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  • [Grécia] Greve Geral: Grupo anarquista quer Syntagma como “a nova Praça Tahrir”

    [Grécia] Greve Geral: Grupo anarquista quer Syntagma como “a nova Praça Tahrir”

    Cartaz  - Greve Geral Grega, 23/02/2011[Nesta quarta-feira, dia 23 de fevereiro, acontece mais uma Greve Geral na Grécia. A seguir, um dos tantos comunicados anarquistas distribuídos naquele país chamando todos e todas para à greve.]

    Quarta-feira, 23 de fevereiro, dia de greve geral e manifestações no centro de Atenas. Enquanto o tempo passa, torna-se incrivelmente óbvio que a greve geral chamadas pelos sindicatos burocratas GSEE e ADEDY não são apenas “tiros em vão”, mas sim um lugar para demonstrar o descontentamento e a raiva crescentes: desde os simples protestos, às práticas dinâmicas daqueles que tentam chegar ao parlamento, conflitos com a polícia e molotovs contra as forças de repressão.

    Isso é confirmado pelo fato de que a questão de uma Greve Geral Indefinida nunca apareceu; isso é confirmado pelas datas “estranhas” escolhidas para a greve, assim como pelos imensos lapsos de tempo entre uma greve e outra. Depois de cada tentativa, mesmo quando haviam muitas pessoas, com uma boa energia, e atitudes de confronto, sempre ficávamos com uma pergunta no ar: “e agora”?

    Entretanto, ao mesmo tempo, esta escolha do lado da autoridade é uma brincadeira com fogo. Mesmo que a situação permaneça num nível “aceitável”, limitada espacial e cronologicamente, ou mesmo que dê certo, é sempre desconhecida e incerta.

    Nessa quarta-feira, podemos tentar algo diferente, utilizando as experiências das revoltas no mundo Árabe, como o Egito. Podemos mostrar tolerância e insistência que pode ser muito maior do que os governantes imaginam. Podemos lotar Syntagma com os milhares de outros participantes. Podemos cercar o parlamento e esperar. Ficar e não sair. Podemos transformar Syntagma numa Praça Tahrir. E daí em diante, ver o que acontece.

    Não somente na África ou no Oriente Médio, a revolta deve se espalhar pelo mundo.

    Vamos transformar Syntagma na Praça Tahrir!

    Todos à greve no dia 23 de fevereiro – saia às ruas e firme sua posição!

    Tradução > Filipe Ferrari

  • [EUA] Declaração de Walter Bond em seu julgamento condenatório: “Toda a ferocidade e amor em meu coração seguem vivo”

    [EUA] Declaração de Walter Bond em seu julgamento condenatório: “Toda a ferocidade e amor em meu coração seguem vivo”

    Walter Bond, também conhecido como Lone Wolf
    Walter Bond, também conhecido como Lone Wolf

    [No dia 12 de fevereiro, Walter Bond foi finalmente condenado à pena mínima de 5 anos de prisão e 3 anos de liberdade condicional. Christine Arguello, a juíza, afirmou ter lido as cartas que lhe tinha enviado os solidários com Walter, assim como os ensaios que ele foi tornando público da prisão. Ela comentou que considera Walter muito inteligente e o incentivou a, no futuro, focar seus escritos sobre a libertação animal e não praticar incêndios como método de luta. A seguir palavras de Walter Bond para o tribunal no dia de seu julgamento de condenação.]

    “Estou aqui hoje porque eu queimei a fábrica de pele de carneiro, em Glendale, Califórnia; uma empresa que vende peles e couros de animais mortos. Eu sei que muitas pessoas pensam que eu deveria sentir remorso pelo que fiz. Suponho que este é o momento em que, de costume, deve se humilhar e implorar por misericórdia. Eu lhes asseguro, que se fosse isso que sentisse, eu o faria. Mas eu não me arrependo de nada que fiz. Também não estou assustado com a autoridade deste tribunal, já que qualquer sistema jurídico que valorize os direitos do opressor sobre o oprimido é um sistema injusto. E quando este tribunal tem o poder real e atual, eu questiono a sua moralidade. Duvido que o tribunal esteja interessado nas precauções que tomei para não prejudicar qualquer pessoa ou pessoal em serviço, e muito menos com as miseráveis vidas que ovelhas, vacas e visons têm que suportar, até a morte, e com as quais uma empresa do Colorado se beneficiou de sua prisão, escravidão e assassinato.

