Categoria: Movimentos Políticos & Sociais

  • Federação Anarquista Informal reivindica carta-bomba na Suíça

    O grupo italiano Federação Anarquista Informal (FAI) assumiu nesta sexta-feira (1º de abril) o envio de um pacote-bomba que feriu duas funcionárias na sede da Swissnuclear, órgão especializado em energia nuclear do consórcio que reúne os três grandes grupos energéticos da Suíça.

    O consórcio Swisselectric, controlador da Swissnuclear, reúne as empresas Axpo, Alpiq e Forces Motrices Bernoises (FMB), que administram um total de cinco usinas nucleares na Suíça.

    As companhias apresentaram em 2008 ao Escritório Federal de Energia um pedido para construir três novos reatores atômicos no país -que foi suspenso para que os padrões de segurança fossem revistos, depois da tragédia na usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, atingida por um tremor e tsunami no último dia 11.

    O grupo reivindicou ainda o pacote-bomba enviado ao diretor da maior prisão de Atenas. O pacote-bomba não deixou vítimas porque foi descoberto a tempo pelo mecanismo de raios X da prisão de Koridalos e neutralizado.

    Na nota, a organização manifestava apoio a seus correligionários presos na Suíça, Chile e Alemanha, e a alguns gregos do grupo Conspiração das Células de Fogo, que estão em um presídio de Atenas à espera de julgamento.

    Fonte: agências internacionais de notícias

  • [Itália] Fascistas não passarão!

    [Itália] Fascistas não passarão!

    Antifascistas protestam contra a apresentação de um livro fascista em Palermo. Ação antifascista em Parma e na Sicília.

    Palermo

    Em 23 de março passado estava prevista a realização de um ato nazista, na biblioteca central La Mondadori, em Palermo. O ato consistia na apresentação de um livro sobre Casapound (estrutura italiana que agrupa os centros sociais fascistas).

    Depois de uma semana de informações e de boicote à biblioteca, antifascistas locais organizaram uma manifestação com o intuito de impedir o ato. As centenas de nazistas que participaram do evento tiveram que ser protegidos pela polícia. Incidentes ocorreram entre os antifascistas e forças de ordem e não há relatos de detenções. 4 neonazistas tiveram que ser levados para o hospital.

    Parma

    Na cidade de Parma foi realizada na quarta-feira, 30 de março, uma ação espontânea para pedir o fim destes centros sociais fascistas. Os habitantes do bairro de Montanara, onde se encontra essa “okupa” nazista, tomaram as ruas novamente para mostrar sua oposição à presença nazista na área e a realização de uma conferência sobre a unificação da Itália (aproveitando o 150 º aniversário).

    Cerca de 50 neonazistas tentaram atacar a concentração antifascista, mas não houve ferimentos graves.

    Sicília

    Na Sicília, na semana passada, um desses “centros sociais” fascistas foi atacado por antifascistas.

    Vídeo dos confrontos em Palermo:

    http://www.youtube.com/watch?v=DpA9f9HP_E0&feature=player_embedded&skipcontrinter=1

  • Estudante morre durante protestos em universidades da Colômbia

    [Um estudante morreu ontem (1º de abril) durante uma série de protestos organizados em várias universidades públicas colombianas depois do anúncio de que o governo vai permitir investimentos de empresas privadas nestas instituições.]

    Infelizmente morreu o jovem Andrés Arteaga, estudante de veterinária da Universidade de Nariño, na cidade de Pasto, quando um artefato explosivo manipulado pelos manifestantes se ativou.

    “Lamentamos profundamente esta perda e denunciamos as declarações do vice-presidente Angelino Garzón, quando afirma “Uma coisa é o protesto e outra a criminalidade. O capuz e a pedra não podem ser parte da expressão estudantil”. Estas afirmações demonstram o espírito duplo e falso do Estado colombiano, já que seus órgãos repressivos põem em grave risco a segurança do estudantado colombiano e contribuem com o aumento das ameaças ao corpo docente”, diz um comunicado da Cruz Negra Anarquista de Bogotá, Colômbia, sobre o fatídico fato.

    Várias organizações estudantis e de educadores lançaram uma convocação para uma nova mobilização em Bogotá e outras cidades colombianas para 7 de abril.

  • Solfed: uma carta da “minoria violenta” no Reino Unido

    Solfed: uma carta da “minoria violenta” no Reino Unido

    “Se economia altera nossas vidas, temos que quebrar a economia”

    Estamos escrevendo isto para tentar impedir que a luta contra os cortes seja dividida e enfraquecida pelos meios de comunicação. Somos anarquistas (anarcossindicalistas tecnicamente) – uma palavra que é muito mal compreendida e mal interpretada. Também somos estudantes, trabalhadores e representantes sindicais.  Organizamos um “Bloco Radical de Trabalhadores”, ao sul de Londres. O objetivo foi proporcionar uma presença muito visível dentro do movimento dos trabalhadores do qual fazemos parte, chamando por greves, ocupações e à desobediência civil.

