Categoria: Movimentos Políticos & Sociais

  • [Espanha] Inauguração do monumento em memória dos companheiros e companheiras assassinados pelo fascismo

    [Espanha] Inauguração do monumento em memória dos companheiros e companheiras assassinados pelo fascismo

    O Monolito da Memória

    Após um ano de celebrações, em 18 de Junho, culminam-se os eventos do centenário da fundação da Confederação Nacional do Trabalho (CNT), com a colocação de um monólito em memória às centenas de milhares de membros do movimento libertário que deram suas vidas pela liberdade e revolução social, e que caíram sob as balas genocidas do latrofascio franquista. E não se pode colocar no lugar mais representativo do que na Fossar de la Pedrera do Cemitério de Montjuïc, onde milhares de pessoas sofreram o holocausto do franquismo.

    Era necessário que um monumento recordasse as vítimas libertárias. Porque elas perderam duas vezes a guerra civil. Perderam-na no campo de batalha. E perderam no campo da história, condenadas a quarenta anos de repressão em todos os sentidos, e a quase tantos outros de ostracismo, que não deixa de ser uma outra maneira de matar. Porque apesar de no pelotão de fuzilamento as vítimas do franquismo serem todas iguais, para alguns interesses políticos, o melhor é distinguir as vítimas, recuperar algumas e esquecer outras, distorcer a história e, assim, enterrar com eles a memória.

    Desde que o 1º de abril de 1939 foi decretado, a partir de Burgos, o fim oficial da Guerra Civil Espanhola, e as tropas rebeldes de Franco pisaram pela primeira vez com suas botas assassinas em Madri, para os libertários, havia apenas um caminho de duplo sentido: lutar contra o fascismo em vigor e nunca esquecer o passado e os militantes que deram suas vidas pela liberdade e um mundo melhor e mais justo. Seus esforços a muitos lhes custaram a vida.

    Depois de uma “transição” que não foi senão a continuidade do regime de Franco, onde até mesmo as organizações que sofreram repressão franquista não hesitaram em voltar a enterrar seus militantes por algumas vantagens insignificantes, o movimento libertário entendeu que tinha que continuar com o caminho que lhe legaram seus predecessores. Não dobrar-se para o sistema e lutar pelo que consideramos justo.

    Agora que certos pactos da transição expiraram, abrindo as covas de vergonha que demonstra a criminalidade genocida do franquismo e o silêncio cúmplice de alguns que são chamados democratas, temos de continuar no esforço de recuperar a memória libertária.

    O ato de 18 de junho em Barcelona – ​​na inauguração deste monólito elaborado por Juan Jose Novella, onde os galhos de um cipreste são de aço fazem crescer e estender a idéia – servirá não apenas como o ponto culminante dos atos do centenário da CNT. É continuar a recuperação da nossa memória e história; é uma homenagem a todos aqueles que perderam sua vida pela liberdade. E uma homenagem a todos aqueles que ainda vivem, que sobreviveram ao holocausto espanhol de Franco, e com suas lições e experiências nos deixam com a melhor medicina: a história como o primeiro pilar de luta para a sociedade que virá.

    O monumento

    Nas imagens do monumento se vislumbram as palavras: aos homens e mulheres da CNT… Juanjo Novella, escultor Basco com uma sensibilidade especial para as questões da memória, criou uma escultura forte, preparada para resistir aos elementos e ao tempo e, ainda assim, complexa e delicada, que aponta para cima, para os ideais do melhor que tivemos e perdemos na organização: todos os lutadores e lutadoras pela liberdade e pela revolução social, mortos por assim serem. A memória requerida por parte dos que compartilhamos e queremos continuar o caminho.

    A escultura é um cipreste truncado que simboliza um desejo de marcação e dignificação aos mortos enterrados anonimamente. Desta maneira estabelecemos um marco onde o cipreste seccionado, com todo seu simbolismo, é o principal protagonista. Uma marca no pequeno espaço aberto limitado por ciprestes que define uma pequena praça, na Fosera. Esta escultura é inspirada nas colunas que saúdam o acesso pedestre à área e nos cipreste, colunas vegetais.

    A verticalidade da escultura, assim como sua presença, refere-se às colunas e ciprestes do ambiente.

