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  • A natureza está morrendo?

    É misterioso: desde os últimos dias do ano passado se registraram mortes quase simultâneas de peixes, aves e outras espécies em quatro continentes.

    O primeiro destes fenômenos que se tornou público aconteceu em Maryland (EUA), no fim de dezembro: dois milhões de peixes apareceram mortos nas praias da baía de Chesapeake. Dias depois no Arkansas amanheceram 5.000 merlos mortos nas ruas e 200.000 peixes mortos no rio Arkansas. Notícias parecidas começaram a chegar de diferentes cantos do mundo.

    Na praia inglesa de Thantet, condado de Kent, encontraram-se estrelas do mar, caranguejos, esponjas, lagostas, caracóis e anêmonas sem vida; na Nova Zelândia, centenas de peixes e dezenas de pingüins; no sul do Vietnã, 150 toneladas de peixes; polvos no porto de Vila Nova, Portugal, centenas cada manhã desde 3 de janeiro; 400 tórtolas caídas das árvores, mortas, em Faenza, ao norte da Itália, em 6 de janeiro; perdas similares na Argentina (100 toneladas de peixes no rio Paraná); Brasil (15 toneladas de sardinhas, corvinas e peixes gato); no Chile (mais de um milhão e meio de camarões na praia de Quenchi, Chiloé); no Canadá, Alemanha e outros países. São fatos que se registraram antes. Mas o que hoje chama a atenção é sua coincidência no tempo.

    Abundam as explicações mais diversas desta suposta anomalia, ainda que seja certo que as investigações não produziram resultados firmes. Mas ao contrário: despertam novas perguntas. Uma sorte de envenenamento geral? Não encontraram até agora elementos que confirmem esta hipótese. O uso de pesticidas? Isto se poderia aplicar às aves, dificilmente aos peixes. Há interferências místicas: se aproxima o ano 2012, portador do Apocalipse. Outras são francamente disparatadas. Um veterinário sueco explicou assim as mortes de aproximadamente cem gralhas na Suécia: “Nossa teoria principal é que os fogos de artifício assustaram as aves e estas se colocaram na rota, mas o cansaço lhes impediu de levantar vôo e um carro as atropelou” (www.rawstory.com, 5-1-11). Devia ser um automóvel formidável.

    Alguns experts propõem que a causa radica da brecha aberta no pólo norte do campo magnético da Terra, que a envolve e protege dos ventos solares e da caída de asteróides e outros objetos que vagam pelo espaço (earthfrenzyradio.com, 6-1-11). Para as aves, vai. E os peixes? O porta-voz da Comissão de Pesca do Arkansas, Keith Stephens, opina que os peixes tambor que terminaram no Chesapeake poderiam ter sido vítimas de uma enfermidade, dado que todos pertenciam a mesma espécie. Não deixa de ser uma especulação. Também menciona-se o aquecimento global e é bem provável que todos esses fatores influam. Mas o problema de base radica em outro lugar.

    O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sua sigla em inglês) acaba de dar a conhecer uma lista das dez espécies que correm o maior perigo de extinção: o tigre, o urso polar, o gorila da montanha, o pingüim magalânico, o rinoceronte de Java, entre outras (www.telegraph.co.uk, 25-1-11). São vítimas faz anos, séculos, da degradação humana. A tartaruga laúde (tartaruga de couro), a maior de todas, que conseguiu sobreviver 100 milhões de anos sobre este planeta, está dizimada pela caça e seu habitat corre perigo pelo aumento do nível dos mares. Há peixes cujo destino é converter-se em sushi: “Um único exemplar de atum vermelho foi leiloado em Tóquio pelo preço recorde de 32,49 milhões de yens, aproximadamente 400.000 dólares por um só pescado” (www.treehugger.com, 15-1-10). Quanto tempo tem o atum vermelho antes de extinguir-se?

    Umas 900 espécies de vegetais e animais extinguiram-se nos últimos 500 anos, segundo uma infografia do site Mother Nature Network, e mais de outras 10.000 correm o perigo de seguir sua sorte (www.mnn.com, 5-3-10). Mas é de um século para cá que este lance se acelera: a ação do homem é mais rápida que o ritmo de reprodução natural da flora e da fauna. A baleia cinza não está precisamente a salvo e tampouco ecossistemas como o maior recife de corais do mundo, a Grande Barreira de Coral, às vezes qualificada como o maior ser animal vivo do planeta. Localizado junto à costa nordeste australiana de Queensland, estende-se ao longo de 2.600 km e é visível desde o céu. A Unesco declarou-o Patrimônio da Humanidade em 1981, mas não faltam aqueles que a preferem como patrimônio próprio.