    A manifestação de sábado passado (26M) foi muito maior do que o esperado, e vimos milhares de pessoas a ir além de um simples passeio para tomar a ação direta. As ações do Reino Unido contra os cortes, tanto na Oxford Street como na ocupação da  Fortnum e Masons levou à abusos policiais, incluindo prisões em massa.

    Quando chegamos à Trafalgar Square, fomos para a rua Oxford às 14h00, para passar das palavras à ação. Quando chegamos, encontramos outros grupos anarquistas, que tiveram a mesma idéia.  Escolhemos permanecer em movimento, causando a interrupção de tráfego e do trânsito pela Oxford Street e seus arredores, acessos que foram fechados e vigiados pela polícia antidistúrbios. Posteriormente, vários bancos, o Ritz e outros edifícios foram danificados ou afetados por sacos de tinta atirados. Houve algumas pequenas brigas com a polícia. Houve um debate sobre as táticas a tomar; muitos foram a favor da ação direta das massas e outros pela destruição de propriedade. Vamos ter sempre esse debate dentro da luta anti cortes, e não deixaremos que a mídia nos divida.

    Pensamos nisso do ponto de vista dos proprietários de lojas e comércio: uma janela quebrada pode custar £ 1,000. A perda de benefícios do comércio em um sábado por meio de uma ocupação pacífica iria custar várias vezes mais. Talvez isso ajude a explicar a resposta dura da polícia: nós atingimos aonde mais dói – no bolso. Tradicionalmente, os trabalhadores usaram o instrumento da greve para conseguir isso. Mas o que acontece com os trabalhadores que não são sindicalizados ou os sindicatos que não querem entrar em greve? E os estudantes, os desempregados? No Reino Unido, a ações anti-cortes foram muito bem sucedidos com a participação dessas pessoas – e isso parece estar na direção certa em termos de obrigar o governo a reverter seus programas de cortes. Mais ações e a maior parte delas nesse sentido serão necessárias para deter os cortes (na França, eles chamam de “bloqueio econômico”). Reconhecemos que só uma marcha a partir do “A” para “B” ou esperando que o governo seja justo não é suficiente. Sonegadores fiscais, governo e os ricos vão continuar a procurar fórmulas para fazer pagar os mais pobres da sociedade com suas políticas deficitárias, a menos que tomemos a opção mais cara para eles, a saber: “Se economia altera nossas vidas, temos que quebrar a economia”.

    A cobertura da imprensa desde o último sábado entrou em um frenesi bem ensaiado, de “manifestante bom/manifestante mau”. Alguns, no Reino Unido, manifestaram indignação com as ações dos “manifestantes maus” , (corretamente) com ênfase na natureza pacífica da ocupação da F & M. Acreditamos que a idéia de dividir o protesto entre “bons” e “maus” só serve para legitimar a violência policial e a repressão.

    Como vimos no sábado, a repressão não é causada por ações violentas, mas por ações eficazes – há uma longa história de piquetes e ocupações pacíficas, sendo estas violentamente reprimidas pela polícia (greve dos mineiros).

    Na verdade, os protestos anti-cortes no Reino Unido têm estado muitas vezes no outro extremo, com a resposta da polícia às ocupações não-violentas utilizando sprays de pimenta e detenções violentas.

    Nesse sentido, poderíamos dizer que estamos fazendo um bom trabalho. Que as prisões em massa fortalecem a nossa determinação de não parar. E não vamos cair na tática do “dividir para conquistar”, que é o truque mais velho no livro dos ricos e poderosos.

    Se for capaz de oferecer qualquer ajuda ou solidariedade concreta para os detidos, por favor, entre em contato conosco. Conseguimos anteriormente aconselhamento jurídico e sessões de formação com Fitwatch, defesa legal e grupos de acompanhamento – estaremos felizes de fazer isso de novo. Ou se as prisões estão causando problemas para os trabalhadores, iremos ajudar a organizar os presos contra as represálias. No sábado, a maioria dos presos eram militantes anti-cortes no Reino Unido. Da próxima vez pode ser a gente. Estamos todos juntos nessa.

    Assinado, SolFed Brighton (AIT)

    Além de militantes de: Northampton, Norte de Londres, Manchester, Thames Valley, Liverpool e localidades do Sul de Londres.