    A escultura se integra sem impacto negativo sobre o enclave. A presença da peça é adequada ao lugar, com uma ocupação ajustada e sem estridências expressivas.

    Há um grau de transparência que vai enfatizar o interesse ao cerceamento e experiência de uma visão além. Isso também permite uma presença mínima na praça, permitindo perceber o mesmo sem oclusão. A instalação permite manter a rotina e o tráfego.

    As dimensões são de escala humana, em conseqüência a referência da escultura não será sobrecarregada por sua monumentalidade, mas para o alcance humano.

    Tem buscado austeridade e simplicidade nas formas, correspondendo ao espírito pretendido e expressado pela CNT.

    Juanjo Novella, escultor

    Mais infos:

    http://memorialcnt.wordpress.com/

  • [França] Manifestação pela autogestão nas ruas de Paris

    [França] Manifestação pela autogestão nas ruas de Paris

    No dia 21 de maio de 2011 teve lugar em Paris uma manifestação pela autogestão. Um mês antes os grupos aderentes da Federação Anarquista haviam realizado atividades por toda a França em torno deste tema, desde reuniões, debates, oficinas, até exibições de filmes, artigos e programas de rádio.

    Esta iniciativa surgiu da constatação de que os anarquistas não podem se contentar apenas com mobilizações “contra”, lutando apenas em resposta a um ataque em particular.

    Deve se botar em cima da mesa as nossas propostas e as nossas realizações. No final tomarmos a ofensiva em vez de nos limitarmos a combater as ofensivas – que resultam muitas vezes na negociação de recuos (retrocessos).

    Do metrô Belleville até à Praça da República cerca de 300 pessoas desfilaram num cortejo jovem, animado e cheio de energia, através de uma Paris ensolarada.

    Slogans foram gritados, mas também paradas pontuais em alguns lugares importantes da história antiga ou mais recente dos anarquistas (um espaço autogerido em luta, a sede da CNT no exílio, a bolsa do trabalho, etc.)

    Não esqueçamos nunca que há cerca de 140 anos, mais dia menos dia, os habitantes de Versailhes recuperaram o controle da capital naquela que foi chamada a Semana Sangrenta. Estes Versailheses, que hoje ainda estão no poder, no G8 ou próximo…

    Depois dos manifestantes percorrerem as ruas do lado leste de Paris, por vezes sob fortes aplausos, o protesto terminou com alguns relatos de pessoas envolvidas em projetos autogeridos (padaria, escola, etc.)

    Embora muitas vezes se tente passar a idéia de que as pessoas estão resignadas, abatidas e de que os nossos combates sejam de defensiva, este acontecimento aponta para um insólito sinal. Trata-se de um recomeço! Os dias maus estão a acabar!

    Grupo Bairro Pirata da Federação Anarquista

    Tradução > Liberdade à Solta

  • [Espanha] Manifestação da CNT contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais

    [Espanha] Manifestação da CNT contra os cortes de direitos trabalhistas e sociais

    Milhares de militantes vindos de todas as partes do país se reuniram nesta manhã (4 de junho) no bairro madrilenho de Vallecas para denunciar a política de cortes de direitos trabalhistas e sociais que, num ritmo frenético está impondo o governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol); cortes que estão desmontando os últimos pilares de um estado de bem-estar já bastante atrofiado e incapaz de atender as necessidades humanas básicas.

    No final da manifestação no parque Azorin, se deu lugar ao comício durante o qual, Pablo Agustin, secretário de Ação Sindical do Secretário Permanente, Luis Fuentes, ex-Secretário-Geral e Antonio Baena, secretário de Ação Sindical da Regional da Andaluzia.

    Entre outras questões, como a crise, o apoio ao movimento do 15-M, ou a necessidade de ampliar a contestação nas empresas, uma das mais denunciadas foi a reforma da negociação coletiva, que, na opinião da CNT e, apesar da promulgação da ruptura, seus protagonistas já tinham acordado anteriormente em 90%. Agora o texto será aprovado pelo Decreto do Governo e, igual maneira, deixa claro que a reforma não será equilibrada e modificará a estrutura de negociação coletiva para favorecer os interesses empresariais, facilitando a redução salarial e a perda do poder aquisitivo, ampliará a desregulamentação e a flexibilidade do trabalho nas empresas, perderão direitos adquiridos nos acordos, serão criados novos modelos de contratos lixo para os jovens e se darão as Mutuas Patronais competências nas enfermidades comuns e se ampliará o controle e a pressão contra os trabalhadores que adoecerem.

