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  • [EUA] Anarquistas realizam ações contra a polícia em Seattle

    [EUA] Anarquistas realizam ações contra a polícia em Seattle

    A noite do último sábado de fevereiro, dia 26, em Seattle, esteve iluminada pela voz e o fogo de um grupo de aproximadamente 30 anarquistas, que totalmente vestidos de negro, encapuzados, portando faixas e bandeiras combinando com suas roupas, protagonizaram uma série de distúrbios no centro da cidade. Os rebeldes usaram foguetes pirotécnicos, bengalas e extintores, pedras, e mesmo paus de suas bandeiras contra diversos objetivos.

    Atacaram várias entidades financeiras e locais de grandes empresas, além de queimar fogos de artifício em alguns carros dos guarda-costas. Foram realizadas diferentes pichações e lançados cerca de mil panfletos. Tudo isso foi realizado entre múltiplos gritos como “No justice, no peace!” (Sem justiça não haverá paz).

    Uma vez dispersa a massa revoltada três pessoas foram detidas nas horas seguintes à ofensiva, e pese as que foram postas em liberdade um pouco depois, ainda se encontram a espera de julgamento. Elas foram acusadas de vários delitos, entre outros: distúrbios e obstrução do tráfico de carros.

    A ação do bloco negro começou na esquina das ruas Boren e Howell. Para aqueles que não sabem, devido ao silêncio sepulcral dos meios de “informação”, a escolha deste lugar longe de ter sido uma simples casualidade, teve um forte fundo simbólico. Foi nesta rua que durante o mês de agosto do ano passado um indígena estadunidense de 50 anos de idade, que tinha problemas com álcool e trabalhava como talhador de madeira, foi abatido a sangue frio por um agente de polícia.

    O homem, chamado John T. Williams, regressava a sua casa à noite, depois de terminar sua jornada de trabalho. Portava nas mãos um pedaço de madeira e uma navalha que usava para entalhar. Foi abordado por um carro de polícia do qual saiu um agente empunhando sua pistola, ordenando que ele atirasse a arma (sua navalha) ao chão e se deitasse no solo. John, que tinha problemas de surdez em função de sua avançada idade, não ouviu a primeira advertência do policial e depois de somente poucos segundos, o agente da lei abriu fogo contra o pobre homem que morreu instantaneamente por causa dos disparos.

    Convém destacar que as investigações, fotografias, gravações em vídeo e outros dados posteriores ao assassinato corroboraram que o indígena não só portava a navalha porque era uma ferramenta essencial de seu emprego e, além do mais, comprovam que ela estava fechada quando o policial lhe atingiu.

    O fato de John portar uma navalha foi uma mera desculpa para que o bastardo policial miserável, à serviço do Estado, pudesse saciar sua sede de sangue naquela noite.

    Obviamente, o assassino não foi condenado, a farda é um escudo impenetrável para as leis burguesas e na terra do Tio Sam eles sabem disso mais do que ninguém. O juiz determinou que não poderia punir ao policial responsável pelo assassinato porque não havia sido provado que o agente tivesse “atuado com malícia”.

    Por isso, esta noite foi realizada uma ofensiva sob o nome de “anti-cop action” (ação anti-policial), que devolveu aos bastardos o produto de sua opulência e de seu abuso de poder.

    Morte ao Estado. Polícia assassina!

    Tradução > Juvei

  • Processados dois ativistas por investigar fazendas de peles na Suécia

    Processados dois ativistas por investigar fazendas de peles na Suécia

    Malin e Björn
    Os ativistas Malin Gustafsson e Björn Gustafsson, que trouxeram à tona as irregularidades de 100 explorações suinícolas, poderão arcar com uma multa de 100.000 euros.

    Em novembro de 2009, o grupo Aliança de Direito dos Animais da Suécia tornou públicas algumas fotografias e gravações, de 100 granjas suinícolas suecas.

    Uma das propriedades visitadas – Blackstaby – pertence ao ex-presidente da associação da indústria de carnes: “Swedish Meats” (Carnes Suecas). “Produzimos um informe sobre essa granja e outras 91 que não cumpriram os requisitos mínimos ou regras de bem-estar animal”, diz os ativistas.