  • [Grécia] Consulado chileno em Tessalônica é ocupado em solidariedade aos presos políticos em greve de fome

    [Grécia] Consulado chileno em Tessalônica é ocupado em solidariedade aos presos políticos em greve de fome

    Um grupo de anarquistas invadiu o consulado chileno de Tessalônica no dia 15 de março, em solidariedade aos presos políticos em greve de fome há 33 dias no Chile. Os manifestantes ergueram faixas e gritaram slogans e distribuíram folhetos. Não houve detenções.

    Comunicado:

    Os becos sem saída da dominação, a violência autoritária e a estratégia de guerra para a neutralização do inimigo interno são, mais que nunca, características evidentes em todos os estados nos quais se desenvolve a resistência social organizada. No 14 de agosto de 2010, um maravilhoso espetáculo repressivo tomou lugar nas cidades chilenas de Santiago e Valparaíso conduzindo à perseguição de 14 pessoas, 8 das quais foram encarceradas e acusadas de todos os ataques armados, com explosivos e objetos incendiários, que aconteceram nos últimos 3 anos, contra alvos do Estado e do capital no país. A única prova concreta que os levaram a cárcere é sua identidade política, que é sintetizada por seus círculos sociais e suas atividades de luta.

    Andrea Urzúa, Camilo Pérez, Carlos Riveros, Felipe Guajardo, Francisco Solar, Mónica Caballero, Pablo Morales, Rodolfo Retamales, que desde então estão encarcerados, levam uma luta importante desde 21 de fevereiro de 2011, em que começaram uma greve de fome exigindo sua liberdade assim como a abolição da lei antiterrorista. Logo após começar a greve, outros 2 companheiros foram reenviados à cárcere depois de um período de prisão domiciliar. Vinicio Aguillera e Omar Hermosilla se uniram à greve 2 dias depois. Através deste posicionamento todos eles demonstram claramente que não estão dispostos a resignar-se nas jaulas da democracia. Através de sua segunda exigência, conseguiram quebrar o isolamento social que fazia parte dos planos do Estado, colocando em evidência a profunda dimensão política de seu caso o qual é significativamente importante para todas as lutas sociais. O arsenal da lei, que todos os estados totalitários modernos têm a sua disposição, é uma ferramenta para a eliminação de qualquer um que seja inimigo consciente contra o domínio. Ainda que sejam os anarquistas os principais receptores da violência mascarada pelas leis, a força da lei do terror não vai extinguir-se depois deles. O resultado desta luta será um legado histórico para o movimento que não ficará parada dentro das fronteiras de nenhum país. Que aconteça então o mesmo com a solidariedade que será expressada, a partir de todos os lugares deste planeta, para com estes companheiros.

    Nós lhes desejamos muita força até sua liberação. Nós ficamos juntos a eles nesta difícil luta contra as masmorras do Estado, contra o processo judicial discriminatório e classista, contra as merdas dos meios de comunicação e contra todos aqueles que tentarão bloquear seu caminho até a liberdade.

    Assembléia pelo fomento da solidariedade e outros companheiros.

    15 de março de 2011, Tessalônica, Grécia.

  • [Grécia] Manifestação e confrontos contra Georgios Papandreou e ministros do governo grego; Vice-primeiro ministro é atacado em Kalivia

    Na manhã desta segunda-feira, 21 de março, na Ilha de Siros (uma das ilhas que compõem o arquipélago das Ilhas Cíclades), aconteceu uma manifestação de estudantes e moradores locais na praça central de Ermoupolis contra a presença do primeiro-ministro grego Georgios Papandreou e vários de seus ministros que visitavam a ilha para falar sobre “desenvolvimento”. Os manifestantes gritaram slogans contra a fusão de duas escolas secundárias locais e o governo em geral.

    As forças repressivas (policiais uniformizados e à paisana) responderam com gás lacrimogêneo e granadas flash bang. Algumas pessoas foram detidas. Um estudante de 15 anos e um policial ficaram levemente feridos no embate e levados para o hospital.

    Os manifestantes se dispersaram depois do ataque policial, mas em seguida retornaram animados para a praça central, onde os confrontos voltaram a acontecer até a saída de Papandreou e seus cúmplices de um imóvel.

    Vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=x2WwwHhjdSo&feature=player_embedded

    Vice-primeiro ministro é atacado em Kalivia

    O vice-primeiro ministro do governo grego, Theodoros Pangalos, apareceu num restaurante na cidade de Kalivia, perto de Keratea na noite passada. Enfurecidos os moradores locais aproximaram-se dele exigindo a sua saída daquele lugar e o retirada da polícia da cidade.