    Em suma, e sob a égide da reforma da negociação coletiva, será levado a cabo uma Reforma Trabalhista muito mais profunda e prejudicial aos interesses dos trabalhadores que a já realizada em 2010 e irá, assim, juntar-se a vergonhosa ASE (Acordo Social e Econômica), assinada em fevereiro pelos sindicatos CCOO (Comissões Obreiras), UGT (União Geral dos Trabalhadores), a Patronal e o Governo, e onde se contemplava os cortes nos benefícios.

    Contra isso, os trabalhadores e trabalhadoras organizados na CNT se rebelaram e decidiram romper de uma vez com as dinâmicas do medo, o desânimo, a divisão e o cada um por si, para começar a tomar as ruas para dizer basta, como já estão fazendo milhares de trabalhadores e trabalhadoras em outras partes do mundo.

    Esse processo de mobilização, para ter uma capacidade real de enfrentar o ataque à classe trabalhadora, terá que ser construído a partir de diferentes organizações e movimentos sociais desde a rejeição do Pacto Social e numa perspectiva anticapitalista. A CNT realizou um chamamento para começar a trabalhar nesse sentido.

    O 4 de junho é apenas um primeiro passo, em que foi incentivado a participação dos trabalhadores e trabalhadoras em todas as esferas da vida, que compartilham esta necessidade de se organizar e lutar.

    Federação Local de Sindicatos de Madri

    Domingo, 5 de junho de 2011

  • [Argentina] A FORA comemorou 110 anos com casa cheia

    [Argentina] A FORA comemorou 110 anos com casa cheia

    No Teatro Verdi via-se penduradas as bandeiras vermelhas e pretas que enfeitavam os palcos e meio milhar de pessoas encheram a sala localizada no coração de La Boca. Poderia se referir a uma imagem tirada de outra época, quando congressos dos trabalhadores eram freqüentes no bairro de Buenos Aires. No entanto, o aniversário da Federação Obreira Regional Argentina, que completou, no último dia 25 de maio, 110 anos de existência, longe de ser um ato de evocação nostálgica de gloriosos tempos, foi um ato de reivindicação do ressurgimento do sindicalismo revolucionário.

    Por mais de quatro horas, os mais de 500 trabalhadores vindos de diferentes partes do país, revisaram a história da organização e analisaram a perspectiva de luta atual. Nesta época, as práticas foristas encontram vigor e legitimidade na causa da ditadura sindical da CGT, corporativista e subserviente ao interesses dos empregadores, que cada vez mais se distancia de ser a resposta que esperam os trabalhadores.

    Pelo palco do teatro foram passando diferentes atores do passado e presente da FORA, que abordaram diferentes posições-chave que levaram a esta organização secular a escrever as páginas mais brilhantes do movimento operário argentino. Além disso, realizou-se uma análise das perspectivas de ação que se abrem após importante processo de reestruturação realizado pelas novas gerações que conseguiram reposicionar novamente a FORA como um forte instrumento que os trabalhadores têm para conseguir sua emancipação.

    O evento, que também contou com a presença de Carlos Marín, militante da CNT (Espanha) e delegado da Associação Internacional Trabalhadores (AIT), reuniu membros de todas as sociedades de resistência da Federação, bem como coletivos anarquistas afins, que mostraram seu apoio a uma organização gremial, que não só pode se orgulhar de ser a única remanescente fiel à sua ideologia, e que fortemente começa a renascer na Argentina.

    Assessoria de Imprensa – Conselho Federal Fora (foracf@fora-ait.com.ar)

    Quinta-feira, 26 de maio de 2011

  • [Alemanha] Manifestantes realizam marcha antifascista em Berlim

    [Alemanha] Manifestantes realizam marcha antifascista em Berlim

    Neste sábado, 21 de maio, mais de 1.500 pessoas protestaram em Berlim contra o racismo, o fascismo, a violência estatal e a cooperação policial com os neonazistas em Kreuzberg e em Atenas, na Grécia.