    Apesar de horas de gravações, 400 fotografias, veterinários apoiando o caso e duas pessoas testemunharem o que havia sido documentado na granja, o proprietário não foi processado. Não só isso, os dois ativistas agora estão sendo envolvidos em um processo legal por entrarem na fazenda e gravar as condições em que viviam os animais que ali se encontravam. O proprietário pediu mais 100.000 euros.

    “A indústria da carne tenta assustar-nos para nos silenciar. Ameaçam-nos com grandes somas de dinheiro, mas vamos continuar expondo o abuso de animais”, conta os ativistas.

    Foi criada uma página eletrônica de apoio com informações:

    › www.grisvittnena.se

     

  • Documentário: “O fim da civilização”

    FIN:CIV (o fim da civilização) é um filme que examina a dependência à violência sistemática e exploração ao meio ambiente, que domina as culturas “civilizadas” ambientais. Os tópicos de “FIN: CIV” são baseadas nos livros “Endgame”, do autor estadunidense Derrick Jensen, onde pergunta: se a vossa terra é invadida por alienígenas que destroem florestas, envenenando o ar e a água, e contaminam as colheitas, resistiria à ocupação?

    A super-exploração dos recursos naturais é a principal razão pela qual as grandes civilizações morrem. Neste momento o mundo está em crise: a economia no caos, a escassez de petróleo, o aquecimento global fora de controle e desordem política. As manchetes de jornal repetem artigos atrás de artigos sobre a corrupção e numerosas traições ao confiante público. Somos testemunhas de como este sistema entra em colapso e em seu desespero tenta agarrar tudo o que pode, até não sobrar nada.

    Dada toda esta destruição, vemos atos de coragem autêntica, por moradores nas zonas mais afetadas. “FIN: CIV” documenta atos heróicos de resistência, no seio das comunidades que sofrem a repressão contínua e a violência do sistema atual. Também “FIN: CIV” analisa os mitos mais comuns da esquerda e faz-nos analisar quais são as táticas que nos levará a um futuro melhor.

    Derrick Jensen narra várias partes de “FIN: CIV” e faz um chamado a proteger a terra como se fosse nossa mãe. “FIN: CIV” desconstrói o sistema capitalista e os mecanismos que o perpetuam, com rápidas montagens, gráficos, comédia, animação e música. Também narra as histórias pessoais, nas quais os indivíduos fazem grandes sacrifícios para defender seus lares. “FIN: CIV” é um documentário para os nossos tempos, tempos em que devemos agir com firmeza, se quisermos salvar o que resta do planeta.

    Trailer e mais infos sobre o filme:

    › http://submedia.tv/endciv/2010/10/12/finciv/

     

  • Hip-hop cubano Esquadrão Patriota

    Sou de uma família humilde, trabalhadora, de pais professores. Vivi até 22 anos de minha vida como a maioria de todos os jovens cubanos, no amparo do sistema, suas leis, sua história e educação. Até que acordei, pelo ano 2001, quando comecei a tomar consciência dos acontecimentos e fatos na minha vida e de um monte de gente com as mesmas condições. Eu queria entender por que muitos viviam cercados por tanta pobreza em um país que se gabava de dizer que aqui tudo estava bem e que os problemas eram mínimos, quando a realidade de muitos de nós, especialmente aqueles com pele escura, ficou tão danificada e afetada.

    Para aqueles momentos, mostrava sinais de descontentamento e desacordo e o culminar de tudo isto foi quando conheci o movimento hip-hop. No meu primeiro show em 19 e 10 no Vedado, conheci várias pessoas que mais tarde se tornaram meus amigos e irmãos; percebi que havia me engatado e foi uma maneira de transmitir tudo o que tinha por dentro e tinha necessidade de dizer. O rap é um modo maravilhoso de expressão.

    No começo, não me considerava apto a fazer o rap e procurei aqueles que defendiam esse gênero na minha área em Güines, de onde sou. Eu me envolvi com alguns meninos que se chamavam “Los Patriotas” (Os Patriotas). Eu lhes disse que escrevia rimas para rap, que tinha algumas coisas escritas. Pediram para vê-las e acabou que gostaram e começaram a cantar minhas músicas. Finalmente, em 2003, decidi que queria tentar fazer rap com minhas próprias canções, e “Los Patriotas” abriram o caminho para eu fazer isso com eles. Então eu comecei. Com o tempo, o projeto começou a chamar “Escuadrón Patriota” (Esquadrão Patriota).