    A morte súbita de aves e de peixes na antiguidade era um presságio certo de catástrofe que nem sempre se cumpria. No século XXI é uma realidade tangível. A natureza está morrendo ou a estão matando?

    Juan Gelman

  • [Reino Unido] Sobre a polícia infiltrada em Cardiff

    [Esta é a nossa resposta à descoberta de que Mark Jacobs havia se infiltrado em nosso grupo, durante quatro anos.]

    Por quatro anos, um policial à paisana que conhecíamos como “Marco” se infiltrou na Rede Anarquista Cardiff (Cardiff Anarchist Network – CAN). Durante esse tempo, acreditamos que tinha uma série de objetivos: coleta de informações e interrupção das atividades da CAN; a utilização da reputação e da confiança adquirida com a CAN para infiltrar-se em outros grupos, incluindo uma rede européia de ativistas e parar o funcionamento coerente da CAN. Para 2009, as suspeitas haviam acumulado, mas Marco tinha cuidado de forma tão eficaz as relações e a confiança dentro do grupo, que nossas suspeitas não foram devidamente compartilhadas e expressas. No Outono de 2009, ele organizou um jantar de “despedida” para o grupo, e anunciou que estava indo para um trabalho em Corfu, na Grécia. Depois de sua saída, chegaram suas mensagens e postais por algumas semanas, mas logo cessaram, sem explicação alguma. Seu número de telefone móvel britânico não foi mais localizado e o número do telefone grego que estava utilizando foi restringido; as chamadas e mensagens nunca foram entregues. Suas páginas em redes sociais pararam de ser atualizadas. As suspeitas cristalizaram-se, mas ele já havia desaparecido.

    As pessoas associadas com a CAN e outros grupos que fizeram parte em Cardiff, como “No Borders” e “Gwent Anarchists”, tentaram divulgar nos círculos de ativistas que o homem que era conhecido como “Marco” era um policial disfarçado. Porém, sem uma prova definitiva, advertiram-nos a não fazer acusações infundadas.

    Foi quando surgiram notícias sobre Mark Kennedy e Watson Lynn (outros dois policiais infiltrados descobertos no mês passado), parecendo uma oportunidade para estabelecer a verdade. Seguindo o nosso exemplo, em 14 de janeiro de 2011, o The Guardian obteve a confirmação de que ele era um policial na ativa. Não sabemos exatamente como isso foi feito, mas acreditamos que a confirmação veio diretamente da ACPO, a Associação dos Delegados de Polícia. Não estávamos confortáveis confiando nos meios de comunicação desta forma, mas todas as nossas tentativas anteriores de estabelecer com sucesso quem ele era havia terminado em nada.

    Marco trabalhou em nós (não conosco) por quatro anos. Desenvolveu fortes relações pessoais e alguns de nós sentimos uma enorme traição pessoal. Mas também se propôs, deliberada e sistematicamente, a prejudicar o movimento, e acreditamos que é importante o que saiba do que fez e como fez isso seja compartilhado e discutido o mais amplamente possível.

    Possivelmente, uma das coisas mais prejudiciais que fez foi usar as credenciais da CAN para se infiltrar na Rede de Dissidência contra o G8 na Europa. A CAN tem participado ativamente da Rede e no planejamento de bloqueios em massa no G8 em Stirling, em 2005, e alguns membros da CAN estavam dispostos a contribuir para uma rede européia mais ampla. No entanto, CAN era um grupo pequeno, e muito poucos de nós têm tempo e dinheiro para viajar para as reuniões internacionais. Marco, é claro, o tinha, então foi fácil para ele dar um passo adiante e participar. Pelo menos em uma ocasião, ele participou das reuniões européias de planejamento, junto a Mark Kennedy. É provável que suas atividades prejudicaram seriamente a organização do protesto contra o G8 na Alemanha, em 2007.

    Cabe destacar que nenhum dos três policiais à paisana foi ao G-8 na Rússia. Marco estava prestes a assistir, mas desistiu na última hora – presumivelmente incapaz de obter o acordo do governo russo ou autorização para agir sem seu conhecimento.

    Como Mark Kennedy, Marco também sabotou a ação direta ambientalista. Em 2007, após conseguir ser incluído no processo de planejamento de uma ação contra o terminal de oleoduto LNG (Gás Natural Liquefeito), em Milford Haven, a oeste no País de Gales, teve a oportunidade de passar informações para a polícia local, que resultou na detenção de vários ativistas. Todos os processos penais caíram na última instância, mas não antes que a polícia houvesse invadido as casas, até mesmo a de Marcos, onde obtiveram os computadores, no que parece ter sido uma entrega de “pesca massiva”.