    Obviamente, os proprietários e empregados da fábrica de pele de ovelha não se importam muito se são parte do comércio sinistro e macabro de sangue. Então eu não vou perder meu tempo com eles, pois só cairia em ouvidos surdos. É por isso que me voltei para a ação direta ilegal para começar, porque, a eles, não importa. Não importa o quanto os ativistas lhes falem e argumentem sobre os direitos dos animais, não importa para eles. Bem, Sr. Livaditis [proprietário da fábrica de pele de carneiro], você realmente não me importa. Não existe terreno comum entre as pessoas como você e eu. Eu quero que você saiba que não importa com o que o tribunal condene-me hoje, você não ganhou nada! A prisão não é uma grande dificuldade para mim. Em uma sociedade que valoriza o dinheiro acima da vida, considero uma honra ser um prisioneiro de guerra; a guerra contra a escravidão entre espécies e a objetivação! Eu também quero que saiba nunca vou estar disposto a pagar um dólar, nem um! Espero que o seu negócio fracasse e te sufoque até a morte, a cada centavo que entra do benefício que é para você matar os animais! Espero que sufoque e queime no inferno!

    Às pessoas que me apóiam, quero agradecê-las por se juntar a mim e mostrar a este tribunal, e a estes exploradores de animais, que apoiamos uns aos outros e, como movimento, não pediremos desculpas por ter um senso de urgência. Não vamos colocar os interesses do comércio sobre a sensibilidade! E nunca deixaremos de educar, agitar e enfrentar os responsáveis pela morte de nossa Mãe Terra e suas nações animais. Minhas irmãs e irmãos vegans, nossas vidas não são nossas. O egoísmo é a forma dos gananciosos, pervertidos e fornecedores de injustiça. Já foi dito que todo o necessário para o mal vencer é que as pessoas de bem não façam nada. Já pelo contrário, todo o necessário para acabar com a escravidão, o uso de drogas, abuso e assassinato de outros animais além dos humanos, é a vontade de lutar em seu nome!

    Faça o que puder, faça o que deve fazer: ser guerreiros vegans e verdadeiros defensores dos animais, e nunca se comprometer com seus assassinos e especuladores. A Frente de Libertação Animal (FLA) é a resposta. Raramente houve um movimento de grande alcance e eficaz a nível internacional na história humana. Não podes se somar a FLA, mas então se converta nela. E é o de mais orgulhoso e mais poderoso que eu fiz. Ao sair desta sala hoje não fique consternado com a minha prisão. Toda a ferocidade e amor em meu coração seguem vivo. Toda vez que alguém liberta um animal e quebra sua gaiola, sigo vivo! Cada vez que um ativista se recusa a curvar-se às leis que protegem o assassinato, sigo vivo! E eu vivo cada vez que o céu a noite é iluminado pelas chamas de uma outra empresa exploradora de animais em ruínas!

    Isso é tudo, senhor juiz; estou pronto para ir para a prisão.”

    Walter Bond

    Mais infos:

    › http://www.supportwalter.org/index.htm

  • [Grécia] Exercícios militares de repressão de revoltas, no âmbito da OTAN e do exército europeu

    Novos casos de denúncias de soldados gregos puseram em evidência a decisão do governo grego, a OTAN e a UE de avançarem para a integração e participação das forças militares da Grécia em operações contra o “inimigo interno” e em especial na repressão de manifestações e em insurreições, consideradas por todos os estados como as modernas “ameaças desproporcionadas”.

    De acordo com as queixas dos soldados de vários batalhões da 71ª Brigada Aerotransportada “Pontos”, com sede em Nea Santa Kilkis, norte da Grécia, entre quinta-feira, 3 e 4 de fevereiro, foram realizados no norte da Grécia na cidade de Koromilá exercícios militares de repressão de manifestações sob a supervisão dos chefes civis e militares das Forças Armadas.

