greve de fome

    Mais infos:

    › http://hungerstrike300.espivblogs.net/

    › http://allilmap.wordpress.com/

    Tradução > Liberdade à Solta

  • Squat Liebig 14 é despejado pela polícia

    Squat Liebig 14 é despejado pela polícia

    Squatters
    Squatters

    Numa operação militar digna de filmes de Hollywood, cerca de 2.500 policiais foram mobilizados ontem (2 de fevereiro) em Berlim para a remoção do squat Liebig 14, um dos últimos da cidade. A polícia usou diversos objetos, como machados e marretas, para quebrar a porta de entrada do Liebig 14, localizado em Friedrichshain, em Berlim Oriental.

    Choques entre as forças de segurança e manifestantes eclodiram em torno do edifício, onde os 25 moradores do local se recusavam a deixar o espaço. Manifestantes, alguns com seus rostos cobertos, jogaram pedras e garrafas na polícia de choque.

    Squat Liebig 14Os confrontos duraram mais de cinco horas antes da polícia recuperar plenamente o squatter. Os ocupantes tinham arrancado as escadas e construído muros extras para impedir que a polícia chegasse a eles. Nove pessoas da casa e outras 23 foram presas no protesto.

    No último sábado, quase 3.000 pessoas manifestaram-se contra o despejo do Liebig 14 nas ruas de Berlim. Foram registrados outros protestos solidários em cidades da Alemanha e da Europa.

    Squat Liebig 14

    Infos atualizadas:

    › www.de.indymedia.org

    Fotos:

    › http://www.flickr.com/photos/pm_cheung/sets/72157625835356601/

    › http://www.demotix.com/news/577120/riots-after-house-eviction-berlin

    › http://www.flickr.com/photos/mikaelzellmann/sets/72157625836003259/

  • Chamado à Ação Internacional para manifestações de solidariedade nas embaixadas da Alemanha: Salvemos Liebig 14!

    Chamado à Ação Internacional para manifestações de solidariedade nas embaixadas da Alemanha: Salvemos Liebig 14!

    BannerLiebig 14 é um dos projetos mais duradouros de vivenda independente em Berlim, que funciona como um espaço para a vida coletiva, bem como da comunidade e de organização política por mais de 20 anos. Depois de um processo jurídico de quatro anos, os proprietários do edifício finalmente deram uma permissão legal para desalojar a casa em 2 de fevereiro de 2011.

    A casa foi ocupada logo após a queda do muro, numa área abandonada de Berlim Oriental, o despejo de Liebig 14 é apenas um sintoma de um processo de gentrificação, que obriga os moradores mais pobres a se mover para fora do centro cidade e que está destruindo radicalmente a infra-estrutura da cidade.

    Liebig 14 tem orgulho de ser parte da longa história de espaços autônomos em Berlim e em todo o mundo. No trabalho contra o capitalismo, a hierarquia social e as discriminações, as áreas autônomas são passos pequenos, mas concretos no sentido de aumentar à emancipação política e de vida independente.

    O despejo de Liebig 14 é uma perda não só para projetos de infra-estrutura alternativa de Berlim, mas também um ataque mais amplo contra projetos de todas os lugares, que buscam construir movimentos alternativos, mais justos socialmente e modos de organização sociais mais sustentáveis.

    Solidariedade com os espaços livres sob ameaça em Berlim, Amsterdam, Londres e em todo o mundo é a chave, se quisermos manter estes recursos vitais.

    Parem de destruir as nossas cidades com a gentrificação!

    Vamos apoiar os espaços autônomos!

    Salvemos Liebig 14!

    Mais infos: http://liebig14.blogsport.de