    Os manifestantes marcharam por algumas ruas de Berlim com carro de som, faixas, bandeiras e gritando slogans contra o fascismo e o Estado.

    Foi maciça a presença de forças policiais no cortejo, mas não foram registrados incidentes.

    O evento foi organizado por grupos anarquistas, esquerdistas e de imigrantes.

    Sábado retrasado (14), neonazistas atacaram imigrantes num metrô de Kreuzberg (bairro berlinense multiétnico) com a conivência da polícia, que ainda reprimiu brutalmente os manifestantes antifascistas. No mesmo período, fatos similares aconteceram em Atenas.

    Fotos do protesto em Berlim:

    http://www.flickr.com/photos/neukoellnbild/sets/72157626773256540/

    http://www.flickr.com/photos/pm_cheung/sets/72157626773415592/

    Matérias relacionadas:

    http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/05/23/alemanha-berlim-nazis-sao-expulsos-de-kreuzberg-mesmo-com-a-protecao-da-policia/

    http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2011/05/13/grecia-imigrante-bengales-e-esfaqueado-ate-a-morte-em-atenas-manifestacao-contra-a-repressao-e-violencia-policial-reune-milhares-de-pessoas/

  • Protesto anti-G8 na França

    Protesto anti-G8 na França

    Milhares de pessoas participaram neste sábado (21 de maio) na cidade portuária de Le Havre, de uma passeata contra a cúpula do G8 (grupo composto por Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, Alemanha, Japão, Itália e Canadá) que será realizada nos dias 26 e 27 de maio em Deauville, balneário luxuoso do noroeste francês.

    Diversas organizações convocaram a manifestação, que percorreu as ruas centrais da cidade. Os protestantes carregavam muitas faixas, cartazes, bandeiras, panfletos e não paravam de gritar palavras de ordem contra o G8.

    No final da passeata um grupo de anarquistas atacou com pedras e paus alguns estabelecimentos bancários e fizeram pichações anticapitalistas.

    As autoridades francesas mobilizaram um forte dispositivo policial por causa da manifestação, a primeira organizada na França contra a cúpula. Outros protestos estão sendo organizados para os próximos dias.

    Mais de 12 mil homens serão mobilizados para proteger presidentes e chefes de governo que participarão da cúpula do G8 e evitar o acesso a uma área do centro de Deauville. Quarenta helicópteros das forças armadas e da defesa civil estarão disponíveis na área, assim como aviões teleguiados para vigiar a partir do céu e uma dezena de veículos blindados, navios de guerra e lanchas rápidas e duas baterias de mísseis terra-ar, posicionadas em locais estratégicos da cidade, que também terá o espaço aéreo fechado durante a cúpula.

  • [Grécia] Chamado urgente à solidariedade internacional!

    Companheiros e companheiras, o objetivo desta mensagem é informá-lo brevemente sobre o que aconteceu durante os últimos dias em nosso país e fazer um chamado para a solidariedade internacional dos anarquistas de todo o mundo.

    A Grécia está em um ponto de inflexão e ocorrem muitas e críticas mudanças na sociedade, como na política e na economia. A desarticulação e dissolução, até o presente momento, do modelo de autoridade e de exploração é mais do que evidente e torna concreto o que é geralmente chamado de “crise”. O que nós estamos vivendo em definitivo é o fracasso absoluto de um sistema que, não podendo fazer mais nada para garantir o consenso social, se lança em um ataque frontal, sem condições e sem desculpas de qualquer tipo.

    Quando começou a conjuntura que se chamou de “crise”, a agressão foi manifestada em termos materiais – com a desvalorização do trabalho, redução dos salários, flexibilização das condições de trabalho, a institucionalização da instabilidade, o aumento dos preços dos artigos de primeira necessidade e as contas de bens de interesse comum, o aumento dos impostos e a redução dos serviços de bem-estar. Ao mesmo tempo, começou a liquidação a “particulares” da riqueza pública, a presença generalizada da polícia nas ruas, leilões, o aumento do desemprego…

    Paralelamente, se articulou um ataque de propaganda sem precedentes, em um ritmo frenético de publicação, com os meios de comunicação controlados pelo Estado e pelo Capital, cenários de desastre e calendários com datas “apocalípticas”, como “…se não for aprovada a próxima injeção de empréstimo pela troika [Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE)], estamos falidos…”. Com todo este mecanismo de comunicação da autoridade, consegue embaçar a visão continuamente, mantendo um estado de terror permanente, e assegurar definitivamente a paralisia, por meio da coerção, do corpo social.