    As revelações da Rede Livre de Soldados de Espartaco sobre a formação da 71ª Brigada Aerotransportada, em táticas e métodos de repressão de manifestações, descontrolaram o comandante do Batalhão 596 de Argirúpolis. Insultando, ameaçando e aterrorizando os soldados, afirmou: “Somos uma força dirigida pela OTAN. Estamos a ser treinados para reprimir manifestações na Grécia, mas também noutros países. Amanhã podem nos enviar para o Egito para reprimir a revolta. Esse é o nosso papel”.

    A seguir a carta aberta dos soldados da 71ª Brigada Aerotransportada:

    Carta aberta de soldados da 71ª Brigada Aerotransportada

    Repudiamos qualquer participação em operações de repressão de manifestações. Basta de mentiras dos oficiais do Estado Maior e do Ministério da Defesa. A formação dos soldados da Brigada Aerotransportada 71 em Kilkis progride. Ser “boina vermelha” (como se tivéssemos sonhado com ela alguma vez) requer sacrifícios, correr e suar. Como se revelou, neste tipo de formação temos que  desempenhar o papel de manifestantes num simulacro de repressão de uma manifestação. Por isso pediram-nos para não fazer a barba.

    A publicidade sobre este assunto e as reclamações provocaram as primeiras reações. No quartel, na inspeção da manhã, o capitão informou os soldados da existência da denúncia, passando ao ataque e acusando os autores de falta de rigor e de divulgarem mentiras. Falou de covardia, exortando os soldados a expressarem-se imediatamente, na reunião dessa manhã. Em poucos segundos mostrou a sua verdadeira face, empregando ameaças de encarceramento e de tribunais militares.

    A nossa opinião é semelhante à do resto da população: é uma covardia esconder-se atrás dos galões e da hierarquia, separando a vida no quartel da do resto da sociedade, proibindo até a publicação das “arbitrariedades” que as sentenças judiciais permitiram a todos os uniformizados. Trata-se de resistência, de um direito e de uma obrigação nossa para com o povo grego, far-lhes conhecimento da conversão do exército numa guarda civil.

    Em seguida, disse-nos que estava apoiado e que não tinha medo de nada. Quanto mais ênfase punha no caso mais se notava que estava numa posição difícil.

    Como balanço, uma única carta foi suficiente para lhes causar um problema e pôr em causa a nossa participação nesta fantochada, a qual, entre outras coisas, é um insulto à nossa dignidade. Se quisermos protestar, sabemos onde, quando e por que fazê-lo. E isto nunca será um ensaio para um novo e sofisticado tipo de repressão. Em breve enfrentaremos o governo do PASOK – o tal que desmantela e privatizar a Saúde e a Educação, que suspende os direitos laborais e a segurança social, que nos deixa sem trabalho

    Mas o melhor ainda estava para vir com o discurso do comandante. Segundo ele, a Grécia pertence à UE, o exército grego faz parte do Exército Europeu e a partir da primavera é obrigado a ter dois esquadrões da repressão de manifestações! Esses esquadrões não se destinam a ser utilizados na Grécia, mas para “missões cujo propósito sejam processo de paz”, onde muitas vezes há a necessidade de intervir entre duas “facções em conflito”, como por exemplo, no Kosovo. Trata-se da revelação completa de todo o projeto! Onde estão, pois as imprecisões e mentiras de que nos acusam?

    São os oficiais e o comandante da 71ª Brigada Aerotransportada,o Estado-Maior Geral e o Ministro da Defesa Nacional, que enganam o nosso povo ao utilizarem mentiras propagandísticas.

    – Que facções em guerra separam agora a OTAN, no Afeganistão?

    – Desde quando a intervenção da OTAN no Kosovo, onde sérvios e albaneses lhes são hostis, é uma “missão de paz”?

    – A OTAN e o Exército Europeu não defendem os interesses dos armadores na Somália?

    Rejeitamos o termo “missão de paz”, já que nos pomos do lado de nosso povo, que rejeitou os “bombardeamentos humanitários” da OTAN contra o povo iugoslavo, cujo objetivo era o desmembramento do país e a imposição da soberania da OTAN, os Estados Unidos e a UE.

    Direta ou indiretamente a OTAN e a União Européia provocam guerras e conflitos entre civis, formando uma série de novos países com novas correlações políticas, sociais e econômicas, a serviço de interesses específicos. Os governos dos países da UE, a administração Bush e a OTAN, armaram, instruíram e incitaram o chamado Exército  de “libertação” do Kosovo (UCK), os mesmo a que hoje acusam de contrabando de armas, de drogas, de mulheres e de crimes contra a humanidade.