    No entanto, Marco passou a maior parte do seu tempo infiltrando-se em todas as atividades normais de um grupo político (reuniões, exibições de filmes, encontros e eventos destinados a provocar discussão e o debate sobre a política radical). Acreditamos que pelo menos em um caso (a projeção de um filme dos direitos dos animais com uma conversa de acompanhamento) organizou um evento apenas para coletar informações sobre as pessoas que assistiriam. Ele também estava interessado em participar de projetos em que havia cooperação de outros grupos, como a campanha contra a privatização da formação militar e na construção de uma nova academia de defesa da RAF em St Athan. Olhando para trás agora podemos ver que ele foi cuidadoso, mas sempre prejudicial. Apesar de sua clara capacidade, sempre que algo – contatos de construção, promoção, transporte – dependiam inteiramente dele, acabava em nada.

    Danificar a estrutura da CAN foi sem dúvida um objetivo fundamental. Ele mudou a cultura da organização, promovendo uma grande quantidade de bebida, fofocas e traições, e banalizado e criticando qualquer tentativa por parte de qualquer pessoa do grupo para atingir os objetivos. Era evidente seu objetivo de separar e isolar certas pessoas no grupo e de outros, e sutilmente exagerava as diferenças políticas e pessoais, contando mentiras para os dois “lados”, para criar desconfiança e animosidade. Nos quatro anos que esteve em Cardiff, um grupo forte, coeso e ativo quase se desintegrou. Marco se foi, após as reuniões anarquistas na cidade pararem de acontecer.

    Lendo isso, você saberá por que diabo demorou tanto tempo para pegá-lo, e porque não fomos mais céticos e menos confiantes. Marco obviamente não tinha a vida exposta fora do ativismo. Nunca conhecemos sua família ou colegas que supostamente compartilham sua paixão pela música rock, embora às vezes dissesse ir a shows fora da cidade. Disse-nos que não tinha mulher nem filhos. Sua casa era bastante espartana e seu trabalho como motorista de caminhão também permitiu uma desculpa para se ausentar-se por longos períodos, sem levantar suspeitas. Além disso, apesar do desejo expresso de estar “onde estava a ação”, foi muito relutante em sujar as mãos, sendo uma parte ativa na ação direta ou no confronto com a polícia. Todas essas coisas juntas deveriam ter sido suficiente para pelo menos fazermos perguntas.

    Talvez tenhamos sido um pouco ingênuos, especialmente considerando que não éramos suficientemente importantes para sermos infiltrados. E o homem que conhecíamos como Marco foi muito bom em desviar suspeitas. Era agradável, um apoio pessoal, divertido e muito útil para ter por perto. Foi, como Mark Kennedy, um condutor. Levou algum tempo escrevendo, editando e distribuindo boletins informativos, fez banners e foi às reuniões chatas para não incomodar ninguém a ir. Foi capaz de explorar as vulnerabilidades das pessoas se aproximando delas, para não fazê-las se sentirem isoladas e excluídas. Foi um grande manipulador.

    Todos que se relacionaram com Mark Jacobs estão sofrendo com ressentimento, raiva e culpa. Nossa incapacidade de ver através de sua farsa tem causado grandes danos às pessoas, tanto aqui em Cardiff como em toda a Europa. Estamos conscientes de que Marco não foi o único policial atuando, e que a culpa, especialmente a nível europeu, não é toda nossa. Mas, ainda assim, por nossa parte, sentimos uma responsabilidade coletiva e um sensação de fracasso.

    Dito tudo isso, temos de olhar em frente e é importante aprender as lições certas do que aconteceu. Acreditamos que é importante que o movimento não sucumba à paranóia e desconfiança. Marco tem trabalhado duro para semear a desconfiança, desgostos e suspeitas entre nós e deixá-lo fazer isso talvez tenha sido o nosso maior erro.

    Acreditamos também que é errado nos pintar como impotentes em uma situação como esta, ou procurar a simpatia da mídia como vítimas de um Estado injusto e poderoso. Nós vemos como isso pode ser tentador, por razões de propaganda, ou para ganhar o apoio de líderes políticos e da imprensa liberal, mas é basicamente um ato de desempoderamento. As ações da polícia e do Estado do Reino Unido, neste caso, são nojentas, mas não surpreendentes. Nós, como grupo e como um movimento, fomos infiltrados e atacados porque temos, e incentivamos os outros a ter, a ação militante contra uma série de injustiças colossais. Em suma, adotamos uma postura decidida contra o que consideramos errado, e a cada vez, mostrou-se correta. Na guerra abominável no Iraque, o corrupto e imoral comércio de armas, as injustiças impostas em nosso nome pelo G8 e os escândalos de mudanças climáticas antrópicas, mantivemos a retidão de nossas ações. Rejeitamos a autoridade do Estado para nos dizer como, quando e onde fazer a nossa resistência, e incentivamos a ampliar a luta e a dissidência. Vieram até nós porque somos fortes, não porque somos fracos.