    Apesar de todo o exposto, nunca cessou a resistência dos grupos da sociedade grega e do proletariado. As poucas convocações para greves gerais partem dentro de um contexto definido em maior ou menor medida por pessoas que resistem e expressam sua intenção de lutar contra as condições impostas pelo Estado e Capital.

    A manifestação da greve em 11 de maio em Atenas trouxe novamente milhares de manifestantes para as ruas, que expressaram sua oposição às novas medidas anti-sociais do governo, que afogam os trabalhadores e toda a população. Durante a manifestação, e enquanto alguns iam deixando a área do Parlamento para finalizar a marcha, a polícia atacou brutalmente e com raiva os blocos dos manifestantes mais radicais, e os blocos de anarquistas e anti-autoritários, as assembléias de bairro, as corporações operárias de base e a esquerda extra-parlamentar. Golpeando com muita dureza e utilizando grande quantidade de substâncias químicas, diluíram os blocos mencionados. Mais de cem manifestantes foram levados para hospitais e alguns deles submetidos à cirurgia.

    O companheiro Giannis é o manifestante que está em pior situação. Tendo recebido um ataque assassino por parte da polícia, e com ferimentos graves na cabeça, foi transferido em situação de quase-morte (de acordo com a declaração dos médicos) para o hospital. Lá, foi vista a verdadeira extensão da hemorragia interna na cabeça, foi operado rapidamente e assim entrou, entubado e em estado grave, na unidade de terapia intensiva. Sua condição é crítica mas estável, mas ainda não superou o perigo de morte ou danos irreversíveis à sua saúde.

    Claramente estes ataques assassinos contra os manifestantes grevistas na quarta-feira tinham um único objetivo: assustar as pessoas e os que resistem às agressões da autoridade estatal e econômica. Foi uma ação exemplificadora a fim de subjugar o povo e que parecia ter a seguinte mensagem: mantenham-se em suas casas e permaneçam tranqüilos e disciplinados.

    Em seu quadro de ações o poder alista, cada vez de forma mais contínua, seus jovens de extrema-direita e/ou paraestatais. Os focos de violência racista, que estão se multiplicando em todo o país recentemente, tiveram seu pico na última semana. Com a desculpa de assassinato a sangue frio de um morador do centro de Atenas, durante a tentativa de roubá-lo, por imigrantes, se estendeu um massacre sem precedentes contra eles. Grupos fascistas, organizados ou não, de racistas e de ultra-direitistas, encontraram sua oportunidade; estão se concentrando a cada tarde e atacam os imigrantes, ferindo a muitos, e parece que o assassinato de um imigrante se deve aos mesmos. Paralelamente, neonazis juntamente com a polícia atacam okupas do centro de Atenas, levando companheiros a uma situação em que devemos defendê-los contra o perigo de perder a própria vida, contra a brutalidade policial e a barbárie fascista.

    A situação critica é clara. No momento em que a sociedade recebe um golpe sem precedentes em termos materiais, seus grupos políticos mais radicalizados e, especialmente, o ambiente anarquista, estão na mira (e desta vez literalmente, a julgar pela mania homicida) da polícia e fascistas.

    Por isso, apelamos urgentemente para a solidariedade internacional!

    A solidariedade sempre foi um valor fundamental dos anarquistas. Nela que sempre nos baseamos para apoiar nossas lutas e para enfrentarmos a lógica do isolamento e de si mesmo, que impulsiona a autoridade do Estado, assim como o individualismo e da decomposição do coletivo que coloca o capitalismo.

    No momento em que a sociedade grega e o proletariado estão sob crescente pressão, com um agravamento das condições de vida não visto até o momento; nestes tempos em que nós anarquistas recebemos um golpe repressivo do tamanho de uma tentativa de assassinato em si; nestes tempos em que o ambiente político anarquista está na mira da violência do Estado e da ameaça do fascismo; temos de ver os nossos companheiros de todo o mundo agir e manterem-se solidários com nossa luta, através de jornadas, manifestações, passeatas, protestos, textos, por palavras e por ações, da forma que considerem mais adequada. Qualquer mostra de solidariedade revolucionária que só os anarquistas conhecem e querem mostrar, levantará a moral e nos fortalecerá em nossas lutas.