    Desde o início sempre senti que tínhamos que ser um projeto progressista, de combate crítico, protestando, porque nós éramos da mesma realidade de grande parte da sociedade que nos rodeava. Participamos de eventos, ganhamos festivais, fomos convidados a disputas de rimas e mantendo sempre um discurso de protesto e crítica social.

    Em 2004, dois irmãos deixaram o grupo; seguimos e gravamos uma demo que foi chamada “Voces Clandestinas” (Vozes Clandestinas). Em 2005, o projeto Esquadrão Patriota é declarado “censurado” e expulso do apoio institucional, por cantar canções condenadas como “contra-revolucionárias”. Começa uma fase dura e difícil para o rap cubano e sua nova estrutura de discurso. Para o Esquadrão limitou-se à participação em muitos eventos, porque não é permitido fazer apresentações sem adesão como músico profissional em uma instituição aqui, portanto não o permitiam. Mas de vez em quando alguns irmãos que se atreviam a desafiar a ordem estabelecida convidavam o Esquadrão para as suas atividades. Durante este tempo, o outro último membro integrante do Esquadrão se separa e eu fiquei como o único MC do projeto.

    A experiência dá-me a refletir e ajustar minha estratégia musical. Em 2008 gravei independentemente, exercendo o título “Esquadrão Patriota”. O álbum foi intitulado “Mi Testimonio” (Meu Testemunho), e continuei trabalhando no hip-hop, fazendo contribuições, participando de projetos como “La Comisión Depuradora” (A Comissão Depuradora), formando a plataforma para o meu último álbum, chamado “El Legado” (O Legado).

    A missão do projeto Esquadrão Patriota é criar consciência entre as gerações, raças e grupos sociais. Carregar a responsabilidade de mudança social ou política da nossa ilha deve incluir a nossa perspectiva, a dos jovens, dos negros, de quem nos encontramos abrangidos pelo sistema.

    Rauldel Collazo Pedroso

    Fonte: Cuba Libertária, N˚19, março de 2011

     

  • [Argentina] Lançamento do vídeo-panfleto “Por que anarquistas?”

    [Argentina] Lançamento do vídeo-panfleto “Por que anarquistas?”

    Este panfleto audiovisual realizado pelo Grupo Anarquista Rosário, em 2010, oferece uma abordagem breve, mas eficaz, acerca dos fundamentos centrais sobre o que se têm formado de críticas e propostas do movimento anarquista. Remarcar uma visão de mundo oposta à burguesia dominante significa desafiar os pilares que o sustentam: o governo, capitalismo e religião, enfatizando a necessidade de compreender suas inter-relações como peças em um todo indivisível. Hoje, como ontem, é essencial a existência de ferramentas como esta produção, que reafirma a denúncia incansável da farsa de que um bom capitalismo é possível, a farsa por trás das diferenças ideológicas dos vários governos e setores políticos, por trás da salvação religiosa, dos meios de comunicação… Por conseguinte, este vídeo revê as posições críticas básicas sustentadas pelos anarquistas, e demonstra o efeito que eles têm na atualidade e continuará mantendo, enquanto esta situação não for revertida, uma vez e para sempre.

    Duração: 17 min.

    Contato:

    › grupoanarquistasrosario.blogspot.com

    › anarquistasrosario@yahoo.com.ar

    Baixar vídeo-panfleto: “Por que anarquistas?”

    › http://www.megaupload.com/?d=4BU9I5MB

    Baixar capa e contracapa + panfleto em versão texto:

    › http://www.mediafire.com/?p78d4fc4czv88hl

    Ver vídeo on-line:

    › http://www.dailymotion.com/video/xgg51w_news

     

  • Bloco libertário protesta contra o governo croata

    Bloco libertário protesta contra o governo croata

    Por iniciativa do movimento anarco-sindicalista croata, os cidadãos têm sido chamados a participar de protestos em massa contra a política econômica e social do governo, formando um bloco libertário. As manifestações organizadas em várias cidades da Croácia contaram com a participação de centenas de pessoas.

    Cerca de trezentas pessoas, principalmente jovens, se reuniram por volta das 19 horas na cidade croata de Rijeka, onde, com faixas e bandeiras, pediram a renúncia do governo.

    Para o partido no poder, o HDZ, e a oposição liderada pelo SDP, foi enviada uma única mensagem – “Ladrões!” – palavra cantada repetidamente, simplesmente mudando o nome do partido.