    A OTAN e o Exército Europeu são forças de ocupação, sob o título de “missão de paz” garantem é a estabilidade das novas correlações e dos novos interesses.

    Acabemos já com estas histórias.

    No Kosovo, Afeganistão, Somália e noutros países, a Grécia não exporta paz, é somente ocupação. É o destino destas missões, descaradamente classistas, que exigem uma nova forma, mais policial.

    Com o Tratado de Lisboa, a OTAN foi nomeada a garantia da Nova Ordem Mundial, mantendo o direito de interferir nos assuntos internos dos países para reprimir as revoltas sociais causadas pela crise financeira. Porque o seu inimigo não é só o que os militares enfrentam ou os “terroristas”, mas qualquer força social que ameaça o status existente.

    Contra os manifestantes é necessário mais do que metralhadoras e banhos de sangue, que podem provocar a opinião pública. No início fazem falta produtos químicos, balas de borracha e cassetetes em número maior ao que a polícia normalmente utiliza. Se a intensidade das explosões sociais o justificar virão os tanques.

    As novas doutrinas militares da OTAN e do exército europeu são o que nos preocupa. Para elas o Inimigo, em última instância é o que põe em perigo o sistema. Uma parte dos funcionários do governo e o próprio primeiro ministro elevaram a “ameaça nacional”, una série de questões como os imigrantes, as greves indeterminadas e as manifestações massivas.

    Por que é que deveríamos estar seguros de que os treinos para a repressão das manifestações no âmbito da OTAN e do exército europeu servirão apenas para a Brigada dos Bálcãs no estrangeiro? (Não que isso nos vá tranqüilizar).

    Não deveríamos aprender com a experiência mundial, onde as tropas imperialistas treinadas dos EUA, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, retornando aos seus países, têm assumido o papel de repressão contra o inimigo interno e de consolidação do ambiente de segurança do regime da autoridade burguesa.

    É claro que o poder se está a preparar ao introduzir o Exército, ainda que indiretamente e num ambiente intimidatório, na “operação” repressão. Já o provaram na Grécia, em dezembro de 2008, tal como na grande greve geral de 5 de maio de 2010.

    Examinando, no entanto, os exemplos mais recentes de países africanos, é óbvio que, se o povo quiser, nem o exército os poderá controlar.

    Rede de Soldados Livres Spartacos

    Mais infos:

    › http://diktiospartakos.blogspot.com

    Veja os exercícios no seguinte vídeo:

    › http://www.youtube.com/watch?v=SlF-URQfuoA&feature=player_embedded

    Tradução > Liberdade à Solta

  • [Alemanha] Milhares de pessoas impedem passeata neonazista em Dresden

    [Alemanha] Milhares de pessoas impedem passeata neonazista em Dresden

    Milhares de manifestantes impediram anteontem (19 de fevereiro), em Dresden, uma passeata de neonazistas, erguendo barricadas e envolvendo-se em confrontos com a polícia, que não conseguiu impor o direito de manifestação à extrema-direita, reconhecido pelos tribunais.

    Centenas de neonazistas que planejavam manifestar-se na capital da Saxônia em memória das 25 mil vítimas dos ataques aéreos dos aliados de 13 e 14 de fevereiro de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, acabaram por desistir da manifestação, e após conversações com a polícia decidiram transferi-la para Leipzig. A mais de 110 quilômetros de distância.

    Antes da chegada a Leipzig do trem que transportava os neonazistas, a polícia teve de dispersar várias concentrações de manifestantes antifascistas que gritavam “fora com os nazis”, “confrontaremos os jovens e velhos nazistas”, “no pasaran”.

    No ano passado, milhares de neonazistas já tinham sido impedidos de desfilar em Dresden em 13 de fevereiro devido aos protestos de numerosos antifascistas.

    Este ano, a manifestação convocada pelo partido de extrema-direita NPD em Dresden atraiu apenas centenas de neonazistas, apesar de os tribunais terem autorizado o ato e determinado proteção policial contra as tentativas de bloqueio dos manifestantes antifascistas, igualmente anunciadas para Dresden.