    Este ataque (com potes de iogurte) contra Pangalos foi o último de uma serie de ações diretas perpetradas por pessoas contra os políticos dos principais partidos grego; as ações acontecem sempre nas ruas, universidades e outros espaços públicos.

    Vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=9F5STQ4_Z7s&feature=player_embedded

  • [França] Apresentação do documentário “México, a céu aberto” em Lille

    [França] Apresentação do documentário “México, a céu aberto” em Lille

    Quarta-feira, 16 de março, no Centro Social Libertário de Lille, na França, às 19h30, foi apresentado o documentário “O México, a céu aberto”, do cineasta mexicano Andrés DCO. Organizado pelo Coletivo da Raiva Digna e o Grupo de Anarquistas de Lille, essa projeção foi precedida de uma exposição fotográfica de alguns movimentos sociais da América Latina (Panamá e México, principalmente) e uma pequena conversa com o próprio diretor.

    Além de mostrar a paisagem desoladora e os terríveis efeitos ambientais, deixadas de rastro pelas mineradoras transnacionais, especialmente as canadenses que se estabeleceram no México, bem como várias formas de organização social e de resistência; o filme é um tributo a Betty Cariño, que foi membro e coordenadora da Rede Mexicana de Afetados pela Mineração (REMA) e assassinada em março de 2010, no estado de Oaxaca, e a Mariano Abarca Roblero, membro da REMA-Chiapas, morto em Chicomiselo, Chiapas, por funcionários da mineradora canadense Blackfire, em 27 de novembro de 2009.

  • Bloco libertário protesta contra o governo croata

    Bloco libertário protesta contra o governo croata

    Por iniciativa do movimento anarco-sindicalista croata, os cidadãos têm sido chamados a participar de protestos em massa contra a política econômica e social do governo, formando um bloco libertário. As manifestações organizadas em várias cidades da Croácia contaram com a participação de centenas de pessoas.

    Cerca de trezentas pessoas, principalmente jovens, se reuniram por volta das 19 horas na cidade croata de Rijeka, onde, com faixas e bandeiras, pediram a renúncia do governo.

    Para o partido no poder, o HDZ, e a oposição liderada pelo SDP, foi enviada uma única mensagem – “Ladrões!” – palavra cantada repetidamente, simplesmente mudando o nome do partido.

    A polícia não interveio, porém não houve chamada de alerta às autoridades, já que estas “não alertam sobre a destruição da indústria, emprego, o saque de todo o país, bem como uma redução dos padrões de vida e dignidade dos cidadãos, pelo que não vamos alertar sobre a resistência”, como se afirmava durante o protesto.

    O objetivo da ação, de acordo com os organizadores da cidade de Rijeka, é principalmente impedir novos cortes nos direitos sociais.

    Os protestos em Rijeka, como em toda a Croácia, organizados em um bloco libertário, vão sendo harmonizados e coordenados para convocá-los em todo o país no mesmo dia. O próximo protesto é provável na próxima terça-feira.

    O número de manifestantes – cerca de dez mil – foram convocados em Zagreb. Em Varaždin, cerca de duas mil pessoas. Em Zadar, e em Slavonski Brod, se reuniu cerca de uma centena de pessoas. Em um protesto “contra o poder” na cidade de Split, segundo informou a polícia, era de 500 a 600 pessoas. Em Osijek, reuniu-se cerca de mil pessoas, que exigiam a renúncia do governo. As manifestações também foram realizadas em Koprivnica e Virovitica.

     

  • Os comitês populares líbios devem ser à base de uma nova vida, não uma mera medida transitória

    A luta do povo líbio, que é parte da onda de rebeliões populares que se espalha como fogo em todo o mundo árabe, está adquirindo um caráter verdadeiramente dramático, com o povo que segue avançando sua luta contra um regime decidido a permanecer no poder por todos os meios. Gadaffi, pese o seu passado como uma dor de cabeça para os Estados Unidos, se converteu em um aliado chave para a Guerra contra o Terrorismo, a qual foi corroborada pela torpe e tardia reação dos Estados Unidos ante os eventos na Líbia, assim como pela igualmente tardia suspensão da União Européia de seu considerável comércio de armas com o regime líbio. Ainda que os Estados Unidos e as potências ocidentais pareçam re-descobrir que, depois de tudo, não lhes agradava tanto Gadaffi (depois de uma década de relações amistosas), começaram a falar de uma possível intervenção e porta aviões dos Estados Unidos tem se aproximado das costas líbias. Os resultados que poderiam ter semelhante aventura seriam horrendos. Entretanto, os Estados Unidos e seus aliados do Ocidente exploram as formas para assegurar que esta rebelião, tanto na Líbia quanto no resto do mundo árabe, não se comporte de forma revolucionaria e assegurar que seus interesses econômicos e estratégicos sejam servidos da melhor maneira possível em um cenário pós-Gadaffi. Para entender melhor o que ali ocorre, mantivemos outra conversa com nosso amigo e camarada, o anarquista sírio Mazen Kamalmaz, que edita o blog revolucionário: http://www.ahewar.org/m.asp?i=1385

    José Antonio Gutiérrez D.