    Rede Anarquista de Cardiff

    http://southwalesanarchists.wordpress.com/

  • [EUA] Dois presos da Frente de Libertação Animal estão nas ruas

    [EUA] Dois presos da Frente de Libertação Animal estão nas ruas

    Matadouro "Cavel West" queimado
    Matadouro "Cavel West" queimado

    [Nas últimas semanas, dois presos da Frente de Libertação Animal (FLA), Jonathan Paul e Alex Hall, foram colocados em “liberdade” nos Estados Unidos.]

    Jonathan Paul:

    Foi acusado de incendiar o matadouro de cavalos “Cavel West”, em 1997, em Redmond, Oregon. A ação foi reivindicada pela FLA. O matadouro queimou completamente (como mostrado na foto em anexo) e, após a ação, foi fechado definitivamente.

    Jonathan também foi relacionado à várias ações da FLA, no ano de 1980. Ele admitiu a sua participação nas atividades da Universidade do Arizona, em 1989, onde 1.000 animais foram liberados dos laboratórios da universidade.

    Jonathan saiu da prisão após cumprir 4 anos de sua sentença.

    Alex Hall:

    Depois de cumprir 21 meses de prisão, Alex foi liberado. Ele foi acusado de libertar 650 visons de uma fazenda de peles em Utah, ação que também foi atribuída à FLA.

  • [Grécia] Greve de fome de 300 imigrantes – Chamada a uma Jornada de Ação Comum em 11 de fevereiro de 2011

    [Grécia] Greve de fome de 300 imigrantes – Chamada a uma Jornada de Ação Comum em 11 de fevereiro de 2011

    

    Cartaz

    Na terça-feira, 25 de janeiro, o edifício histórico da Faculdade de Direito em Atenas – que não está em uso na atualidade – se converteu num espaço de uma luta justa e democrática. Este lugar, palco de várias lutas sociais no passado, teve a oportunidade albergar mais uma, a dos 300 trabalhadores imigrantes que em Atenas e Tessalônica reclamam a legalização incondicional de todos os imigrantes. Uma luta pela igualdade de direito, à vida, realizada por aqueles que querem deixar de ser clandestinos.

    Desde o primeiro instante, o poder estabelecido e os meios de comunicação pressionam os imigrantes que participam da greve de fome e afirmam que é um ato de ilegais, legitimando deste modo a violação do asilo acadêmico e a evacuação forçada do histórico edifício.

    Na tarde de quinta-feira, 27 de janeiro, a polícia interrompeu o trânsito no centro de Atenas, criando uma imagem de cidade ocupada, cercando o edifício da Faculdade de Direito. Milhares de pessoas vieram em apoio aos imigrantes que se encontravam no edifício, mas foram impedidos de se aproximarem da área pela polícia, de modo que as pessoas se concentraram espontaneamente em protesto. Desde as 19h até às 5h da madrugada, os grevistas foram pressionados para deixar o local. Ao final desta longa noite, os grevistas passaram para um outro edifício no centro de Atenas, acompanhados por pessoas solidárias, que realizaram uma passeata às 4h da madrugada.

    O novo local – de propriedade privada – acabou por se transformar num acampamento de refugiados: falta de espaço, não possui infra-estruturas de higiene e muitos dos grevistas obrigados a dormir em tendas num pátio com temperaturas geladas.

    O governo e a mídia depreciaram completamente a luta dos imigrantes e a apresentaram como uma manipulação de elementos que pretendem criar mal estar social no país.

    Grevistas

    A resposta veio, naturalmente, por parte de um dos grevistas: “O mais frustrante de tudo é que não conseguem entender que a carência que nos trouxe aqui é tão grande que não precisamos de promotores, mas de apoiadores”.

    Em um ambiente de intimidação e repressão, cinco companheiros da Iniciativa de Solidariedade foram chamados pelo advogado do Estado como suspeitos de tráfico de imigrantes ilegais. Ao mesmo tempo, o ministro do Interior negava qualquer possibilidade de legalização e revogava um decreto de 2009 que havia legalizado 15 imigrantes grevistas de fome. Ademais, ordenou a todas as comunidades de imigrantes na Grécia que procurem “impedir que os seus membros participem em atos que possam resultar conflitivos”.