    Saudações, companheiros e companheiras.

    Grupo dos Comunistas Libertários (Atenas)

    Jornal Eutopia

    • Consulte também os seguintes links:

    Infos atualizadas:

    http://en.contrainfo.espiv.net/

    http://www.occupiedlondon.org/

    http://athens.indymedia.org/

    Vídeos da polícia atacando a manifestação:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1288989

    Vídeo de fascistas e polícia atacando os imigrantes:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1290982

    Fotos de nazistas atacando os imigrantes:

    http://www.Demotix.com/Photo/688561/Demonstration-stabbed-Greek-Turns-Riots-and-racist-Acts

    Fotos da polícia atacando a manifestação:

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1288923

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289018

    http://athens.indymedia.org/front.php3?lang=el&article_id=1289114

  • [Alemanha] Berlim: Nazis são expulsos de Kreuzberg, mesmo com a proteção da polícia

    [Alemanha] Berlim: Nazis são expulsos de Kreuzberg, mesmo com a proteção da polícia

    [No último sábado (14 de maio), um grupo de aproximadamente 100 nazistas de várias partes da Alemanha tentou organizar um ato no bairro berlinense de Kreuzberg. O “caminho” dos nazis foi impedido por mais de 500 anarquistas, antifascistas, esquerdistas e populares, com bloqueios de rua espontâneo e ações de confronto.]

    Desde o primeiro momento a polícia tentou esconder essa manifestação nazi, quando o normal, em especial as manifestações de esquerda, é falar sobre isso aos meios de comunicação com vários dias de antecedência, incluindo discorrer sobre sua trajetória. Muito diferente deste evento, que se tornou conhecido graças a um nazista que colocou em sua conta do Facebook a chamada do ato.

    Os nazis e a polícia, vendo que as pessoas ouviram sobre a manifestação, tentaram convencer aos antifascistas que a concentração seria feita no bairro de Kreuzberg, em frente à sede da BKA (Escritório Federal Criminal), quando na verdade a concentração seria feita no bairro adjacente, Neukölln, na praça Hermannplatz.

    Neukölln é um bairro onde vivem muitos imigrantes, e Hermannplatz muitas vezes é usado como um lugar de encontro de muitas pessoas deste bairro, como no sábado passado, onde houve uma festa infantil. Ali se juntaram alguns nazis em seu carro, com megafone dizendo slogans racistas; pessoas que estavam no local naturalmente reagiram às provocações, e a polícia se dedicou à defesa dos nazis, com sprays de pimenta contra as pessoas que reagiam.

    Depois de algum tempo os nazistas voltaram a Kreuzberg, em um lugar que não era muito longe de onde oficialmente foi o chamado. Ao que parece, no caminho através do metrô, os nazis se dedicaram a espancar as pessoas de cor diferente a de seu gosto.

    Em Mehringdamm (local de concentração nazista), juntaram-se cerca de 100 nazistas, e mais de 500 pessoas. Os nazistas reuniram-se em uma das saídas do metrô, e a polícia fez barreiras e tornou a defendê-los o tempo todo; houve um momento que, como a barreira policial que estava ao redor deles era mais “permeável”, saíram para a parte onde havia muito menos pessoas, para atacar os manifestantes e todas as pessoas de cor que viram.

    Segundo a versão da polícia, eles se viram “oprimidos”, mas em uma fotografia do jornal liberal e do sistema Tagesspiegel, vê-se que a polícia gentilmente agarra os nazistas que se dedicaram a bater nas pessoas.

    Entre os agredidos estavam 4 antifascistas, atacados por cerca de 40 nazis. Nenhum nazista foi preso por esta ação. Diferente foi a reação da polícia contra os antifascistas.