    3 de Março, 2011

    Pergunta > O que é que está realmente ocorrendo na Líbia e no resto do mundo árabe?

    Mazen Kamalmaz < É uma revolução. Depois de 42 anos sendo governadas pelo regime de Gadaffi, as massas tem saído às ruas. O mal, é que pela brutal repressão do regime, esta revolução só pode ser exitosa na parte Leste do país, a qual também possui diferentes tribos do Oeste e do Centro da Líbia. Rapidamente, as forças leais ao regime se repuseram da surpresa e sufocaram a rebelião em Trípoli, a capital, assim como no resto da Líbia, utilizando uma força extremadamente brutal. As massas tentaram sair novamente na quarta-feira passada, que foi um dia de furiosos protestos em todos os países árabes, mas não foram capazes de fazer frente às forças do regime. Agora existe uma situação de estabilidade entre dois poderes, o do povo e o do regime, ainda que ambas estejam tratando novamente de capitalizar esta situação a seu favor.

    Independente dos protestos na Líbia, Iêmen esta ardendo durante semanas. Neste país existem várias tribos e minorias religiosas, a parte dos conflitos entre um norte dominante e um sul marginalizado que demanda autonomia. Os estudantes universitários e secundaristas têm conseguido, graças a sua devoção pela liberdade plena e sua vontade para sacrificar-se por esta causa, converterem-se em um fator de convergência para todas as facções da nação em torno ao objetivo de derrubar a ditadura.

    A quarta-feira passada também foi bastante agitada no Iraque, onde milhares de jovens iraquianos, tanto sunitas como xiitas, os quais estiveram a pouco tempo as bordas de uma guerra civil, saíram as ruas para protestar contra o corrupto governo pró-yanque. A polícia respondeu com a mesma repressão que em outras partes, o que ocasionou algumas mortes entre os manifestantes.

    O Sultanato de Oman também se uniu aos países em rebelião, quando os jovens saíram às ruas a gritar, como em outras partes, por mais liberdade e melhores condições de vida.

    Pergunta > Ainda há aqueles que olham Gadaffi como um socialista e um anti-imperialista… isto está certo?

    Mazen < Este é um mito bastante enganador e ilusório, e é produto da antiga esquerda autoritária, que ainda persiste. Isto, devido em parte, ao renascimento da esquerda autoritária com figuras como Chávez.

    Devemos ter em mente que o regime de Gadaffi tem gozado de uma melhoria significativa em suas relações com as principais potências ocidentais desde 2003, depois de que o ditador líbio abandonou seu programa nuclear. Então, a ex-secretaria de Estado dos Estados Unidos, Condolezza Rice, proclamou este gesto como um modelo para restaurar as relações normais entre os Estados Unidos e os países do terceiro mundo, inclusive aqueles que os Estados Unidos tem qualificado como regimes “canalhas”. Isto abriu as portas a Berlusconi, Blair e Sarkozy para que visitassem a Líbia e assinassem multibilionários contratos com empresas ocidentais, incluindo venda de armamento. Assim, Gadaffi acabou aparecendo inclusive em uma reunião do G8 para conversar com Obama. Igualmente com Ben Ali e Mubarak, as grandes potências capitalistas, sinceramente ignoraram as violações aos direitos humanos do regime de Gadaffi, cometidas contra seu próprio povo. Ainda quando Gadaffi se declarava um antiimperialista, faz muito tempo, não era outra cosa mais que lábia que utilizava enquanto se envolvia, como autoritário que é, em atos terroristas triviais, os quais não foram feitos para apoiar os objetivos libertários das vítimas do imperialismo.