    Nós, pessoas solidárias com a justa luta dos imigrantes em greve de fome, declaramos a nossa co-responsabilidade com os 5 companheiros acusados, e nos declaramos também “traficantes” da dignidade e da solidariedade.

    Num clima de repressão e de políticas anti-imigrantes na Grécia e em toda a Europa, torna-se premente atuar para criar fissuras simbólicas no sistema e obter vitórias políticas.

    É mais urgente do que nunca o mais amplo apoio à luta dos 300 grevistas de fome.

    Fazemos um apelo internacional para um dia de ação comum, em 11 de fevereiro. Neste dia acontecerá ações solidárias por toda a Grécia. Dirigimos o nosso apelo a cada associação, sindicato, organizações ou grupo político e a todas as pessoas. Pedimos que protestem, em solidariedade com esta justa luta dos imigrantes.

    Solidariedade com os 300 imigrantes em greve de fome.

    Exigimos a legalização incondicional de todos os imigrantes.

    Apoiamos a demanda dos imigrantes de igualdade de direitos políticos e sociais com os dos trabalhadores gregos.

    Ninguém é ilegal!

    Iniciativa de Solidariedade com os 300 imigrantes em greve de fome

    Mais infos:

    › http://hungerstrike300.espivblogs.net/

    › http://allilmap.wordpress.com/

    Tradução > Liberdade à Solta

  • Ativista pela libertação animal e anarquista é preso em Israel

    Em meados do último mês de janeiro, Jonathan Pollak, um ativista pelos direitos dos animais e membro do grupo “Anarquistas Contra o Muro”, foi condenado a três meses de prisão por conduzir a sua bicicleta “demasiado devagar” em uma grande manifestação contra o bombardeio de Gaza pelo exército israelense. Isso fez com que ele “violasse as condições” de uma liberdade condicional, motivo pelo qual está agora na prisão.

    Jonathan agradece as cartas de apoio. Aqui está o seu endereço:

    Jonathan Pollak, Hermon Prision NSWING, P.O. BOX 4011, Maghar 14930, Israel.

    Você também pode contatá-lo através deste e-mail: xfreejonathanx@gmail.com. Os e-mails serão impressos e enviados para ele.

  • [Espanha] Resgate de 36 cães da raça beagle de um criadouro para fins experimentais

    Durante a madrugada de 1 de janeiro de 2011 um grupo de ativistas pelos direitos dos animais libertou 36 cães de um Biotério (Harlan Interfauna) localizado próximo da cidade catalã de Sant Feliu de Codines, oferecendo neste novo ano uma vida nova a estes animais.

    Uma vez no interior do Biotério procedemos a documentar a vida tão miserável a que estes animais tinham sido condenados e preparar a sua transferência. Trancados permanentemente, sem poder correr, brincar, explorar o meio ambiente ou interagir com os outros, muitos deles também tinham o corpo coberto de feridas – como evidenciam as imagens que recolhemos naquela noite – porque tinham que dormir em pleno inverno em contato direto com o chão frio de cimento em cima das suas próprias fezes e urina.

    Um dos cães libertados vivia totalmente isolado dos outros, sem qualquer tipo de contato com os outros animais. Isto é uma forma de tortura psicológica para um animal social que necessita da companhia dos outros para poder relacionar-se. Outros estavam tão ansiosos por ter algum contato e estímulo, depois de quase quatro anos trancados. Eles tentavam desesperadamente tocar-nos através das grades e chamar a nossa atenção da maneira que podiam. Quando entramos no recinto em que se encontravam saltavam entusiasmados sobre nós procurando a todo o custo a nossa atenção e carinho. Poucos minutos depois acompanhavam-nos contentes para longe daquele lugar, felizes por dar o primeiro passeio em liberdade em toda sua vida.

    Dado o seu estado físico e psicológico, todos os animais libertados foram examinados por veterinários. Alguns precisarão de toda a nossa atenção para ajudá-los a superar o constante medo em que viviam. Todos eles foram levados para lugares seguros onde serão estimados e protegidos. Não sabemos quanto tempo demorarão a confiar de novo nos seres humanos, mas estamos seguros de que o carinho e os cuidados que agora recebem conseguirão abrir caminho até ao seu coração e poderão viver felizes e a salvo o resto das suas vidas.

    Após a dura vida nas instalações catalãs da Harlan Interfauna – e como acontece nas de Green Hill, na Itália e nas de Marshall, nos EUA, entre outras – um destino ainda pior aguardava estes animais: serem transferidos para os laboratórios de vivissecção, em que ficariam permanentemente fechados em jaulas, das quais só abandonariam para serem submetidos a experiências. Todos eles tinham nascido com a condenação de converterem-se em vítimas de testes de toxicidade, experiências de investigação biomédica e veterinária, aprendizagem nas faculdades ou experiências militares que acabariam finalmente com suas vidas.