    A polícia não interveio, porém não houve chamada de alerta às autoridades, já que estas “não alertam sobre a destruição da indústria, emprego, o saque de todo o país, bem como uma redução dos padrões de vida e dignidade dos cidadãos, pelo que não vamos alertar sobre a resistência”, como se afirmava durante o protesto.

    O objetivo da ação, de acordo com os organizadores da cidade de Rijeka, é principalmente impedir novos cortes nos direitos sociais.

    Os protestos em Rijeka, como em toda a Croácia, organizados em um bloco libertário, vão sendo harmonizados e coordenados para convocá-los em todo o país no mesmo dia. O próximo protesto é provável na próxima terça-feira.

    O número de manifestantes – cerca de dez mil – foram convocados em Zagreb. Em Varaždin, cerca de duas mil pessoas. Em Zadar, e em Slavonski Brod, se reuniu cerca de uma centena de pessoas. Em um protesto “contra o poder” na cidade de Split, segundo informou a polícia, era de 500 a 600 pessoas. Em Osijek, reuniu-se cerca de mil pessoas, que exigiam a renúncia do governo. As manifestações também foram realizadas em Koprivnica e Virovitica.

     

  • Os comitês populares líbios devem ser à base de uma nova vida, não uma mera medida transitória

    A luta do povo líbio, que é parte da onda de rebeliões populares que se espalha como fogo em todo o mundo árabe, está adquirindo um caráter verdadeiramente dramático, com o povo que segue avançando sua luta contra um regime decidido a permanecer no poder por todos os meios. Gadaffi, pese o seu passado como uma dor de cabeça para os Estados Unidos, se converteu em um aliado chave para a Guerra contra o Terrorismo, a qual foi corroborada pela torpe e tardia reação dos Estados Unidos ante os eventos na Líbia, assim como pela igualmente tardia suspensão da União Européia de seu considerável comércio de armas com o regime líbio. Ainda que os Estados Unidos e as potências ocidentais pareçam re-descobrir que, depois de tudo, não lhes agradava tanto Gadaffi (depois de uma década de relações amistosas), começaram a falar de uma possível intervenção e porta aviões dos Estados Unidos tem se aproximado das costas líbias. Os resultados que poderiam ter semelhante aventura seriam horrendos. Entretanto, os Estados Unidos e seus aliados do Ocidente exploram as formas para assegurar que esta rebelião, tanto na Líbia quanto no resto do mundo árabe, não se comporte de forma revolucionaria e assegurar que seus interesses econômicos e estratégicos sejam servidos da melhor maneira possível em um cenário pós-Gadaffi. Para entender melhor o que ali ocorre, mantivemos outra conversa com nosso amigo e camarada, o anarquista sírio Mazen Kamalmaz, que edita o blog revolucionário: http://www.ahewar.org/m.asp?i=1385

    José Antonio Gutiérrez D.

    3 de Março, 2011

    Pergunta > O que é que está realmente ocorrendo na Líbia e no resto do mundo árabe?

    Mazen Kamalmaz < É uma revolução. Depois de 42 anos sendo governadas pelo regime de Gadaffi, as massas tem saído às ruas. O mal, é que pela brutal repressão do regime, esta revolução só pode ser exitosa na parte Leste do país, a qual também possui diferentes tribos do Oeste e do Centro da Líbia. Rapidamente, as forças leais ao regime se repuseram da surpresa e sufocaram a rebelião em Trípoli, a capital, assim como no resto da Líbia, utilizando uma força extremadamente brutal. As massas tentaram sair novamente na quarta-feira passada, que foi um dia de furiosos protestos em todos os países árabes, mas não foram capazes de fazer frente às forças do regime. Agora existe uma situação de estabilidade entre dois poderes, o do povo e o do regime, ainda que ambas estejam tratando novamente de capitalizar esta situação a seu favor.

    Independente dos protestos na Líbia, Iêmen esta ardendo durante semanas. Neste país existem várias tribos e minorias religiosas, a parte dos conflitos entre um norte dominante e um sul marginalizado que demanda autonomia. Os estudantes universitários e secundaristas têm conseguido, graças a sua devoção pela liberdade plena e sua vontade para sacrificar-se por esta causa, converterem-se em um fator de convergência para todas as facções da nação em torno ao objetivo de derrubar a ditadura.