    Para que a polícia fosse capaz de por “ordem” aos nazistas, eles se reuniram novamente perto da estação de metrô, onde, após cerca de 20 minutos – objetos voavam dos dois lados – e, visto que os nazistas não poderiam fazer sua manifestação, saíram do metrô, onde também criaram o caos. Segundo as autoridades, 600 policiais foram destacados, 46 presos, 37 deles com base em denúncia, e 36 policiais feridos.

    Fotos, muitos nazis aparecem nas imagens:

    http://www.flickr.com/photos/pm_cheung/sets/72157626718625614

    http://www.flickr.com/photos/neukoellnbild/sets/72157626717530426

  • 1º Congresso Anarquista no México

    1º Congresso Anarquista no México

    O Primeiro Congresso Anarquista no México foi realizado durante a última semana de abril, no auditório “Che Guevara”, um edifício histórico no campus universitário, expropriado pelos estudantes na Cidade do México. Concluiu-se com uma avaliação produtiva, embora esta avaliação não fosse compartilhada por alguns dos grupos ali presentes ou mesas de trabalho que não puderam/souberam concluir os trabalhos, mas que, de qualquer maneira, foram mínimas.

    Este Congresso foi uma reunião de diálogo e ação para a prática do apoio mútuo, compartilhar experiências, organizar atividades e ações conjuntas contra a dominação, exploração e a favor do comunismo libertário. O atual evento poderia ser um reflexo dos primeiros congressos da Federação Anarquista do México, realizados em 1941 e 1945, em León Gto. e o último realizado em 1953 em Nayarit.  Agora convergem novas propostas para anarquistas para o México do século XXI, a ser realizado contra a ordem do sistema político e econômico vigente do México, que refletem as condições de pobreza que estão submersos mais de sessenta milhões de pessoas, e como os governos de esquerda e direita têm vindo a implementar uma política de repressão de grupos e indivíduos anarquistas, contra a sociedade em geral e, finalmente, a possibilidade de consolidar um movimento anarquista no México apto a lidar com esta situação.

    Uma projeção de vídeo do anarquismo mexicano que fazia menção ao passado e presente, levou à declaração de abertura do 1º Congresso Anarquista do México, onde destacava as finalidades e propósitos para a realidade atual. Minutos mais tarde, as delegações da CNT-AIT (Confederação Nacional do Trabalho – Espanha), a Federação Anarquista Francófona, a FORA-AIT (Federação Trabalhista Regional da Argentina), Cruz Negra Anarquista da Colômbia, enviam os sinceros cumprimentos ao Congresso. Posteriormente, foram lidas cartas enviadas pela Internacional de Federações Anarquistas, o Movimento Libertário Cubano, a Federação Libertária Argentina, a Federação Anarquista de Berlim, e também, apoio e saudações de editoras, publicações e personalidades (Edições Malatesta, Grilo Libertário, O Libertário da Venezuela, Edições Tocha, Octavio Alberola…)

    Depois começaram as oficinas que enfatizam a difusão do ideário anarquista em organizações estudantis; a criação de um grupo anarco-sindicalista, que continue o trabalho que, em outros tempos, estava ligado à AIT e com o objetivo de fortalecer as relações e esforços novamente com a Internacional; a promoção da pedagogia libertária (Blog da Confederação dos Pedagogos Anarquistas, projetos de docência…); o desenvolvimento de campanhas contra a opressão e a exploração de todos os seres vivos; o agendamento uma Primeira Reunião de Ocupas no México e organizar reuniões com os bairros, contra a especulação e propriedade privada; a realização de manobras concretas de solidariedade com os prisioneiros (diretório de presos anarquistas, manuais de defesa contra as detenções); a criação de laços estreitos e tangíveis entre grupos anarquistas com o povo e a criação da literatura anarquista virtual… entre outros.

    No sábado, último dia de deliberações, juntaram-se os companheiros por afinidade aos grupos de trabalho que não já eram temáticos. Consistia em apresentar suas experiências de organização e de luta em diferentes áreas, para aumentar e amadurecer um processo organizacional anarquista em todo o México, como um preâmbulo para a discussão e conferência. Além disso, as decisões finais foram discutidas em uma plenária final informativa. Fechando o dia, mulheres anarquistas atacam o estrado em protesto, segurando faixas e cartazes denunciando a violência de gênero e a opressão contra as mulheres, um problema que ocorre até mesmo dentro do nosso movimento. Casos como da companheira Salí, assassinada por um “companheiro” em Oaxaca em 2008, e outros semelhantes em nosso meio são a prova disso.