    Nós, os ativistas que levamos a cabo esta ação somos vegans e rejeitamos o especismo e todas as formas de exploração animal – como a vivissecção neste caso, o consumo de produtos de origem animal, a sua utilização em espetáculos ou para as nossas roupas – porque acreditamos que o importante na hora de respeitar alguém é sua capacidade de sentir e não a sua espécie, sexo ou raça. Queremos avançar para uma sociedade livre de discriminação em que outros animais não sejam considerados inferiores ou utilizados como recursos à nossa disposição, mas indivíduos que merecem todo o respeito. Continuaremos resgatando animais e denunciando sua exploração até que a última jaula estiver vazia e a vivissecção e outras formas de opressão de animais fizerem parte do passado.

    Por último, queremos dedicar esta ação a todo/as o/as ativistas que lutam para acabar com a vivessecção e lembrar a todos os animais que se encontram neste momento nos criadouros e laboratórios.

    Ver fotos e vídeo aqui:

    › http://directaction4.info/Spain_Harlan_Jan11/index.html

    › http://www.youtube.com/watch?v=ZeNT3ZZXjfQ&feature=player_embedded

    Tradução > Liberdade à Solta

  • O Mundo árabe está em chamas: entrevista com um anarquista sírio

    O Mundo árabe está em chamas: entrevista com um anarquista sírio

    As revoltas que explodiram no mundo árabe no Iêmen, Tunísia e agora no Egito apanharam todos de surpresa. Constituem, sem sombra de dúvida, um dos acontecimentos mais relevantes do nosso tempo e são um sinal claro de que já não é possível, em lugar nenhum, continuar-se a ser um joguete de ditador com o apoio imperialista. Os regimes extraordinariamente autoritários como os de Ben Ali revelaram-se completamente impotentes perante um povo com grande determinação, unido na luta. São jovens, trabalhadores, desempregados, pobres, os que levam a cabo esta tarefa de mudar o rosto da região provocando calafrios aos mandantes de Washington e de Tel Aviv. Nem todas as armas do regime de Mubarak, nem toda a ajuda militar dos EUA, conseguiram controlar a extensão do protesto. Os rebeldes revelam o poder do povo e da classe trabalhadora quando se unem, a capacidade política dos homens e mulheres comuns para formar organismos de poder dual, com um claro instinto libertário para além de demonstrarem ao mundo que nos encontramos já numa era de mudanças revolucionárias. Estabelecemos um breve diálogo com o nosso companheiro e amigo Mazen Kamalmaz, da Síria – editor do blog anarquista árabe http://www.ahewar.org/m.asp?i=1385 – que nos falou da importância deste esplêndido acontecimento político.

    Pergunta > Parece que toda uma repentina onda de protestos massivos está a sacudir as fundações dos velhos regimes opressivos no mundo árabe… havia indícios de que isto poderia suceder?

    Mazen Kamalmaz < Este é um dos aspectos mais interessantes da onda revolucionária que se está a expandir por todo o mundo árabe que chega quando nada o fazia prever. Ainda alguns dias antes das manifestações massivas e sucessivas no Egito a Secretaria de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarava que o governo egípcio era estável e neste momento nada é estável na região: a insurreição mantém-se de pé e para todos os regimes repressivos espera-se o pior. Há aspectos que se reportam a todas estas sublevações tais como a raiva e ressentimento que estavam escondidos, silenciados pela repressão dos Estados, a pobreza e o desemprego crescentes – a que os regimes, estadistas e até intelectuais não prestaram a devida atenção – em relação aos quais os governos, locais ou ocidentais, pensaram que poderiam manter a revolta sob controle… agora sabemos como se enganaram.

    Pergunta > Qual a importância da saída de Ben Ali do governo da Tunísia?

    Mazen < Este é apenas o primeiro passo do que está para vir. Supõe que o povo, o povo em luta, consegue desafiar a repressão e vencer. É muito cedo para falar sobre o desenlace final, é tudo demasiado complexo ainda, mas o povo já conseguiu ter consciência do seu poder real e apesar disso mantém-se na rua, de modo que a luta ainda se encontra aberta a muitas possibilidades.

    Pergunta > Para aonde se está a expandir a revolta? Que países podem experimentar rebeliões massivas?

    Mazen < Hoje pode-se afirmar seguramente que qualquer um poderia ser o próximo. Talvez a Argélia, Iêmen ou Jordânia sejam candidatos fortes, mas temos de ter em conta que uma revolução no Egito teria um grande impacto na região, impacto esse que superaria os piores pesadelos dos ditadores e dos seus partidários na região.

