Categoria: Repressão

  • [EUA] Polícia reprime e prende 12 jovens em marcha anarquista, em Portland

    [EUA] Polícia reprime e prende 12 jovens em marcha anarquista, em Portland

    No sudoeste de Portland, na noite de quinta-feira (7 de abril), 12 anarquistas foram detidos durante um protesto contra a brutalidade policial. Eles foram liberados na manhã do dia seguinte.

    Antes de começar o protesto, um oficial encarou uma jovem e empurrou-a violentamente, deixando-a sangrando no chão. Seus companheiros relataram que o policial não quis dar seu número de identificação, mas seu nome era “Weinberger”. Outro policial deteve um manifestante por ter atirado um toco de cigarro no parque.

    Quando aproximadamente 20 manifestantes se reuniram, a marcha começou, liderada por uma faixa que dizia: “Cada policial um assassino, cada juiz um inimigo”. Calculou-se uns 30 policiais requisitados neste momento, ao longo das ruas em azul e amarelo, e ordenando que os manifestantes permanecessem na calçada.

    As fileiras de ambos, manifestantes e polícia, seguiram crescendo rapidamente, chegando a 50 no “Black Bloc”. Mais 35 policiais de bicicleta uniram-se as fileiras das forças da ordem, com mais 6 a cavalos e pelo menos 7 carros da polícia. Alguns seguranças particulares estavam presentes, fustigando as pessoas “suspeitas”.

    Aproximadamente às 19h40, na esquina da 9 e Stark, um tumulto estourou. Spray de pimenta foi atirado em cima da multidão; empurrões, golpes, gritos. Muitos dos manifestantes corriam em todas as direções. A causa do conflito era incerta, mas foi notado por vários observadores de que ambos os lados se contra-atacaram. Testemunhei três detenções, neste momento, incluindo uma menina muito jovem. Os manifestantes relataram sua idade: 14 anos de idade.

    Outro detido não estava se movendo, quase inconsciente, e teve de ser levado pela polícia, com os pés arrastando. Um policial empurrou violentamente um dos manifestantes, ordenando-o permanecer na calçada.

    Enquanto os manifestantes se reagruparam no Parque Obryant, chegaram mais policiais: 20 da tropa de choque, mais 10 a pé e de bicicleta, e pelo menos 10 carros da polícia com as sirenes ligadas. Contei 58 policiais nesse momento.

    Os 15 manifestantes restantes estavam reunidos com seus companheiros e começaram uma marcha em torno dos bairros adjacentes, até a Praça Pioneer. Um coro com frases como “Fuck the Police!”(“Foda-se a polícia”) e “A-C-B!  All Cops Are Bastards!” (“Todos os tiras são uns bastardos”) parecia surpreender alguns transeuntes, enquanto outros simplesmente ficaram boquiabertos de espanto. Vários colocaram seus punhos no ar em solidariedade.

    Às 20h25, 12 manifestantes permaneciam na Pioneer Square. Pelo menos 26 policiais acompanharam de perto cada movimento, com carros da polícia em todas as direções, e um grande caminhão anti-motim rodava lentamente, enquanto 20 policiais permaneceram do lado de outro caminhão.

    A partir deste ponto a marcha continuou pela 3ª Avenida e, finalmente, até a 12ª Burnside Avenue, onde um “muro” de policiais deu-lhes boas-vindas, proibindo a passagem. Os manifestantes finalmente mudaram seu curso através da Stark Street e voltaram para a Pioneer Square.

    Por volta das 21h30 aproximadamente uma dúzia de manifestantes permaneceu em frente ao Palácio da Justiça, com a polícia fazendo “companhia”.

  • [Chile] “Caso bombas”: Jornada de agitação e propaganda a partir de 14 de abril

    [Chile] “Caso bombas”: Jornada de agitação e propaganda a partir de 14 de abril

    Comunicado:

    À todos e todas indóceis em cada canto do Planeta.