    Devemos distinguir entre ser anti-yanque, anti-capitalista e ser um genuíno socialista, já que não são poucos os anti-yanques que são tão autoritários e repressores como o sistema global do fascismo corporativo ou como os regimes pró-yanques. Não nos esqueçamos do estalinismo. Gadaffi mesmo chegou ao poder quando o nacionalismo árabe estava em seu clímax, o qual era anti-imperialista em um sentido retórico, ainda que tenha conduzido aos países árabes de derrota em derrota em todas suas confrontações com o imperialismo e sua agente local mais importante, Israel. A última destas derrotas foi o Iraque no ano de 2003. Depois da derrota de 1967 do Egito, Síria e Jordânia, por parte de Israel, muitos esquerdistas terminaram por chegar à conclusão de que a natureza exploradora e repressiva destes regimes era a verdadeira responsável por estas derrotas. No ano seguinte, jovens e estudantes egípcios começaram a protestar contra o regime de Nasser, protestos que tiveram conotações libertarias. O fato é que o Egito sob Nasser, Iraque sob Saddam ou Síria sob Assad, todos tem sido meros exemplos de capitalismo de Estado burocrático, ou seja, regimes que tem reprimido e explorado seu próprio povo.

    Pergunta > Qual foi o papel dos Estados Unidos na crise? Sabendo-se que Gadaffi esteve em bons termos com eles durante bastante tempo…

    Mazen < Durante a Guerra Fria, ambas potências repressoras como foram os Estados Unidos e a URSS, praticaram um jogo dúbio: por um lado, reprimiam a seus próprios povos em sua esfera de influência e “apoiavam” as lutas de liberação nas esferas de influência de seu rival. Assim, a União Soviética apoiou a luta popular vietnamita contra a intervenção yanque e a Revolução Cubana, assim como outras rebeliões na América do Sul e outros lugares infestados de ditadores pró-Estados Unidos. Por outro lado, os Estados Unidos e o bloco capitalista apoiaram a onda de protestos na Europa do Leste, etc. Este jogo hipócrita ainda é jogado hoje. Os Estados Unidos estão ansiosos em apoiar rebeliões no Irã, por exemplo, mas jamais na Arábia Saudita. No Iraque, o governo de Bush ajudou a Saddam a retomar o poder mesmo após sua derrota na primeira Guerra do Golfo em 1991, em momentos em que este enfrentava uma enorme revolução popular e apenas uma pequena parte do Iraque estava sob seu governo. Sua intenção era derrotá-lo quando fosse mais fácil e quando fazê-lo não significaria um risco para seu domínio regional.

    Mas o mundo está girando a todo tempo, às vezes contra a vontade dos Estados Unidos, como ocorreu no Egito e na Tunísia. Apesar de todos seus esforços para manter a Ben Ali e a Mubarak no poder, as massas criaram uma nova realidade, a qual os Estados Unidos estão tratando de adaptar-se. Na Líbia, as coisas são um pouco diferentes. Os Estados Unidos são como um animal predador, que têm em sua frente a um regime de Gadaffi debilitado e detestado por seu povo e sobre tudo com um território líbio cheio de petróleo. O qual lhes aparece como uma vítima fácil e de grande porte. A parte disto pode ter a vantagem adicional de fazer aparecer o principal apoio das ditaduras em nossa região, os Estados Unidos, como se fosse um lutador pela liberdade, ajudando a liberar de seu sanguinário ditador, ao qual consideravam até há pouco tempo um amigo, a uma nação desamparada. O mal de ser um predador é que não consegue resistir à tentação de uma presa fácil, pese a suas experiências dolorosas passadas. É muito importante levar em consideração quando se fala deste possível plano de intervenção dos Estados Unidos que ninguém na Líbia, nem as massas rebeldes, nem sequer a oposição líbia no Ocidente, está a favor de uma intervenção militar estrangeira.

    Desde sempre, tal coisa seria um golpe contra a luta de toda nação líbia, um golpe contra sua luta independente pela libertação e também representaria uma ameaça contra seu futuro. Os líbios estão a ponto de derrubar o regime e conquistar a posse de seu petróleo e de sua vida. Eu não creio que, ao menos a maioria deles, estejam dispostos a sacrificar o que tem conquistado até agora em troca de uma vitória fácil, mas que não seria sua própria vitória.

    Pergunta > Qual é a natureza do governo civil-militar declarado hoje (27 de fevereiro) em Benghazi?

    Mazen < Ainda não existem instituições estatais propriamente ditas nas áreas liberadas. Há aqueles que estão tentado consolidar sua liderança elitista, mas sem êxito até o momento.

    Faz pouco tempo a imprensa yanque e a imprensa árabe pró-yanque, começaram a falar de um conselho interino em Benghazi, o qual estaria liderado por um ex-ministro do governo de Gadaffi, somente para ressaltar sua posição favorável a uma possível intervenção dos Estados Unidos. A parte deste suposto conselho interino, nenhuma outra força ou grupo das zonas liberadas, aceita tal intervenção.

    Pergunta > Qual é o papel dos Comitês Populares líbios? Estão criando, o povo, mecanismos para sua própria democracia direta?