    Cabe destacar a presença de estudantes, professores, trabalhadores, ex barricadeiros do movimento social de Oaxaca 2006, que refletem outra realidade de um anarquismo que está começando a ressurgir no México. No final do congresso, foi anunciada a assistência de cerca de 600 participantes de todo o México e de 10 países e, portanto, se dá por encerrado e é dado por um ato que excedeu as expectativas de quase todos.

    A noite de sexta-feira, foi anunciado que o prisioneiro indígena Abraham Ramírez Vázquez, lutador pela autonomia dos povos indígenas e defensor dos recursos naturais do seu povo, foi liberado após ser preso por mais de seis anos, havendo uma ovação de pé da platéia.

    Para fechar o dia, os esforços foram depositados na grande Marcha Anarquista do 1º de Maio. Os anarquistas tomaram as ruas e nenhum governo de esquerda ou direita poderiam parar com suas táticas repressivas de encapsulamento ao contingente libertário. Tanto os companheiros de dentro como de fora do cerco, mostraram pressão sobre o seqüestro de pessoas e de idéias, que tanto incomodam ao poder. Além disso, tornou-se algo evidente que certifica a ação social dos anarquistas, a solidariedade de pessoas e organizações fora do movimento libertário que ficaram indignados ao ver o assédio da polícia de que foram vítimas.

    É assim que termina o que pode muito bem ser um bom sinal de um ressurgimento anarquista.

    Mais informações: congresolibertario.blogspot.com

    Secretaria de Relações Exteriores, Comitê Confederal da CNT [espanhola]

  • [Alemanha] 1º de Maio anticapitalista atrai milhares de pessoas em Berlim

    [Alemanha] 1º de Maio anticapitalista atrai milhares de pessoas em Berlim

    Aproximadamente 15.000 pessoas participaram da passeata anticapitalista do 1º de Maio em Berlim. Novamente a manifestação contou com um bloco negro dinâmico e concorrido.

    Durante o curso do protesto os manifestantes quebraram janelas de vidros de vários bancos e grandes lojas. Um posto policial também foi atacado com pedras e garrafas e diversos carros de patrulha dos agentes de segurança foram danificados.

    Um grupo de policiais também foi alvejado por um ataque de chuva de pedras. Logo após se generalizou um confronto entre a polícia e grupos de manifestantes. Os policiais lançavam bombas de gás lacrimogêneo e gás pimenta. O revide dos ativistas vinha com pedras, garrafas, fogos de artifício e barricadas. A polícia conseguiu realizar algumas detenções.

    Houve protestos em outras cidades alemãs, como em Wuppertal, onde 400 ativistas participaram de um ato de rua sem autorização da polícia. Em Nuremberg, 2.500 pessoas foram às ruas. Em Halle, no leste da Alemanha, milhares de manifestantes bloquearam o caminho da passeata dos neonazistas, que sofreram um ataque de pedras, alguns carros dos nazis foram danificados. Em Bremen, 4.000 pessoas tentaram fazer o mesmo. Poucos dias antes do protesto alguns carros de neonazistas foram queimados. Em Hamburgo, 2.500 manifestantes voltaram às ruas da cidade para protestar. Foram registrados confrontos entre um grupo de encapuzados e a polícia.

    Na semana que antecedeu o 1º de Maio, uma série de ações de grupos anarquistas foi levada a cabo, especialmente em Berlim e Hamburgo. Em Berlim, dois edifícios da Agência de Emprego, um banco e o prédio da Associação de Industriais Alemães foram atacados com pedras e bombas de tinta e um carro de uma empresa responsável pelo transporte de resíduos nucleares foi incendiado.

    Em Hamburgo, houve ataques incendiários contra duas viaturas da polícia e três carros da empresa do ramo da energia nuclear Vattenfall e vários carros de luxo.

    Fotos 1º de Maio anticapitalista de Berlim:

    http://www.flickr.com/photos/neukoellnbild/sets/72157626628734188/

    http://www.flickr.com/photos/rassloff/sets/72157626499643011/

    http://www.flickr.com/photos/andreas-potzlow/sets/72157626629932486/