    Já são quase 8 meses em que as forças da ordem apresaram nossos corpos, que o Estado desenterrou todos seus títeres e trapaças em uma nova onda repressiva. Os 5 anos de investigação aos mais de 100 bombaços manifestavam “resultados concretos”.

    O “caso bombas” é um julgamento político que poderia calçar qualquer dissidente do capital, casos similares vem se repetindo em outros territórios, as garras do panóptico continua levando seres a sua fúnebre boca, uma medida exemplificadora para todo aquele e aquela que tente tão só questionar a agradável ordem cidadã.

    Para os e as que estão atrás das grades, nossas ferramentas são escassas, e desde 21 de fevereiro iniciamos uma greve de fome líquida indefinida, exigindo como primeiro ponto a absolvição desta montagem midiática jurídica-policial e com isso nossa almejada saída para às ruas.

    Qualquer letra neste comunicado careceria de sentido se não se traduz em ações. A solidariedade é um exercício que rompe as lógicas da dominação, uma formosa arma que se pode usar de muitíssimas formas. É por isso que fazemos um chamado a solidariedade em todas as localidades, territórios e espaços onde continua as mentes inquietas, em uma jornada de agitação e propaganda a partir de 14 de abril até o 21 do mesmo mês pelo fim do presídio dos acusados do “caso bombas” detidos desde 14 de agosto de 2010.

    Abaixo os muros das prisões!

    Presos e presas do “caso bombas” em greve de fome para as ruas!

    Presos e presas do “caso bombas” detidos no Centro Penitenciário Feminino e na Unidade Especial de Alta Segurança da Prisão de Alta Segurança de Santiago.

  • [Reino Unido] “As propostas das prisões são claras: retirar essas pessoas das ruas”

    [Reino Unido] “As propostas das prisões são claras: retirar essas pessoas das ruas”

    As autoridades detiveram mais de 200 pessoas na seqüência dos protestos do “26M” (26 de março) em Londres contra as medidas de austeridade apresentadas pelo governo. A manifestação contou com a presença de mais de 500 mil pessoas, num desfile pelas ruas da capital que culminou com um comício em Hyde Park. Peter Wright, da organização South London Solidarity Federation, participou da manifestação e nos fala a seguir sobre a situação dos detidos.

    Agência de Notícias Anarquistas > Ainda tem ativistas presos pelos protestos do “26M”?

    Peter Wright < No mesmo dia 26, a polícia prendeu cerca de 202 pessoas, 138 das quais sendo da ocupação “pacífica” (palavras da polícia) do Fortnum & Mason, o mercado de comida burguês e real. Outros 50 (aproximadamente) foram presos na tentativa de ocupar a Trafalgar Square (talvez a principal praça da cidade, onde se encontra a Coluna de Nelson) pela noite. Parece que a polícia estava com muita raiva depois de todos os fatos do dia, pelos quais os manifestantes foram atacados com grande violência.

    Ultimamente, ou seja, durante as manifestações estudantis no final do ano passado, a polícia veio com fotos de pessoas procuradas e seguiu com as detenções de ativistas, entrando em suas casas e tal. Até agora, após o dia 26, há cerca de 18 fotos, nada mais, mas sabemos que as investigações continuam. Após a revolta estudantil, disse o Met (a polícia londrina), que 18 policiais se dedicariam a ver TODOS os vídeos do Youtube para identificar os suspeitos.

    ANA > E quais acusações pesam contra eles?

    Peter < São poucas as acusações, mas a grande maioria – especialmente aqueles do UK Uncut – pode ter certeza que nunca receberão acusações. As propostas das prisões são claras: para retirar essas pessoas das ruas durante os distúrbios e também gravar seus nomes, fotos, DNA, etc., em suas bases de dados. Assim, essas pessoas serão conhecidas pelas forças de segurança.

    ANA > Entre estes presos há militantes anarquistas, mulheres…

    Peter < Claro, há ambos! O UK Uncut conta com alguns “anarquistas” entre seus membros, mas que sofre de um tipo de liberalismo e pacifismo em vigor a partir das classes média e alta. Eu não saberia dizer o número de mulheres presas: é claro que havia, mas não de forma distinta na contagem.