    Milhares de antifascistas bloquearam durante várias horas as ruas em torno da estação ferroviária central de Dresden, para impedir o acesso dos neonazistas ao local da concentração.

    A polícia tentou dispersar os antifascistas, utilizando cassetetes, canhões de água e gás lacrimogêneo, mas estes romperam o cordão policial, ergueram barricadas, danificaram automóveis, incendiaram contentores de lixo, apedrejaram o corpo de intervenção e lançaram foguetes contra os policiais.

    Cerca de 200 manifestantes antifascistas foram detidos, sob a acusação de ataques corporais e desobediência à autoridade.

    Antes dos confrontos, mais de 20 mil pessoas participaram em vigílias e protestos pacíficos contra a presença de neonazistas na capital da Saxônia. As Igrejas católicas e protestantes associaram-se aos protestos antinazistas, apelando ao combate ao ódio racial, à xenofobia, à violência e ao racismo.

    Mais infos, vídeos e fotos:

    › http://de.indymedia.org/

  • [Grécia] Reação imediata e confrontos com a polícia, após o despejo da Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta

    [Grécia] Reação imediata e confrontos com a polícia, após o despejo da Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta

    Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta
    Despejo da Ocupação PIKPA em Heraklion, na Ilha de Creta

    Na quarta-feira, 16 de fevereiro de 2010, às 6h30 da manhã, grande forças policiais antidistúrbios, acompanhados por um fiscal de plantão, começaram a desocupar o prédio da Ocupação do edifício do antigo PIKPA (Fundação Patriótica de Bem-estar e Concientização), na cidade de Heraklion, na Ilha de Creta. No momento da invasão policial não havia ninguém no prédio. Na falta de pessoas para prisão, a polícia evacuou o edifício, confiscando tudo que encontrou e removendo até mesmo portas e janelas.

    Três horas mais tarde, solidários com a Ocupação começaram a se reunir fora do edifício. Três pessoas, que haviam chegado ao local muito tempo após a operação policial, foram presas simplesmente por ter cometido o crime de perguntar o que havia acontecido. Depois das 13 horas os três detidos foram liberados e apenas um deles acusado de delitos.

    Às 11h30 da manhã, companheiros procederam a uma ocupação do Departamento do Ministério da Saúde de Heraklion, exigindo a libertação dos três detidos e a devolução dos objetos confiscados durante o despejo. O edifício do Departamento do Ministério da Saúde foi cercado pela polícia secreta e forças antidistúrbios. A polícia secreta, como puros representantes da valentia petulante de sua espécie, começou a provocar as pessoas que se reuniram, mas foram expulsos do local a pedradas. Às 2h30, a Ocupação terminou, ao se tornar pública a liberação dos detidos. Mais tarde foi anunciado que, do que foi confiscado, não seriam devolvidos computadores e o arquivo da Ocupação (folhetos e material impresso), que é o importante do trabalho coletivo da Ocupação.

    Na tarde do mesmo dia, realizou-se um debate na Ocupação de Evangelismós, sobre o que aconteceu e as possíveis formas de reação à contínua e intensificada repressão do Estado. No final da tarde, houve uma marcha para o edifício da Ocupação despejada, onde aconteceram violentos confrontos de centenas de manifestantes com a polícia. Havia quatro presos e uma menina brutalmente espancada pela polícia ficou ferida.

    Fotos (veja a atitude da polícia secreta) aqui:

    › http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1262498

    Ocupação PIKPA:

    › http://pikpa.squat.gr/

    Ocupação de Evangelismós:

    › http://evagelismos.squat.gr/

  • [Grécia] Supermercado DIA proíbe a entrada de imigrantes nas suas instalações; Anarquistas atacam quatro lojas em resposta

    A filial local da rede de supermercados DIA % (Distribuidora Internacional de Alimentos S.A.) no noroeste da cidade de Igoumenitsa proibiu os imigrantes de entrarem nas suas instalações, mas após uma “discussão” eles foram autorizados a entrar na loja um de cada vez.

    Em resposta, no dia 12 de fevereiro, em Atenas, os anarquistas atacaram quatro filiais do DIA % na cidade (em Agios Eleftherios, Petralona, Patisia e Kipseli). As lojas foram alvejadas com pedras e bombas de tinta e distribuídos para os transeuntes folhetos explicando a ação.