    Mazen < Na prática, estes comitês, se converteram em parte integral de todas as revoluções no mundo árabe. Considero que sim, são bons exemplos de democracia direta. Todas as zonas libertadas são controladas por eles, tal qual ocorreu depois da queda de Ben Ali na Tunísia e depois de que Mubarak ordenara as suas forças de segurança abrir o caminho aos bandidos para que saqueassem por todas partes a fim de amedrontar as massas rebeldes. O que necessitamos agora é que se convertam em uma nova forma de vida, e não sinceramente em uma medida provisória: tal deve ser nossa mensagem as massas.

    Pergunta > Há aqueles que têm levantado as bandeiras da monarquia… acreditas que o fantasma de um retorno ao velho regime de Idris esteja em vista?

    Mazen < Para dizer a verdade, qualquer coisa pode suceder. Creio que nem sequer os líbios rebeldes sabem muito bem quem ou como governará o país quando consigam derrubar a Gadaffi. Devem descobrir eles mesmos sua própria maneira de fazê-lo. Mas creio que é difícil que isto ocorra, pois já não se submeterão facilmente a um novo governo. Tiveram conhecimento de seu poder e não será fácil lhes expropriarem isso novamente.

    Pergunta > Qual é a perspectiva no imediato para esta rebelião?

    Mazen < Depende. Ainda não foi finalizada a luta contra a ditadura, nem ela foi ganha. Mas devemos perceber o enorme potencial que existe. A vitória da revolução significará uma grande mudança na região. Devemos ter em mente que a Nova Ordem Mundial foi declarada e implementada aqui pela primeira vez, em função da crise do Golfo, em 1990 e 1991. Desde então, esta região tem substituído a América do Sul como o pátio traseiro de Washington. Somado ao que já vimos na Tunísia ou no Egito, as mudanças serão duradouras e profundas. Como sempre, há duas opções: ou se instaura um novo regime das elites, ou as massas conseguem construir uma sociedade verdadeiramente livre, organizada segundo o modelo destes comitês populares que o mesmo povo criou no calor de sua luta.

    Tradução > Juvei

     

  • Convocatória para o Primeiro Congresso Anarquista no México

    Convocatória para o Primeiro Congresso Anarquista no México

    Companheiros e Companheiras anarquistas:

    Nos alvores do século XXI, a barbárie do capitalismo mundial manifesta-se através do aumento da exploração, da miséria e da morte de milhões de seres humanos. A arbitrariedade, o roubo, a violência, a dominação e a discriminação continuam a ser os motores que impulsionam a civilização capitalista nesta era de novos conhecimentos e tecnologias. Por fim a cobiça das empresas provoca a destruição descontrolada dos recursos naturais do planeta.

    Os Estados dominantes no mundo recorrem à guerra para exercer a hegemonia que lhes permitirá submeter e saquear os países e as sociedades. Do mesmo modo os Estados e os governos de diferentes origens políticas usam a repressão e procuram aniquilar os movimentos sociais para sufocar as chamas libertárias da insurreição, na tentativa de acabar com as greves e as revoltas populares que – com dignidade e por um novo mundo – lutam contra a barbárie da exploração e da dominação.

    A exploração, a dominação, a espoliação, a discriminação e uma devastação gritante dos recursos naturais que resultam desta situação não só legitimam mas tornam necessária, agora,  mais do que nunca, toda a luta contra o capitalismo e o Estado

    No México, a exploração e a miséria deixaram um rastro de 55 milhões de  pobres, salários de miséria,  a destruição dos direitos laborais, o desemprego e a imigração. Fome, exploração e morte para o povo mexicano. Em contrapartida, para os senhores do poder e com muito dinheiro, lucros elevados e uma crescente concentração de riqueza. No entanto, e contra o que os seus dominadores desejam, o povo mexicano não se deixou abater, resiste, rebela-se e constrói alternativas  contra a miserável realidade da fome, do roubo e da violência a que  querem condená-los os ladrões e exploradores  empresariais e governamentais.

    À tenaz rebeldia do povo mexicano, o Estado responde com a perseguição, a detenção, o desaparecimento e o assassinato dos homens e das mulheres dignos que lutam contra todas as injustiças e desejam uma transformação radical do sistema. A aposta das elites políticas e econômicas é a do terrorismo de Estado através da militarização do país e da criminalização dos indivíduos e dos movimentos sociais insurgentes.