    ANA > E o que podemos fazer a distância para ajudá-los?

    Peter < Estender a luta e a resistência!

    A sério, ainda não sei bem o que vai acontecer. Os detidos têm direito à fiança e devem retornar às delegacias em maio. Logo se saberá se eles vão a julgamento.

    ANA > E essas pessoas correm o risco de pegar longos anos de prisão?

    Peter < Sim, alguns. Podemos dizer que durante os distúrbios de novembro passado em Millbank, quando universitários ocuparam a sede do partido governante, um estudante – em um momento de loucura – jogou um extintor de incêndio do telhado do prédio. Isso é o que a mídia procurava para excluir e atacar os universitários radicais. Houve uma caça às bruxas, até que o pobre jovem – 17 anos – foi até a delegacia para confessar. Eles fizeram o julgamento de imediato e foi para a cadeia por dois anos, apesar das intervenções de sua mãe e suas desculpas públicas.

    Outro ponto particular sobre a questão do “black bloc”. Queremos estender a resistência até que ele seja um movimento popular. As pessoas que fazem ataques espetaculares contra os bancos e os símbolos de riqueza correm alto risco, e, afinal de contas, não alcançam muito. Aceitamos o que são essas ações que atraem as atenções da mídia, mas nós queremos ganhar a batalha contra os cortes, de modo que buscamos a popularização nas comunidades e postos de trabalho. Acreditamos que para alcançar este objetivo, temos de nos concentrar na luta diária e específica sobre os cortes de benefícios sociais, o fechamento de edifícios públicos, renúncias, etc., etc.

    Nós tentamos usar o interesse no anarquismo, gerado pelas ações do bloco negro, para promover as nossas idéias e estratégias, e por esta razão que eu te escrevo.

  • [Grécia] Segue o julgamento do anarquista Simos Seisidis

    O julgamento do anarquista Simos Seisidis, acusado de uma série de assaltos, começou em 30 de março, mas na verdade não há nada a dizer.

    Os juízes agiram de forma insultante, parando uma hora e meia com desculpas baratas, parecia que nem eles queriam iniciar este processo. Houve várias queixas de advogados de defesa, que se referiam à forma mais adequada de transferir Simos, que tem uma prótese de perna e não pode saltar do ônibus da polícia, em que eles o colocam em uma espécie de gaiola.

    Além disso, antes se “ofereceram” para levá-lo em uma ambulância, mas… deitado e algemado à cama, algo que Simos recusou, especialmente porque há tantos furgões da seção antiterrorista  acessíveis e que sempre fazem parte do comboio de traslado.

    Houve também queixas e reclamações dos advogados, pela presença de três homens com rostos cobertos que estavam acariciando sem parar suas pistolas automáticas e pelo tamanho da sala, que por certo foi escolhida para proibir a entrada de mais solidários.

    Ao sair do tribunal, gritando palavras de ordem para cumprimentar Simos enquanto o levavam, os 50 solidários e familiares, depois de trocar alguns insultos com os policiais ali presentes, foram atacados por esses vermes, resultando em um par de feridos de nossa parte (uma cabeça machucada, um dente a menos, etc.). Isso não será esquecido…

    O julgamento continua em 12 de abril.

    Fotos da manifestação de solidariedade à Simos Seisidis em Atenas, no dia 29 de março. Mais de 500 pessoas participaram do ato:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1278440

  • [Itália] 5 anarquistas presos, 26 investigados e 60 invasões

    [Itália] 5 anarquistas presos, 26 investigados e 60 invasões

    Nesta quarta-feira, 6 de abril, a Promotoria de Bologna ordenou a invasão de 60 casas em diferentes cidades italianas. 26 companheiros foram investigados, 5 deles detidos e agora estão na prisão de Bolonha, enquanto outros 7 receberam medidas cautelares. Os detidos são Martino Trevisan, Robert Ferro, Nicusor Roman, Stefania Carolei, Pistolesi Anna Maria.