    Fotos:

    › https://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1260596

  • [Portugal] “Jardim” da COSA completamente destruído

    [Portugal] “Jardim” da COSA completamente destruído

    Comunicado:

    Dia 15 de fevereiro, uns quantos fiscais da câmara municipal acompanhados da polícia à paisana, chegaram à COSA e roubaram todas as plantas que tínhamos no exterior da casa. Não avisaram antes, não nos deixaram retirar os vasos para o interior da casa e destruíram uma boa parte deles ao atirá-los para dentro de um veículo. Tínhamos uma juca enraizada no chão que foi cortada à machadada.

    Por suposta “ocupação ilegal da via pública“. Quem conhece o nosso espaço sabe que as plantas estavam o mais junto possível à fachada da casa e o passeio é largo para que se possa passar, apesar dos carros todos.

    Das duas uma: Ou estes fulanos consideram mesmo que o importante é tirar as plantas às pessoas ou isto é mais uma vingançazinha sobre a COSA.

    Até uns tecnocratas inúteis deveriam ser capazes de perceber que, nos dias de hoje, criminalizar e perseguir quem pretende dar um pouco de verde à sua rua é um sinal descarado de má formação e, sobretudo, burrice. Vai contra aquilo que é natural num ser humano.

    É sabido que nós temos posições “radicais”: como acreditarmos que ninguém deve poder mandar nas vidas, nas casas e nas ruas dos outros. Mas isto beira já o surreal… Como é possível que se empenhem em perseguir uns vasos e arbustos? E chamam a isso trabalho?! Porque é que não se (pre)ocupam com as ruas deles? Porque aqui neste nosso bairro as pessoas acarinhavam e respeitavam este jardim.

    Daí que, por uma mera questão de lógica, nos pareça que aqui se esconde uma vingança mesquinha. Não nos apanharam em tribunal, não nos conseguem pôr fora daqui, não nos calam e nunca nos vão submeter. E nós ficamos ainda mais cientes de que vocês, figuras da autoridade, estão mesmo dispostos a qualquer coisa e nunca terão escrúpulos.

    Ações legais destas são um claro exemplo de que está na hora de mandar estes fulanos às urtigas e começarmos a recuperar e gerir a nossa autonomia.  Odiamos esta ordem, esta lei e aquilo em que querem transformar a cidade!

    São a ligação e o amor que temos a esta terra que nos fazem querer lutar contra co-incinerações e resorts de luxo. E um dia vermos mais jardins selvagens a crescer!

    Casa Ocupada de Setúbal Autogestionada

  • [Espanha] Festival de Cinema Anarquista de Barcelona

    [Espanha] Festival de Cinema Anarquista de Barcelona

    Festival de Cinema Anarquista de Barcelona

    [Festival de Cinema Anarquista, em Barcelona, quinta-feira, 31 de março e sexta-feira 1 de abril, no Antic Teatre.]

    Aqui estamos, novamente pensando e conversando entre nós, assistindo a uma série de eventos que acontecem nesta cidade; a maioria não nos inclui, não têm nada a ver com o que somos. Shows comerciais e publicidade variados; compra, venda, repete, obedece.

    Mas aqui somos nós mesmos e escapamos, se apenas por um tempo, de toda essa marabunta comercial que assalta-nos em cada esquina da cidade. Queremos sentar, desta vez sem pressa, e contar histórias que aconteceram ou que nunca irão acontecer; histórias que falam por si, ou histórias que deixam a porta aberta para a imaginação. Queremos conversar, encontrar cumplicidade, encontrar pessoas, ser, como nós gostamos de fazer, de forma anti-autoritária, combativa e criativa.

    Nós ainda estamos fechando o programa, portanto, se você tem um filme, curto ou documentário, que gostaria de ver projetado no festival, nos avise! Estamos à procura de material que trate sobre os anarquistas e anarquismo, que tenha inspiração anarquista ou que fale sobre lutas anti-autoritárias ou que seja simplesmente anárquico.