    A quarta-feira passada também foi bastante agitada no Iraque, onde milhares de jovens iraquianos, tanto sunitas como xiitas, os quais estiveram a pouco tempo as bordas de uma guerra civil, saíram as ruas para protestar contra o corrupto governo pró-yanque. A polícia respondeu com a mesma repressão que em outras partes, o que ocasionou algumas mortes entre os manifestantes.

    O Sultanato de Oman também se uniu aos países em rebelião, quando os jovens saíram às ruas a gritar, como em outras partes, por mais liberdade e melhores condições de vida.

    Pergunta > Ainda há aqueles que olham Gadaffi como um socialista e um anti-imperialista… isto está certo?

    Mazen < Este é um mito bastante enganador e ilusório, e é produto da antiga esquerda autoritária, que ainda persiste. Isto, devido em parte, ao renascimento da esquerda autoritária com figuras como Chávez.

    Devemos ter em mente que o regime de Gadaffi tem gozado de uma melhoria significativa em suas relações com as principais potências ocidentais desde 2003, depois de que o ditador líbio abandonou seu programa nuclear. Então, a ex-secretaria de Estado dos Estados Unidos, Condolezza Rice, proclamou este gesto como um modelo para restaurar as relações normais entre os Estados Unidos e os países do terceiro mundo, inclusive aqueles que os Estados Unidos tem qualificado como regimes “canalhas”. Isto abriu as portas a Berlusconi, Blair e Sarkozy para que visitassem a Líbia e assinassem multibilionários contratos com empresas ocidentais, incluindo venda de armamento. Assim, Gadaffi acabou aparecendo inclusive em uma reunião do G8 para conversar com Obama. Igualmente com Ben Ali e Mubarak, as grandes potências capitalistas, sinceramente ignoraram as violações aos direitos humanos do regime de Gadaffi, cometidas contra seu próprio povo. Ainda quando Gadaffi se declarava um antiimperialista, faz muito tempo, não era outra cosa mais que lábia que utilizava enquanto se envolvia, como autoritário que é, em atos terroristas triviais, os quais não foram feitos para apoiar os objetivos libertários das vítimas do imperialismo.

    Devemos distinguir entre ser anti-yanque, anti-capitalista e ser um genuíno socialista, já que não são poucos os anti-yanques que são tão autoritários e repressores como o sistema global do fascismo corporativo ou como os regimes pró-yanques. Não nos esqueçamos do estalinismo. Gadaffi mesmo chegou ao poder quando o nacionalismo árabe estava em seu clímax, o qual era anti-imperialista em um sentido retórico, ainda que tenha conduzido aos países árabes de derrota em derrota em todas suas confrontações com o imperialismo e sua agente local mais importante, Israel. A última destas derrotas foi o Iraque no ano de 2003. Depois da derrota de 1967 do Egito, Síria e Jordânia, por parte de Israel, muitos esquerdistas terminaram por chegar à conclusão de que a natureza exploradora e repressiva destes regimes era a verdadeira responsável por estas derrotas. No ano seguinte, jovens e estudantes egípcios começaram a protestar contra o regime de Nasser, protestos que tiveram conotações libertarias. O fato é que o Egito sob Nasser, Iraque sob Saddam ou Síria sob Assad, todos tem sido meros exemplos de capitalismo de Estado burocrático, ou seja, regimes que tem reprimido e explorado seu próprio povo.

    Pergunta > Qual foi o papel dos Estados Unidos na crise? Sabendo-se que Gadaffi esteve em bons termos com eles durante bastante tempo…

    Mazen < Durante a Guerra Fria, ambas potências repressoras como foram os Estados Unidos e a URSS, praticaram um jogo dúbio: por um lado, reprimiam a seus próprios povos em sua esfera de influência e “apoiavam” as lutas de liberação nas esferas de influência de seu rival. Assim, a União Soviética apoiou a luta popular vietnamita contra a intervenção yanque e a Revolução Cubana, assim como outras rebeliões na América do Sul e outros lugares infestados de ditadores pró-Estados Unidos. Por outro lado, os Estados Unidos e o bloco capitalista apoiaram a onda de protestos na Europa do Leste, etc. Este jogo hipócrita ainda é jogado hoje. Os Estados Unidos estão ansiosos em apoiar rebeliões no Irã, por exemplo, mas jamais na Arábia Saudita. No Iraque, o governo de Bush ajudou a Saddam a retomar o poder mesmo após sua derrota na primeira Guerra do Golfo em 1991, em momentos em que este enfrentava uma enorme revolução popular e apenas uma pequena parte do Iraque estava sob seu governo. Sua intenção era derrotá-lo quando fosse mais fácil e quando fazê-lo não significaria um risco para seu domínio regional.