    A acusação é a de sempre: “associação para delinqüir com finalidades subversivas”, ou seja, associação ilícita.

    A direção dos presos é:

    Casa Circondariale

    via del Gomito 2

    40127 Bologna -Itália

  • [Grécia] Repressão e detenções preventivas antes do desfile nacionalista em Antenas

    [Grécia] Repressão e detenções preventivas antes do desfile nacionalista em Antenas

    Na quinta-feira, 24 de março, no centro de Atenas, estava programada a celebração do desfile escolar de inspiração fascista-nacionalista. O governo grego insiste em realizar desfiles militares e escolares deste tipo. Nos últimos anos, nas áreas em que se celebram os desfiles são realizados protestos espontâneos ou planificados contrários a tudo isso, assim como concentrações de protesto social de desempregados, despedidos e trabalhadores, contra o regime da ditadura parlamentaria.

    Desde as primeiras horas da manhã, a polícia havia colocado um cordão de isolamento em torno da praça maior de Atenas e seletivamente permitia a entrada ao lugar onde seria o desfile. Nisso, às 13h30, sem motivo algum, policiais e policiais à paisana detiveram professores, artistas e solidários que haviam começado a reunir-se no centro da praça de Síntagma. Os professores primários e os artistas, segurando bonecas vestidas com sacolas, estavam preparando-se para realizar um protesto depois do desfile. Foram realizadas oito detenções na praça de Síntagma e outras duas detenções no piso térreo do edifício em que estão localizadas as oficinas da Federação de Professores da Grécia.

    A polícia, tendo fichado algumas pessoas e com ordens de que não se escutasse nenhuma voz de protesto durante o desfile, começou a deter “preventivamente” os protestantes que se aproximavam da área do desfile e fossem professores. Os detidos foram professores e artistas que iam participar no protesto se a repressão não tivesse agido. A manifestação tinha sido convocada pela União de Professores Pendentes de Toda Grécia, pela Coordenadoria de Docentes e Suplentes, e por várias Associações de Professores.

    Na continuação, a polícia, apesar das detenções efetuadas, continuou repelindo a gente reunida. Entretanto, com o passar do tempo os manifestantes continuaram a multiplicar-se e permaneceram protestando pela repressão do governo. O propósito do protesto era as unificações (agrupações) e o fechamento de escolas e a flexibilização do trabalho que também se aplica aos professores.

    A democracia nega a seus “cidadãos” o direito de protesto. A democracia detém preventivamente a quem não seja um súdito dócil dela. A democracia amordaça e reprime.

    No primeiro vídeo (link abaixo) se vê os policiais secretos arrastando e detendo a alguns dos manifestantes reunidos. No segundo vídeo (link abaixo) se ouvem claramente as palavras “fascistas” e “junta” gritadas pelos manifestantes. Um detido disse: “Junta! A próxima vez serão tanques (blindados), não carros patrulhas”.

    Vídeo 1:

    http://www.youtube.com/watch?v=5t0UI2wlr5M&feature=player_embedded

    Vídeo 2:

    http://www.youtube.com/watch?v=8hFZI0YhG64&feature=player_embedded

  • [Chile] Promotoria pede entre 10 e 15 anos para os acusados no “Caso Bombas”

    [Chile] Promotoria pede entre 10 e 15 anos para os acusados no “Caso Bombas”

    [Sentenças que variam de 10 anos e um dia na prisão, à prisão perpétua, podem receber os 15 acusados no “Caso Bombas”, de acordo com a acusação apresentada pela promotoria. O fiscal metropolitano sul, Alejandro Peña, apresentou a sua acusação no Oitavo Juízo de Garantia da capital, especificando as sanções aplicadas ao tribunal para cada um dos réus. As maiores penas recaem sobre Pablo Morales e Alberto Retamales, a quem se pede a prisão perpétua simples.]