    Pergunta > Qual seria a relevância de uma revolução no Egito, o segundo maior receptor de ajuda militar estadunidense em todo o mundo?

    Mazen < O Egito é o país com as maiores dimensões do Oriente Médio e o seu papel estratégico é muito importante. É um dos principais pilares da política estadunidense nessa região. A pressão das massas é um fator a ter em conta daqui pra frente, inclusive em relação à sobrevivência do velho regime resistir durante algum tempo mais ou não, ou se o novo regime será pró estadunidense. Resumindo, os EUA, o principal apoio do regime atual, irá sofrer o efeito da rebelião das massas egípcias.

    Pergunta > Qual o papel dos Irmãos Muçulmanos nestes protestos? E da “velha guarda” da esquerda?

    Mazen < Um aspecto muito importante destas manifestações e revoltas é que tiveram uma origem totalmente espontânea e iniciada pelas massas. É verdade que os diferentes partidos políticos juntaram-se a elas mais tarde, mas todo o processo foi, em grande medida, uma manifestação de ação autônoma por parte das massas. Isto é também válido para os grupos políticos islamitas. Embora estes ditos grupos pensem que as futuras eleições os poderiam levar agora ao poder, com as massas em rebelião nas ruas isso será difícil, dado que se negaram ativamente a submeter-se de novo a outro poder repressivo, mas mesmo no caso que isso sucedesse, o povo não aceitaria ser submetido nesta ocasião, enquanto se mantém fresca para a maioria a memória eufórica das parcelas de liberdade que alcançaram através da sua própria luta. Nenhum poder os poderia forçar facilmente a submeter-se de novo a algum regime repressivo.

    Outro aspecto a ter em conta é que durante as revoluções o povo é mais receptivo às idéias libertárias e anarquistas, e que é a liberdade a idéia hegemônica do momento não o autoritarismo. Alguns dos grupos estalinistas só representam o rosto mais feio do socialismo autoritário… Por exemplo, o antigo Partido Comunista da Tunísia participou com o partido dominante de Ben Ali no governo formado após a expulsão do próprio Ben Ali. Outro grupo autoritário, o Partido Comunista dos Trabalhadores da Tunísia, participou ativamente nos protestos, mas depressa manifestaram as suas contradições: quando Bem Ali escapou tratou de criar conselhos ou comitês locais para defender o processo e logo de seguida retratou-se e apelou para se criar um novo parlamento e governo. No Egito passa-se praticamente o mesmo, há grupos reformistas de esquerda, como o Partido da Unidade Progressista e alguns revolucionários da esquerda autoritária.

    Não posso dizer com exatidão qual o papel dos anarquistas ou de outros libertários – há uma crescente tendência comunista conselhista junto a eles – devido à falta de comunicação com os nossos companheiros de lá, mas não posso deixar de ressaltar o que disse anteriormente: que estas revoluções foram feitas principalmente pelas próprias massas. Na Tunísia, os sindicatos mais fortes tiverem um grande papel nas últimas fases da revolta.

    Quero referir um pouco mais aos comitês locais criados pelas massas, uma das manifestações mais interessantes da sua ação revolucionária. Perante a pilhagem, iniciada sobretudo pela polícia secreta, o povo criou os ditos comitês como instituições realmente democráticas, como uma competência real de oposição às instituições autoritárias… No Egito até ao dia de hoje os governos, os comitês locais e o governo de Mubarak escondiam-se atrás dos tanques e das espingardas dos seus soldados. Isto está a suceder numa região assolada por ditaduras e pelo autoritarismo… Isso é o grandioso das revoluções que transformam o mundo rapidamente. Isto não significa que a luta esteja ganha, pelo contrário, isto significa que a luta real acaba de começar.

    Pergunta > Para resumir, qual o seu ponto de vista sobre os acontecimentos? O que pensa que simbolizam?

    Mazen < É o começo de uma nova era, as massas estão se sublevando e a sua liberdade está em jogo, as tiranias tombam… Sem dúvida estamos a assistir ao nascimento de um mundo novo.

    Tradução > Liberdade à Solta

  • Ações solidárias na Grécia

    [Durante as últimas duas semanas houveram várias ações de solidariedade com os processados do grupo anarquista “Conspiração das Células de Fogo”, algumas das quais foram dedicadas também aos presos do grupo “Luta Revolucionária” e aos 4 companheiros de Tessalônica, detidos no início de janeiro de 2011.]