    Mas o mundo está girando a todo tempo, às vezes contra a vontade dos Estados Unidos, como ocorreu no Egito e na Tunísia. Apesar de todos seus esforços para manter a Ben Ali e a Mubarak no poder, as massas criaram uma nova realidade, a qual os Estados Unidos estão tratando de adaptar-se. Na Líbia, as coisas são um pouco diferentes. Os Estados Unidos são como um animal predador, que têm em sua frente a um regime de Gadaffi debilitado e detestado por seu povo e sobre tudo com um território líbio cheio de petróleo. O qual lhes aparece como uma vítima fácil e de grande porte. A parte disto pode ter a vantagem adicional de fazer aparecer o principal apoio das ditaduras em nossa região, os Estados Unidos, como se fosse um lutador pela liberdade, ajudando a liberar de seu sanguinário ditador, ao qual consideravam até há pouco tempo um amigo, a uma nação desamparada. O mal de ser um predador é que não consegue resistir à tentação de uma presa fácil, pese a suas experiências dolorosas passadas. É muito importante levar em consideração quando se fala deste possível plano de intervenção dos Estados Unidos que ninguém na Líbia, nem as massas rebeldes, nem sequer a oposição líbia no Ocidente, está a favor de uma intervenção militar estrangeira.

    Desde sempre, tal coisa seria um golpe contra a luta de toda nação líbia, um golpe contra sua luta independente pela libertação e também representaria uma ameaça contra seu futuro. Os líbios estão a ponto de derrubar o regime e conquistar a posse de seu petróleo e de sua vida. Eu não creio que, ao menos a maioria deles, estejam dispostos a sacrificar o que tem conquistado até agora em troca de uma vitória fácil, mas que não seria sua própria vitória.

    Pergunta > Qual é a natureza do governo civil-militar declarado hoje (27 de fevereiro) em Benghazi?

    Mazen < Ainda não existem instituições estatais propriamente ditas nas áreas liberadas. Há aqueles que estão tentado consolidar sua liderança elitista, mas sem êxito até o momento.

    Faz pouco tempo a imprensa yanque e a imprensa árabe pró-yanque, começaram a falar de um conselho interino em Benghazi, o qual estaria liderado por um ex-ministro do governo de Gadaffi, somente para ressaltar sua posição favorável a uma possível intervenção dos Estados Unidos. A parte deste suposto conselho interino, nenhuma outra força ou grupo das zonas liberadas, aceita tal intervenção.

    Pergunta > Qual é o papel dos Comitês Populares líbios? Estão criando, o povo, mecanismos para sua própria democracia direta?

    Mazen < Na prática, estes comitês, se converteram em parte integral de todas as revoluções no mundo árabe. Considero que sim, são bons exemplos de democracia direta. Todas as zonas libertadas são controladas por eles, tal qual ocorreu depois da queda de Ben Ali na Tunísia e depois de que Mubarak ordenara as suas forças de segurança abrir o caminho aos bandidos para que saqueassem por todas partes a fim de amedrontar as massas rebeldes. O que necessitamos agora é que se convertam em uma nova forma de vida, e não sinceramente em uma medida provisória: tal deve ser nossa mensagem as massas.

    Pergunta > Há aqueles que têm levantado as bandeiras da monarquia… acreditas que o fantasma de um retorno ao velho regime de Idris esteja em vista?

    Mazen < Para dizer a verdade, qualquer coisa pode suceder. Creio que nem sequer os líbios rebeldes sabem muito bem quem ou como governará o país quando consigam derrubar a Gadaffi. Devem descobrir eles mesmos sua própria maneira de fazê-lo. Mas creio que é difícil que isto ocorra, pois já não se submeterão facilmente a um novo governo. Tiveram conhecimento de seu poder e não será fácil lhes expropriarem isso novamente.

    Pergunta > Qual é a perspectiva no imediato para esta rebelião?