    Ontem (4 de abril), a promotoria apresentou ao Oitavo Juízo de Garantia um libelo acusatório de 610 páginas contra nossos companheiros, com o qual pretendia acusá-los de 23 de detonações de artefatos explosivos em Santiago e uma conspiração mais falsa que a paz em que acreditam. O promotor imundo da Zona Sul, Alejandro Peña, disse que no julgamento será apresentado mais de 800 testemunhas, 220 perícias e 7 mil evidências de provas  que, assegura, vai conseguir obter a punição que pede.

    Solidariedade agora com os companheiros e companheiras seqüestradas em 14 de agosto!

    “Na guerra social tomamos posições e, por uma questão de moralidade, não podemos permanecer indiferentes à morte em combate de nossos irmãos, bem como a situação enfrentada por milhões de prisioneiros seqüestrados nesta guerra em todo o mundo. Juízes, policiais, promotores e policiais, são e serão, hoje e sempre, nossos inimigos e não descansaremos até destruir o último bastião da sociedade. Estamos em guerra. Presos e presas em guerra na rua!”

    Discurso do companheiro Mauricio Morales, no tema Segurança Máxima,  de Banda Bonnot.

  • Anarquista basco condenado na Itália

    Anarquista basco condenado na Itália

    Comunicado da assembléia da província de Como e Varese

    Sexta-feira, 25 de março, foi realizada no Tribunal de Busto Arsizio a audiência contra Oscar, um anarquista basco na Itália; foi preso no sábado, 19 de março, ao final de uma manifestação contra os recentes acontecimentos repressivos ocorridos na província de Varese.

    A audiência foi realizada rapidamente, escolhida pelo advogado e Oscar, porque no momento em que se encontrava o companheiro era a melhor coisa que poderia fazer, dadas as provas das acusações (fotos incompatíveis com a figura de Oscar).  No entanto, Oscar foi condenado a um ano de prisão, com o processo de urgência, por resistência e lesão.

    Este é claramente um processo político; como sempre tentam reprimir e punir a liberdade de expressão e as formas de luta dos companheiros. Neste caso, o alvo foi o crescente movimento combativo na província de Varese, que reagiu com um protesto contra as recentes tentativas de repressão (ameaças, perseguições, expulsões de Varese e Gallarate…).

    Oscar, mais uma vez, através de advogado, disse que não tinha qualquer ligação com os acontecimentos que supostamente foi adjudicado e, após o término da audiência, cumprimentou os companheiros que estavam na sala do tribunal e gritou “vida longa à anarquia”.

    Vamos atualizá-los sobre os próximos passos do advogado para a sua libertação.

    Assembléia da realidade da província de Como e Varese

    Oscar Lorenzo Olasagarre Azurmendi

    C.C. de Busto Arsizio

    Via Cassano Magnago 102

    21052 Busto Arsizio (Varese)

    Itália

  • [Grécia] Consulado chileno em Tessalônica é ocupado em solidariedade aos presos políticos em greve de fome

    [Grécia] Consulado chileno em Tessalônica é ocupado em solidariedade aos presos políticos em greve de fome

    Um grupo de anarquistas invadiu o consulado chileno de Tessalônica no dia 15 de março, em solidariedade aos presos políticos em greve de fome há 33 dias no Chile. Os manifestantes ergueram faixas e gritaram slogans e distribuíram folhetos. Não houve detenções.

    Comunicado:

    Os becos sem saída da dominação, a violência autoritária e a estratégia de guerra para a neutralização do inimigo interno são, mais que nunca, características evidentes em todos os estados nos quais se desenvolve a resistência social organizada. No 14 de agosto de 2010, um maravilhoso espetáculo repressivo tomou lugar nas cidades chilenas de Santiago e Valparaíso conduzindo à perseguição de 14 pessoas, 8 das quais foram encarceradas e acusadas de todos os ataques armados, com explosivos e objetos incendiários, que aconteceram nos últimos 3 anos, contra alvos do Estado e do capital no país. A única prova concreta que os levaram a cárcere é sua identidade política, que é sintetizada por seus círculos sociais e suas atividades de luta.