    Na madrugada de 21 de janeiro foram queimadas, em Chania (Creta), duas caminhonetes blindadas da empresa de segurança “Brinks”, usadas para o transporte de dinheiro. A ação foi assinada pelo grupo “Agitadores Noturnos”.

    Em Tessalônica, a “Federação Anarquista Informal/Célula de Solidariedade Revolucionária” realizou os seguintes ataques incendiários:

    Ao meio-dia de 12 de janeiro – no escritório do jornalista e parlamentar do LAOS (partido de extrema-direita), A. Kolokotroni, e escritórios do Sindicato de Policiais Aposentados.

    Na noite de 13 de janeiro – dois carros particulares de policiais e um carro diplomático.

    Em Atenas, os “Guerreiros da Consciência Revolucionária” reivindicaram o ataque incendiário contra a construtora “Vasartis”, que construiu a sala do tribunal da prisão de Koridallos. O ataque foi feito em 15 de janeiro, no distrito de Halandri.

    Também em Halandri, em 15 de janeiro, foram colocados 5 litros de gasolina e três botijões de gás de acampamento no pátio do complexo de apartamentos onde mora Kalliopi Spanou, que tem o ridículo cargo de “Defensor do Cidadão”, como uma autoridade “independente” que criaria um contato direto entre o Estado e “o povo”, e na verdade serve apenas para legitimar o regime democrático. O ataque foi assinado pela “Formação Guerrilheira Lambros Foundas”.

    Em 25 de janeiro, em Tessalônica, atearam fogo em um café freqüentado por policiais e no escritório da “Associação de Superintendentes Judiciários”. Os ataques foram reivindicados pela “Federação Anarquista Informal/Célula da Linha Ofensiva”.

    Houve também um fato “curioso”: no último fim de semana, um dos policiais antidistúrbios que vigiava a sede do PASOK (partido “socialista” grego), na rua Eksarhia Ipokratous, foi ao banheiro e deu um tiro na cabeça. Supostamente deixou uma “declaração” aos seus colegas (a carta de despedida), mas que não foi publicada.

  • Squat Liebig 14 é despejado pela polícia

    Squat Liebig 14 é despejado pela polícia

    Squatters
    Squatters

    Numa operação militar digna de filmes de Hollywood, cerca de 2.500 policiais foram mobilizados ontem (2 de fevereiro) em Berlim para a remoção do squat Liebig 14, um dos últimos da cidade. A polícia usou diversos objetos, como machados e marretas, para quebrar a porta de entrada do Liebig 14, localizado em Friedrichshain, em Berlim Oriental.

    Choques entre as forças de segurança e manifestantes eclodiram em torno do edifício, onde os 25 moradores do local se recusavam a deixar o espaço. Manifestantes, alguns com seus rostos cobertos, jogaram pedras e garrafas na polícia de choque.

    Squat Liebig 14Os confrontos duraram mais de cinco horas antes da polícia recuperar plenamente o squatter. Os ocupantes tinham arrancado as escadas e construído muros extras para impedir que a polícia chegasse a eles. Nove pessoas da casa e outras 23 foram presas no protesto.

    No último sábado, quase 3.000 pessoas manifestaram-se contra o despejo do Liebig 14 nas ruas de Berlim. Foram registrados outros protestos solidários em cidades da Alemanha e da Europa.

    Squat Liebig 14

    Infos atualizadas:

    › www.de.indymedia.org

    Fotos:

    › http://www.flickr.com/photos/pm_cheung/sets/72157625835356601/

    › http://www.demotix.com/news/577120/riots-after-house-eviction-berlin

    › http://www.flickr.com/photos/mikaelzellmann/sets/72157625836003259/

  • Polícia grega desativou uma carta-bomba enviada ao Ministério da Justiça em Atenas

    As autoridades gregas encontraram e desativaram ontem (2 de abril), em Atenas, uma carta-bomba cujo destino seria o gabinete do ministro da Justiça, Harris Kastanidis.

    A carta-bomba foi descoberta depois que funcionários do ministério desconfiaram da carta e chamaram a polícia.

    De acordo com as autoridades, o dispositivo era muito semelhante às bombas encontradas em novembro passado contra embaixadas de governos estrangeiros na capital grega e contra governantes de países europeus.

    A polícia grega estabeleceu, por isso, uma ligação entre este ato e o julgamento – em curso desde 17 de janeiro – de 13 presumíveis membros do grupo anarquista “Conspiração das Células de Fogo”, que reivindicou em novembro o envio de pacotes e cartas-bomba para embaixadas estrangeiras e dirigentes europeus.

    Das dezenas de ataques reivindicados pelo grupo, desde que surgiu em 2008, nunca resultaram vítimas mortais.