    Com efeito, o Estado impõe a insegurança, o medo e a repressão em muitas áreas sociais, a fim de imobilizar a sociedade. O povo, longe de se deixar paralisar, resiste e rebela-se contra essa opressão e esse terror: luta contra a desapropriação das suas terras; protesta contra a construção de barragens, defende os ecossistemas  contra  a voracidade das empresas de construção, resiste à biopirataria das empresas biotecnológicas; protesta contra a Igreja e contra os reacionários de todos os quadrantes que visam impedir os direitos das mulheres e dos homossexuais, bissexuais e transgêneros de usufruírem o livre exercício de seus corpos, desejos e afetos, contra empresas privadas que lucram com os espaços públicos, como a auto-estrada oeste, Metrobus e linha 12 do Metrô, na Cidade do México, exige liberdade para os presos e presas políticos, a autonomia indígena e constrói nas ruas, para exigir seu direito à saúde, educação, habitação, terra, pão e a liberdade. Em suma, enquanto os senhores do poder e do dinheiro espalham o medo, a fome e a violência, o povo semeará a autonomia, liberdade e dignidade.

    A repressão do Estado, mas, acima de tudo, a força do povo mexicano, tornam inadiável a necessidade dos e das anarquistas de todo o país se reunirem no Primeiro Congresso Anarquista para se trocar impressões acerca da forma como nos queremos organizar, como lutar contra o Estado e o capital hoje e como acompanhar a rebelião do povo até à construção de um mundo novo sem exploração e sem dominação.

    O propósito do Primeiro Congresso Anarquista no México é criar um espaço de encontro, de diálogo e ação para a prática do apoio-mútuo, conhecer as nossas insurgências, trocar experiências, acordar – entre aqueles que o desejarem – atividades e ações conjuntas contra a exploração e a dominação atuais. O Congresso Anarquista não pretende homogeneizar a luta e o pensar das diferentes formas de entender e agir dos anarquistas do país, o que constituiria de resto uma pretensão contraditória com a nossa natureza libertária.

    Congresso Anarquista também não pretende hegemonizar as diversas forças e tendências ácratas que atualmente estão espalhadas por todo o país, o que seria uma contradição e iria contra os mais elementares princípios libertários. Enfatizamos que o Congresso Anarquista não pretende centralizar nem hegemonizar a ação e o pensar dos libertários, ou criar vanguardas ou dirigentes do nada nem de ninguém.

    Primeiro Congresso Anarquista do México pretende criar um espaço de encontro, diálogo e de apoio-mútuo entre os anarquistas que fortaleça a ação anarquista contra a investida da repressão dos governos do PAN, PRI e PRD, assim como criar um espaço que permita dar continuidade à revolta social e cultural dos anarquistas de todo o país.

    O espaço de encontro, diálogo e apoio-mútuo – que se pretende construir com o Primeiro Congresso Anarquista no México – é inspirado na ética anarquista que se baseia na autonomia individual, na fraternidade e na igualdade dos seres humanos.

    Inspirados por esses princípios éticos, diversos indivíduos e grupos anarquistas realizaram uma série de reuniões com o objetivo de convocarem os nossos irmãos e irmãs para a sua participação no Primeiro Congresso Anarquista no México, a ser realizado na Cidade do México em 29, 30 de abril e a 1 de maio de 2011, no Auditório Che Guevara.

    Companheiros e Companheiras anarquistas:

    A urgente necessidade de destruir a exploração e a dominação da podre civilização capitalista, assim como a aspiração de construir, aqui e agora, uma sociedade de pessoas autônomas, livres, iguais e respeitosas da natureza, levaram-nos à convocação da realização do Primeiro Congresso Anarquista no México.

    Esperamos que o seu coração e a sua palavra verdadeira e libertária construam com todos e todas nós esse espaço de liberdade, rebeldia e apoio-mútuo. Além disso, instamos os anarquistas que vivem nos estados da República a confirmar a sua participação no Primeiro Congresso Anarquista o mais rapidamente possível para preparar o seu alojamento, bem como providenciar apoios financeiros para contribuir para a sua deslocação desde o local de origem até à Cidade do México.

    Saúde e Revolução Social!

    México, Planeta Terra, Janeiro de 2011.

    Fraternalmente.

    • Indivíduos da Federação Local Libertária (FLL)

    • Projeto TV Neza

    • Estudantes ácratas da Faculdade de Ciências da UNAM

    • Membros do Auditório “Che Guevara”

    • Pensamento Ingovernável-FLL

    • Célula Anarco-feminista

    • Fanzinoteca do Auditório “Che Guevara”

    • Cruz Negra Anarquista

    • Estudantes do Politécnico

    • Indivíduos libertári@s

    • Coletivo Autônomo Magonista-FLL

    • Motim-FLL

    • Filhos do Povo-FLL

    • KontrAxãoZocial

    • Coletivo Libertário Resiste Luta Constrói

    Tradução > Liberdade à Solta