    Andrea Urzúa, Camilo Pérez, Carlos Riveros, Felipe Guajardo, Francisco Solar, Mónica Caballero, Pablo Morales, Rodolfo Retamales, que desde então estão encarcerados, levam uma luta importante desde 21 de fevereiro de 2011, em que começaram uma greve de fome exigindo sua liberdade assim como a abolição da lei antiterrorista. Logo após começar a greve, outros 2 companheiros foram reenviados à cárcere depois de um período de prisão domiciliar. Vinicio Aguillera e Omar Hermosilla se uniram à greve 2 dias depois. Através deste posicionamento todos eles demonstram claramente que não estão dispostos a resignar-se nas jaulas da democracia. Através de sua segunda exigência, conseguiram quebrar o isolamento social que fazia parte dos planos do Estado, colocando em evidência a profunda dimensão política de seu caso o qual é significativamente importante para todas as lutas sociais. O arsenal da lei, que todos os estados totalitários modernos têm a sua disposição, é uma ferramenta para a eliminação de qualquer um que seja inimigo consciente contra o domínio. Ainda que sejam os anarquistas os principais receptores da violência mascarada pelas leis, a força da lei do terror não vai extinguir-se depois deles. O resultado desta luta será um legado histórico para o movimento que não ficará parada dentro das fronteiras de nenhum país. Que aconteça então o mesmo com a solidariedade que será expressada, a partir de todos os lugares deste planeta, para com estes companheiros.

    Nós lhes desejamos muita força até sua liberação. Nós ficamos juntos a eles nesta difícil luta contra as masmorras do Estado, contra o processo judicial discriminatório e classista, contra as merdas dos meios de comunicação e contra todos aqueles que tentarão bloquear seu caminho até a liberdade.

    Assembléia pelo fomento da solidariedade e outros companheiros.

    15 de março de 2011, Tessalônica, Grécia.

  • [Grécia] Novas prisões pelo caso da Conspiração das Células de Fogo

    Na segunda feira, 14 de março, pela manhã, em uma operação coordenada entre a Direção de Enfrentamento a Crimes Especiais de Violência (em grego D.A.E.E.B.) e a Unidade Especial Repressiva Antiterrorista (E.K.A.M.), foram invadidas e revistadas duas casas, uma no município de Nea Ionia, em Volos, e outra em Holargos (norte da área metropolitana de Atenas).

    Em Volos foram detidas 5 pessoas, entre elas 3 que estavam sendo procuradas e foram capturadas sob a acusação de pertencer ao grupo Conspiração das Células de Fogo: Giorgos Nikolopoulos de 25 anos (com mandato de busca e captura expedido desde outubro de 2009, irmão de Mihalis que foi detido em 19 de janeiro de 2011 e prontamente assumiu pertencer à Conspiração das Células de Fogo), Damiano Bolano de 24 anos (em fuga desde outubro de 2009, a imprensa mais direitista destaca sua origem albanesa, pois se trata do único relacionado com a Conspiração das Células de Fogo que não é grego ) e Hristos Tsakalos de 32 anos (com mandato de busca e captura expedido desde inícios de novembro de 2010, uma semana depois de que seu irmão Gerasimos foi preso, junto com Panagiotis Argyrou, pelo envio de cartas incendiárias). Os 3 foram presos sob a acusação de: “pertencer a uma organização terrorista”, “estocagem, fabricação e posse de materiais explosivos e bombas explosivas em cumplicidade visando produzir um perigo público e colocando terceiras pessoas em risco”. Todos os três já eram há algum tempo apresentados como “cabeças da Conspiração das Células de Fogo”.