    Mazen < Depende. Ainda não foi finalizada a luta contra a ditadura, nem ela foi ganha. Mas devemos perceber o enorme potencial que existe. A vitória da revolução significará uma grande mudança na região. Devemos ter em mente que a Nova Ordem Mundial foi declarada e implementada aqui pela primeira vez, em função da crise do Golfo, em 1990 e 1991. Desde então, esta região tem substituído a América do Sul como o pátio traseiro de Washington. Somado ao que já vimos na Tunísia ou no Egito, as mudanças serão duradouras e profundas. Como sempre, há duas opções: ou se instaura um novo regime das elites, ou as massas conseguem construir uma sociedade verdadeiramente livre, organizada segundo o modelo destes comitês populares que o mesmo povo criou no calor de sua luta.

    Tradução > Juvei

     

  • Anarquistas da Indonésia pedem solidariedade

    Anarquistas da Indonésia pedem solidariedade

    Desde 2007, um grupo de anarquistas está participando de uma luta camponesa em Yogyakarta, um “território especial” no centro de Java, na Indonésia. Na zona costeira de Kulon Progo, os agricultores resistem a uma mineradora de ferro e uma industrialização crescente, que ameaça a sua terra e sua existência. Foram organizados na PPLP-KP (Associação de Produtores Costeiros, Kulon Progo) diferentes batalhas contra os poderes econômicos. Várias vezes, milhares de agricultores se uniram de forma combativa para enfrentar os investidores.

    Yogyakarta é considerado um território especial e tem leis diferentes, por seu papel histórico do reino de Java. No momento, um conflito entre o governo local e o estado central está criando obstáculos à exploração econômica da área, visto que o sultão de Yogyakarta luta por mais autonomia local. Liberais e ONGs consideram o sultão como o mais democrático das autoridades públicas, embora, obviamente, nada é mais do que um jogo de poder. Se ganhar o sultão, os agricultores serão igualmente explorados, uma vez que a empresa local de minério de ferro, Ferro Jogja Magasa, pertence a sua filha.

    Até agora, a polícia e o exército não foram motivados a reprimir a luta campesina com todas as suas forças, porque ainda não apareceu o dinheiro para pagar as suas propinas, visto que o conflito político não está resolvido e a resistência camponesa abalou grande parte da possível inversão econômica.

    Os grandes investidores são empresas japonesas e uma importante empresa australiana, Kimberly Diamond, que em seus projetos na Indonésia se chama Indomines. Apesar da resistência, os planos de desenvolvimento seguem, porque a mineradora de ferro é apenas um pré-requisito para outros mega projetos. A área de Kulon Progo é vista como economicamente estratégica para o desenvolvimento industrial e penetração de mineradoras em toda a Java central. É por isso que o Estado pretende construir uma estrada, aeroporto e mais infra-estrutura no território, os quais tais projetos seriam financiados pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (Asian Development Bank).

    Tentam criminalizar a luta dos camponeses, mas ainda não conseguiram impor a lei de seus tribunais. Os agricultores não respeitam as leis e, de acordo com companheiros de lá, “os camponeses vêem toda a lei como a língua do inimigo”. Tampouco confiam nas ONGs e nos esquerdistas, que sempre tentam se infiltrar na sua luta, e várias vezes chegaram pessoas da esquerda em suas assembléias. Com os anarquistas, pelo contrário, têm bons relacionamentos. Juntos criaram um centro social, Gerbong Revolusi (que tem uma biblioteca, estação de rádio, espaço infantil e espaço para assembléias e repouso). Também coordenaram uma rede de solidariedade com os anarquistas na Austrália e estabeleceu uma rádio comunitária.

    Para obter mais informações, leia (em Inglês):

    › http://hidupbiasa.blogspot.com/2009/12/tale-of-sand.html

    Atualidades:

    Quinta-feira, 24 de fevereiro. A empresa mineradora tentou reabrir seu escritório e as suas operações, que em dezembro passado os camponeses haviam fechado e destruído. Falhou, e os locais estão fechados.

    Segunda-feira, 28 de fevereiro. A Ferro Jogja Magasa e alguns investidores japoneses não vieram para uma reunião, ao redor da mina.

    Quarta-feira, 2 de março. Nove carros da polícia fortemente armada passou pelo projeto.

    Quarta-feira, 7 de março. 31 caminhões da polícia, 700 da Brigada Policial Móvel, com canhão de água, veículos especiais para os detidos, cães da polícia, armas de gás lacrimogêneo e armas militares, ocuparam a cidade.