    Envie-nos uma sinopse do filme, registrando a duração e formato (VHS, DVD etc.) para: cineanarquistabcn@gmail.com

    Mais infos: http://fcab.tk/

  • [Grécia] Keratea-Lavreotiki: Dois meses de terrorismo

    [Grécia] Keratea-Lavreotiki: Dois meses de terrorismo

    Na terça-feira, 8 de fevereiro, por volta das 16 horas, intensificou-se o ataque coordenado dos mecanismos da Junta contra os cidadãos da cidade de Keratea. Durante os últimos dois meses, a partir de 11 de dezembro, os cidadãos e solidários resistem contra a proposta de construção de um aterro sanitário na área de Lavreotiki. Opõem-se, com todos os meios possíveis, à degradação de suas vidas e do meio ambiente, contra os especuladores das construtoras e suas muletas políticas do conselho democrático.

    A resistência da sociedade local através de instituições, mas também através da generalizada contra-violência social (como confrontos quase diários com a polícia nas barricadas com coquetéis molotov, atirando pedras e com sabotagem das obras de construção ) não poderia ser deixada sem resposta.

    Em um trabalho inédito – dado que estamos falando de uma pequena cidade – de ativação dos meios repressivos estatais, uns bastardos policiais à paisana invadiram casas de lutadores, para proibir suas ações e semear o terror entre os que lutam. Espancaram e fizeram várias detenções. A mãe de um dos detidos sofreu um ataque cardíaco, segundo denunciou o próprio prefeito. Solidários tentaram dissuadir as detenções e exigiram a libertação imediata de todos os detidos, cercando a delegacia local. Assim, o Estado lançou uma operação de estilo militar. Pelotões de policiais antidistúrbios desencadearam uma (sem exagero) “guerra química”, com o uso incontrolável de todos os tipos de gás e granadas de efeito moral, com o objetivo de destruir completamente a resistência da comunidade local.

    O silêncio cúmplice por parte dos – sem vergonha – meios de desinformação, foi uma vez mais em sintonia com a misantropia dos cães uniformizados: ao mesmo tempo que policiais e secretas batiam em “anciãos, jovens e mulheres” (de acordo com vários depoimentos de pessoas presentes), gritando com ódio o nome de Alexandros Grigoropoulos, numa clara demonstração de prazer sádico, nos “escritórios” do Parlamento se debatia a nova legislatura sobre as alterações da nova política de Saúde. A mídia da ordem estabelecida não cobriu esses eventos, provocando até a “nostalgia” dos seus ex-boletins de desinformação de última hora. Ao mesmo tempo em que a esquerda parlamentar limitava a sua reação a “questões fora da agenda do dia” e afirmações vagas da violência policial, dos seres humanos de todas as idades e ideologias que estavam exercendo seu direito à auto-defesa, lançando contra os invasores de suas varandas laranjas, pedras e todos os tipos de objetos que encontravam.

    Os mecanismos da Junta converteram uma área inteira em uma zona militar, rompendo o bloqueio do Parque Industrial (VIO.PA), ocupando as ruas centrais de Keratea e limitando a guerrilha urbana dos que resistiam em pequenos núcleos em torno da praça central de Ayios Dimñitrios. Uma imagem representativa dos eventos, que tanto os amos como os meios de comunicação querem esconder, é “o sinal de guerra”: os sinos de todas as igrejas soaram, chamando as pessoas para as ruas, enquanto a estação de uma rádio local tornou-se, mesmo por algumas horas, em um meio de informação contra a Junta.

    A área de Lavreotiki e, especificamente, a cidade de Keratea, acabou por se tornar numa zona de exclusão, figurativa e literalmente. Isso é provado pelas reações iradas de dezenas de cidadãos, com as cabeças sangrando, os acessos controlados, o ataque frontal contra uma luta com características radicais e cobertura nula por parte dos meios de desinformação. Mas, principalmente, nos demonstram todos os testemunhos vivos de quem denunciou a barbárie estatal, insistindo que, felizmente, não houve mortes nesta noite (9 de fevereiro). Em pelo menos uma ocasião, um policial à paisana levantou a arma contra as pessoas concentradas.