    Na mesma casa foram detido/as também Olga Ikonomidou de 31 anos e Giorgos Polydoros de 29 anos. Na casa de Holargos os tiras detiveram duas pessoas, mas uma delas foi posta em liberdade pouco depois por falta de provas contra ela. Sem dúvida, um companheiro mais, Konstantinos Papadopoulos de 26 anos está dentro. Segundo as fontes policiais na casa de Volos foram encontrados, entre outros: 3 Kalashnikov, 7 pistolas, um revolver de 38 mm, 5.000 balas, duas varas de 0,6 kg cada uma de material explosivo TNT, vários uniformes policiais, perucas, “walkie-talkies”, 7 carteiras de identidade falsas, 4 (2 pares) de falsos documentos de habilitação para carro, 4 micro-câmeras, uma máquina de plastificação, cola e outros materiais para falsificação de documentos. Em um dos computadores, supostamente, foram encontrados tanto rascunhos como versões finais de vários comunicados e textos (“Chamamento Internacional”, etc.) e o emblema/símbolo usado ultimamente pela Conspiração das Células de Fogo. Além disso, bastante próximo da casa foi encontrado um carro com placas falsas, roubado um par de noites antes. Pela tarde da segunda-feira como sempre é típico nesses casos, foram feitas batidas policiais nas casas dos pais do/as detido/as (6 no total e onde não foi encontrado nada) e foi feito o registro de uma casa em Kallithea (Atenas), que foi alugada faz um mês por Hristos Tsakalos com um documento de identidade falso. Ali os milicos confiscaram: 35 malas com roupa e ferramentas, dois documentos de identidade falsos, 3 computadores portáteis, uma pistola, 5 micro-câmaras e outra máquina de plastificação.

    Naturalmente, a imprensa está festejando com títulos como: “Pegos os líderes das Células”, “Nas grades a “tríade” das Células”, “Preparavam ataques com bombas e expropriação”, etc.; e com base nessas poucas informações que lhes ofereceu a Polícia (que no momento “segue investigando” e não se sobressalta com declarações pomposas), inventa seus próprios roteiros, acusando a mais pessoas, insinuando conexões com outros grupos como Seita dos Revolucionários e Brigada Revolucionária (Epanastatiki Taksiarhia, que realizou uns 12 ataques explosivos entre 2006-2008). Também parece existir o perigo que o/as 6 detido/as sejam responsabilizados por vários ataques a bancos que no últimos anos foram realizados por pessoas vestidas de policiais. A análise balística comprovou que todas as armas encontradas estão “limpas”, pois não foram utilizadas em nenhum dos ataques feitos neste período.

    Ao meio dia de terça-feira todo/as seis detido/as foram levado/as ante o juiz. Em frente do Tribunal Supremo de Atenas, onde foram transferidos até a próxima Delegacia Central, houve uma pequena concentração com uns 20 solidário/as e familiares, que sob a asfixiante presença policial gritaram um par de slogans quando o comboio da Seção Antiterrorista chegou e entrou na garagem do edifício. Também o/as companheiro/as de Volos realizaram na segunda-feira à tarde uma manifestação espontânea de aproximadamente 50 pessoas pelo bairro onde se deu a prisão de nossa gente.

    O/as advogado/as denunciaram os maus tratos (espancamentos, queimaduras de cigarros) que viveram o/as detido/as na planta 12 da Delegacia Central de Atenas, na sede da Seção Antiterrorista. Hristos Tsakalos e Giorgos Polydoros são acusados também pelo envio de pacotes incendiários realizado em 1 de novembro de 2010 pela Conspiração das Células de Fogo. Damiano Bolano e Giorgos Nikolopoulos já foram levados a prisão. No dia 16 de março todo/as seis foram levado/as novamente para falar diante do juiz sobre as armas que foram encontradas. Kostas Papadopoulos disse que não têm nada a ver com o grupo em questão (Conspiração das Células de Fogo), mas se assumiu como anarquista. Foi solto no mesmo dia à tarde e está em liberdade sob a fiança de 10 mil euros, porém continua respondendo as acusações em juízo. Ele está proibido de sair do país e deve se apresentar na delegacia de seu bairro três vezes ao mês. O/as 5 detido/as em Volos se negaram novamente a participar nos procedimentos judiciais e não disseram nada. Foi ordenada sua entrada em prisão preventiva. No momento, todo/as 5 estão acusado/as de pertencer ao grupo Conspiração das Células de Fogo, além disso todo/as têm acusações por “posse de armas”. Quando for possível publicaremos os endereços das prisões de nosso/as cinco companheiro/as.

    Tradução > Juvei