    Chamamos a solidariedade urgente!

     

  • [Espanha] II Concurso de Desenho Antiespecista

    [Espanha] II Concurso de Desenho Antiespecista

    Começou o II Concurso de Desenhos Antiespecistas. Este projeto, em grande parte tem sido possível graças às colaborações de vários grupos de música, coletivos, distribuidoras…

    Estreamos um site para o concurso. Lá dentro encontrará toda a informação necessária para concorrer (como fazer os desenhos, colaborações, objetivos, prêmios…). Inscrições até 23 de abril de 2011.

    Também poderá ver e baixar todos os desenhos do I Concurso.

    Anime-se para participar com seus desenhos!

    Desperte sua mente – Pense, crie e difunda!

    Mande seus desenhos a:

    › concurso@resistenciavegana.es

    › info@resistenciavegana.es

    Mais infos:

    › http://www.concurso.resistenciavegana.es/

     

  • “O medicamento que cura completamente não é rentável”

    “O medicamento que cura completamente não é rentável”

    [O Prêmio Nobel de Medicina de1993, Richard J. Roberts, revela em entrevista ao La Vanguardia que muitas das doenças hoje crônicas são curáveis, mas para os laboratórios farmacêuticos não é rentável curá-las completamente; os poderes políticos sabem, mas esses laboratórios compram seu silêncio, financiando suas campanhas eleitorais.]

    Pergunta > Qual é o modelo de investigação que lhe parece mais eficaz, o americano ou europeu?

    Richard J. Roberts < É óbvio que o americano; onde o capital privado tem parte ativa é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espetacular da indústria de informática, onde o dinheiro privado é que financia a pesquisa básica e aplicada, mas para a indústria da saúde… Eu tenho minhas reservas.

    Pergunta > Eu o ouço.

    Richard < A pesquisa em saúde humana não pode depender somente de sua rentabilidade econômica. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.

    Pergunta > Explique.

    Richard < A indústria farmacêutica quer servir ao mercado de capitais…

    Pergunta > Como qualquer outra indústria.

    Richard < Não é apenas qualquer outra indústria: estamos falando sobre a nossa saúde, nossas vidas e as de nossos filhos e milhões de seres humanos.

    Pergunta > Mas se são rentáveis, investigariam melhor.

    Richard < Se só pensar nos benefícios, você para de se preocupar em servir às pessoas.

    Pergunta > Por exemplo…

    Richard < Eu verifiquei, como em alguns casos, que pesquisadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes, que eliminariam completamente uma doença…

    Pergunta > E por que deixam de pesquisar?

    Richard < Porque as companhias farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curá-lo quanto em obter de dinheiro, de modo que a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam completamente, e sim tornam crônica a doença; fazem experimentar uma melhoria, que desaparece quando deixa de tomar a droga.

    Pergunta > É uma acusação grave.

    Richard < É comum que os farmacêuticos estejam interessados em linhas de pesquisa, não para curar, mas apenas tornar crônicas doenças com drogas mais rentáveis que as que curam de uma vez e para sempre. E não tem mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica e verificar o que digo.

    Pergunta > Existem os dividendos que matam.

    Richard < Por isso lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado, não pode ser entendida meramente como um meio de ganhar dinheiro. E por isso eu acho que o modelo europeu de capital público e privado misto torna menos fácil estimular esses abusos.

    Pergunta > Um exemplo desses abusos?

    Richard < Deixaram de pesquisar antibiótico porque são muito eficazes e curavam completamente. Como não foram desenvolvidos novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, na minha infância havia sido derrotada, está ressurgindo, matando neste ano passado um milhão de pessoas.

    Pergunta > Você não está falando do Terceiro Mundo?

    Richard < Este é outro capítulo triste: apenas investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou falando sobre o nosso Primeiro Mundo: o remédio que cura completamente não é rentável e, portanto, não irão investigá-lo.

    Pergunta > Os políticos não estão envolvidos?

    Richard < Não fique muito esperançoso: no nosso sistema, os políticos são meros empregados dos grandes capitais, que investem o necessário para eleger os seus filhos, e, se não são, compram aqueles eleitos.

    Pergunta > Há de tudo…

    Richard < Ao capital só interessa se multiplicar. Quase todos os políticos – e eu sei o que digo – dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas, que financiam suas campanhas. O resto são palavras…