    O número exato de feridos, detidos e presos ainda permanece obscuro. A única coisa que se pode dizer é que a luta dos cidadãos de Keratea e de Lavreotiki é uma luta de todos nós, uma luta nos limites do desespero e sobrevivência. Desde as partes mais conservadoras até as mais radicais da cidade, reconhecem o Estado como um mecanismo de repressão e terror. Chamam à solidariedade ativa, que pode ser expressa tanto na Grécia como fora dela. Na quarta-feira, 9 de fevereiro, às 19 horas, cidadãos e solidários chamaram uma Assembléia Geral na praça central de Ayios Dimitrios, Keratea, que prontamente apareceram milhares de pessoas. Após a Assembléia foram realizadas manifestações e até o bloqueio da VIO.PA.

    Em 30 de janeiro, à noite, as forças de ocupação exerceram mais uma vez grande uso de gás. Desde uma distância muito próxima, e apontando diretamente na cabeça das pessoas concentradas, lançando gás lacrimogêneo e ferindo uma pessoa. Depois disso, dezenas de pessoas atacaram um pelotão antidistúrbio MAT. No mesmo dia, houve uma jornada de solidariedade no Parque Ocupado e Autogestionado de Exarchia, em Atenas. Anteriormente, cidadãos de Keratea que chegaram a Atenas para assistir a esta jornada, passaram pelo prédio onde estão os 250 imigrantes em greve de fome para exprimir a sua solidariedade, deixando para eles cobertores, água e outras coisas.

    Vídeo: http://www.youtube.com/verify_age?next_url=http%3A//www.youtube.com/watch%3Fv%3DKhBec1_Z3bE%26feature%3Dplayer_embedded

  • [Itália] Informe da participação da USI-AIT na greve geral

    [Itália] Informe da participação da USI-AIT na greve geral

    Militantes da USI-AIT (anarcosindicalista)
    Militantes da USI-AIT (anarcosindicalista)

    [Na jornada de greve geral, em 28 de janeiro, manifestações ocorreram em várias cidades, com a participação dos militantes da USI-AIT (anarcosindicalista), que organizaram blocos bem visíveis. Estas são informações sobre algumas delas.]

    Florença: Na manifestação pela greve convocada pela USI-AIT, CUB e COBAS, organizada pela assembléia cidadã, participaram cerca de 2.500 pessoas, entre trabalhadores e estudantes. Foram representadas diversas realidades de toda a região da Toscana. Teve um bom resultado, considerando o fato de que muitos trabalhadores tinham optado por participar da manifestação do sindicato dos metalúrgicos FIOM-CGIL, em Massa. No bloco organizado pela USI, participaram uma centena de pessoas.

    Milão: Excelente participação na marcha do sindicalismo de base, que contou com a presença consistente da USI. A marcha terminou em frente à sede da Assolombarda (setor da Lombardia da patronal), onde houve momentos de tensão com a polícia, mas sem conseqüências.

    Udine e Trieste: Em Udine, mais de 1.000 participantes na manifestação regional. Com a colaboração dos companheiros libertários do centro social da cidade, foram distribuídos 500 folhetos assinados pela USI-AIT. Isso foi muito importante para esclarecer, entre os trabalhadores, quem são a USI-AIT (em Udine há um dos grupos romanos divisores da USI, que em ocasiões tentam deslegitimar a USI-AIT, inclusive ameaçando pessoalmente um colega sindicalista local). Em Trieste, apesar do vento muito forte (100 km/h), dezenas de pessoas participaram da manifestação, organizada pela USI e COBAS.

    Ancona: Manifestação de cerca de 7.000 pessoas, onde participaram todas as organizações (USI-AIT, COBAS, FIOM). O bloco vermelho e negro, organizado pela USI e a Assembléia Anárquica Marchigiana, composta por trabalhadores (do setor público e metalúrgico), desempregados, aposentados e estudantes, marcharam juntos atrás de um banner em solidariedade com o povo tunisiano. Centenas de panfletos da USI foram distribuídos (800 destes dedicados à situação local). O desfile, que passou em frente à sede local do PDL, liderada pelas forças de desordem, terminou na porta, como de costume nessas ocasiões.

    Gênova: 10.000 pessoas manifestaram-se em duas passeatas separadas: uma da FIOM e outra do sindicalismo de base, onde participaram os militantes da USI no bloco do sindicalismo alternativo.

    Mais infos e fotos: http://www.usi-ait.org/